Primeiro ano do Festival Assim Vivemos em São Paulo

Para alguém que, como eu, é um apaixonado pela audiodescrição, esta semana está sendo excepcional!
Não bastasse os filmes apresentados na segunda-feira na abertura da 4ª Mostra de Cinema de Direitos Humanos, pude ontem me deliciar com mais audiodescrição na abertura do Festival Assim Vivemos que, pela primeira vez, é apresentado em São Paulo.

Apesar dos transtornos provocados pela chuva no horário do rush que sempre pioram ainda mais o trânsito e o funcionamento do Metrô, consegui chegar em cima da hora no Centro Cultural Banco do Brasil que fica no centro antigo da cidade, no calçadão entre a Praça da Sé e a Praça do Patriarca.
Mas o stress com a falta de estrutura da cidade passou rapidinho. Bastou chegar no CCBB e ser recebido pela Lara, a curadora do Festival e proprietária da Lavoro Produções, com seu sorriso bonito e toda aquela simpatia para eu voltar ao estado de espírito de quem há quatro anos implorava para o CCBB trazer o Assim Vivemos para São Paulo, e com todos os recursos de acessibilidade já presentes nas outras edições, para que eu não precisasse mais invejar os cinéfilos e “audiodescritófilos” do Rio de Janeiro e Brasília (essa foi uma indireta pra você, viu MAQ!).
Assediada como uma Pop Star e preocupada em fazer que tudo ficasse perfeito, a Lara se dividia em mil pedacinhos para atender a todos e ainda resolver os costumeiros probleminhas de última hora.
A conversa estava animada com o Laércio Sant’Anna, o companheirão de praticamente todas as baladas da audiodescrição, e a Iracema Vilaronga, a musa da audiodescrição que largou tudo em Salvador só para assistir, do primeiro ao último, todos os filmes do Assim Vivemos…
Nos perguntávamos onde estariam a Graciela e o Ricardo, o Casal 20 do Assim vivemos, quando nos entregaram o programa em braile do evento, os fones de ouvido sem fio e nos pediram para nos dirigirmos a sala de exibição porque a sessão já iria começar: viva!
Já estávamos sentados a Iracema, o Laércio e eu, quando chegou outro batalhador pela audiodescrição: o Daniel Monteiro com seu fiel escudeiro, o cão-guia chamado Mac, o único cachorro que conheço que ronca como um trombone enquanto dorme…, e não confundam o Mac (cão-guia) com o MAQ (criador do badaladíssimo site A Bengala Legal)… risos.
Mais alguns minutinhos de bate-papo, e os fones de ouvido deram sinal de vida com a voz da Graciela fazendo a leitura da sinopse do filme que seria exibido: Mundo Alas, película Argentina que conta a história da evolução de um grupo musical formado por pessoas com diversos tipos de deficiências.
Discursos rapidinhos da Lara e do gerente regional do CCBB e, “voila”, começou a apresentação de um filme que, antecipo, é um dos mais bonitos dentre todos do Assim vivemos que já assisti, incluindo aqueles que pude acompanhar pelo Programa Assim Vivemos transmitido pela TV Brasil.
Para quem não entendeu porque chamei a Graciela e o Ricardo de Casal 20, agora eu explico: foi uma delícia acompanhá-los, ao vivo, fazendo a audiodescrição e a tradução dos diálogos do filme. Hora a Graciela descrevendo as cenas, hora o Ricardo traduzindo os diálogos, ambos completamente soltos, descontraídos, com uma ternura nas vozes que combinavam perfeitamente com toda a ternura transmitida pelo próprio filme, além do cuidado e perfeccionismo facilmente perceptíveis na preparação do roteiro da audiodescrição. Sentia-me como se estivesse nas nuvens, o tempo passou voando e, quando me dei conta, a Graciela e o Ricardo já estavam lendo os créditos do filme…
Acesas as luzes, pude perceber que vários outros conhecidos chegaram atrasados por culpa dos transtornos que uma simples chuva causa em uma cidade saturada. Dentre outros, estavam lá a Lívia Motta e o Tuca Munhoz.
Um outro grande prazer que tive ontem foi poder abraçar o Ricardo, a quem só conhecia a voz pelas transmissões da TV Brasil. Ah, e não posso esquecer de contar que também ganhei um DVD com os curtas do Assim Vivemos 2009! Mas não fique com inveja, é só entrar em contato com a produção do festival e você também pode ganhar o seu…
Mas, para quem pensa que a semana da audiodescrição em São Paulo Acabou por aí, na na ni na não! A 4ª Mostra de Cinema de Direitos Humanos vai até dia 11, e o Assim Vivemos vai até o final da próxima semana, programe-se porque ainda dá tempo…
Além disso, