Programadora Brasil lança DVDs de filmes com audiodescrição

A Programadora Brasil está lançando mais 164 filmes em DVD. O catálogo chega aos 494 títulos que contemplam a diversidade da produção audiovisual brasileira. São clássicos e contemporâneos, curtas, médias e longa-metragens de todos os gêneros (animação, documentário, experimental e ficção) que representam o melhor da produção nacional das últimas dez décadas. Além de sucessos recentes de bilheteria, a Programadora Brasil também está lançando filmes raros – mas não menos importantes – que tiveram pouca circulação pelas salas de cinema e que nunca foram lançados em DVD ou VHS.

Há filmes para todos os gostos: comédias populares dos anos 30; chanchadas; clássicos do cinema novo dirigidos por Glauber Rocha e Joaquim Pedro de Andrade; documentários sobre temas recentes e urgentes da história brasileira, como a ditadura e a violência urbana; e, ainda, filmes sobre e para as crianças.

Mas não são só os futuros espectadores do cinema brasileiro que preocupam à Programadora Brasil. Por isso, ela inova e lança, agora, mais de 15 filmes com os recursos de audiodescrição e closed caption. Dessa forma, pessoas com deficiência visual e auditiva poderão frequentar salas de cinema e assistir filmes importantes da cinematografia brasileira.

Realizada pela Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, por meio da Cinemateca Brasileira e do Centro Técnico Audiovisual (CTAv), a Programadora Brasil trabalha para promover o encontro do público com o cinema brasileiro. Uma ação para formar platéias e incentivar o pensamento crítico em torno da produção nacional, através do estímulo à formação e ao fortalecimento de uma rede não-comercial de exibição.

Os filmes podem ser adquiridos por pontos de cultura, escolas, universidades, ONGs, centros culturais, entre outros espaços de exibição audiovisual de circuitos não-comerciais a ela associados.

Programadora Brasil: clássicos que divertem

Preocupada em recuperar a magia do cinema, a Programadora Brasil está lançando filmes clássicos com forte viés de entretenimento. São produções que, na época de seu lançamento, levaram o grande público às salas de exibição – façanha que poucos filmes conseguem hoje – e que ainda são capazes de emocionar e divertir o espectador. Entre eles está o longa-metragem O corintiano, de Milton Amaral. Mais do que uma obra sobre futebol, é um filme sobre paixões arrebatadoras. Estrelado pelo mito brasileiro do cinema popular, Amácio Mazzaropi (1912-1981), essa obra é uma joia a ser redescoberta pelo público.

Na mesma categoria está O batedor de carteiras. Produzido em 1958, o filme tem como destaque a presença de Zé Trindade, estrelando o personagem que o fez célebre no cinema brasileiro e que está em todas as chanchadas da época: o malandro mulherengo que veio do nordeste e descobriu a fórmula de levar vantagem em quase tudo na então capital da República.

Outra produção desse rol é o curta-metragem Os óculos do vovô, que carrega as imagens preservadas do mais antigo filme brasileiro de ficção.

No mesmo programa está o longa-metragem O jovem tataravô. Ele é considerado o primeiro filme brasileiro do gênero sobrenatural e foi produzido em parceria com a Cinédia, uma das produtoras pioneiras de cinema do Brasil, responsável por um avanço na produção de cinema brasileiro do qual até hoje somos devedores.

Além de investir em equipamentos que não existiam por aqui, a produtora esforçou-se para fazer filmes inspirados no modelo Hollywoodiano, atraindo milhares de brasileiros para as salas de cinema.

A Cinédia também tem parceria em outro longa-metragem que fez bastante público à época e que agora é lançado pela Programadora Brasil: Onde estás felicidade?, dirigido por Mesquitinha, em 1939. O filme é uma deliciosa comédia de costumes, recheada de números musicais bem ao gosto da época.

Programadora Brasil: história, Pensamento e Política na cinematografia nacional

Confiante no poder do cinema para fazer ver e pensar a história do país, a Programadora Brasil também está lançando nesta edição filmes que abordam a nossa história e a nossa política.

Nesse grupo estão dois filmes de Glauber Rocha. Terra em transe, filme que já nasceu clássico, é uma poderosa alegoria do Brasil, seus políticos, empresários e intelectuais na época da ditadura e O dragão da maldade contra o Santo Guerreiro, que apresenta as estruturas de poder do Brasil agrário.

Também bastante alegórico e misturando cordel com ópera e western, o filme, merecedor dos prêmios de melhor direção e da crítica internacional no Festival de Cannes de 1969, é considerado por muitos como a obra-prima de Glauber Rocha. Na sua revisão crítica do cinema brasileiro, Glauber Rocha escreveu: “Se o cinema da Bahia não existisse, Roberto Pires o teria inventado.”

Neste lançamento, a Programadora Brasil traz, de Pires, Tocaia no asfalto, um belo representante do ciclo de cinema da Bahia. Lançado em 1962, o filme é ainda hoje uma contundente crítica à corrupção e ao coronelismo que ditaram boa parte da política do estado da Bahia e talvez do Brasil. Com um elenco de primeira que inclui atores como Agildo Ribeiro, Othon Bastos e Antonio Pitanga, Pires cria um fantástico thriller que ainda hoje mantém sua atualidade.

Marcando os 30 anos das Greves de 1979, Redemocratização traz os curtas ABC Brasil, de Sérgio Péo, José Carlos Asbeg e Luiz Arnaldo Campos, Greve!, de João Batista de Andrade, e Greve de março, de Renato Tapajós. Os três filmes, ainda que realizados por diferentes diretores, tinham uma motivação comum: apresentar um importante momento da história brasileira, as greves do ABC paulista que, como se sabe, marcaram o inicio da redemocratização no Brasil.

Outro destaque desses novos programas é Vlado, trinta anos depois e Marimbás. Vladimir Herzog, homem do jornalismo, da televisão e do cinema, foi vítima da ditadura militar brasileira, iniciada com o golpe de 1964. Herzog morreu torturado nos porões da repressão em outubro de 1975. Neste programa, as duas obras são reunidas e possibilitam relembrar parte da história recente brasileira: Vlado, trinta anos depois, realizado por João Batista de Andrade, apresenta o pouco comentado jogo de poder por trás da morte de Herzog; e Marimbás, um dos primeiros documentários nacionais feitos com som direto e o único filme dirigido pelo próprio jornalista.

Um panorama da ocupação urbana desordenada de uma cidade pode ser visto em Rio de Janeiro: a cidade e o morro. O programa contém três curtas-metragens que discutem a relação entre a cidade do Rio de Janeiro e a favela ao longo do tempo. O clássico Couro de gato, de Joaquim Pedro de Andrade, mostra com rara delicadeza a relação de meninos do morro em busca de gatos para vender em pontos diversos da cidade nos anos 1960. Rocinha Brasil 1977, de Sérgio Péo, faz um retrato da maior favela da cidade em seus primeiros anos. E Sete Minutos, de Cavi Borges, Júlio Pecly e Paulo Silva, já traz a violência dos dias de hoje em um plano-sequência subjetivo de grande virtuosismo dramático. Completando o programa, o média-metragem Tópicos urbanos, de Ivana Mendes, conta a história da urbanização carioca, com informações preciosas para um debate consistente sobre o tema.

A questão indígena, tão presente hoje na mídia está bem representada em Brasil Indígena, no qual se destaca Mato eles?, filme seminal de Sérgio Bianchi que revela sua ironia ácida e provocativa ao investigar as últimas etnias existentes no Paraná no final da década de 1970.

Programadora Brasil: diversão e arte

Marcando o seu caráter diverso, o novo pacote de programas não deixa de contemplar conteúdos voltados ao público infantil e os chamados filmes para toda a família, demandas contínuas dos pontos de exibição audiovisual associados à Programadora Brasil. Para o público infantil, há programas com animações e ficções que revelam a cultura de diversas partes do Brasil, como em Curta Crianças 2 e Curtas Infantis 3. Em Animações para crianças que todos adoram, são destaques os primeiros trabalhos de animação dos diretores Otto Guerra e Cao Hamburger: Natal do burrinho e Frankstein Punk.O já clássico Castelo Rá-tim-bum – o filme também está nesse pacote da Programadora Brasil. Um filme para e sobre adolescentes foi resgatado e está sendo lançado: Marcelo Zona Sul. O longa-metragem é de 1970 e marca a estréia de Stepan Nercesian, cunhado do diretor que, na época, com apenas 16 anos e passando férias no Rio de Janeiro, fez o teste para o filme.

O novo acervo contempla ainda programas sobre artes plásticas, poesia, literatura, cinema e música. Dentre eles, vale destacar: Tim Maia, de Flávio Tambellini; Pixinguinha e a velha guarda do samba, de Thomas Farkas e Ricardo Dias; Ver, ouvir, de Antônio Carlos Fontoura; e O Poeta do Castelo, de Joaquim Pedro de Andrade.

E não poderiam faltar programas de filmes dedicados à arte do futebol, seus jogadores e torcedores. Prova de que no Brasil se fazem filmes do gênero tão bem quanto se joga está nos programas Futebol, Paixão Nacional e Boleiros, era uma vez o futebol e Uma história de futebol.

Pragramadora Brasil: acessibilidade

A Programadora Brasil entende que tornar o cinema brasileiro acessível a toda a população vai além da formação de público e da disponibilização de títulos. Democratizar o acesso ao cinema brasileiro passa pela adoção de recursos que garantam que todos possam acompanhar os filmes. Por isso, neste novo pacote, traz pela primeira vez programas acessíveis a pessoas com deficiência visual e auditiva. São dez programas que contam com recursos da audiodescrição (AD) e do closed caption (legenda oculta ou CC).

O closed caption é um recurso por meio de legendas que garante a pessoas com deficiências auditivas acompanhar exibições de filmes, programas de TV e espetáculos, principalmente nacionais, em que não costuma haver nenhum tipo de legenda. Já a audiodescrição é a narração das cenas exibidas, facilitando o acesso para pessoas com deficiências visuais. Pode ser feita por audiodescritores (ao vivo ou pré-gravada em estúdios) ou automática, também com o uso de softwares especializados.

Entre os filmes lançados com estes recursos estão: Os anos JK – Uma trajetória política, de Silvio Tendler; Eu me lembro, de Edgard Navarro; Iracema, uma transa amazônica, de Jorge Bodanzky e Orlando Senna; e Vida de menina, de Helena Solberg; além de programas de curtas.

Programadora Brasil: cCatálogo para um circuito em construção

Para adquirir os filmes e vídeos do catálogo da Programadora Brasil, os pontos de exibição audiovisual de circuitos não-comerciais precisam estar associados à iniciativa. O processo de associação das unidades teve início em fevereiro de 2007, quando houve o lançamento do primeiro pacote de programas.

Em 2 anos e meio, escolas, universidades, prefeituras, cineclubes, pontos de cultura, centros culturais, fundações e outros espaços de exibição passaram a poder adquirir os programas. Hoje, 1006 pontos de exibição audiovisual, espalhados em mais de 400 municípios nos 27 estados brasileiros, já se associaram à iniciativa formando um circuito alternativo de exibição para o cinema brasileiro.

Associar um ponto de exibição audiovisual à Programadora Brasil é gratuito. As informações sobre os procedimentos para associação podem ser encontrados no site da "programadora". Os dados completos sobre as obras que compõem o catálogo de filmes e vídeos do projeto licenciadas para exibições públicas em todo o Brasil também podem ser vistos no site.

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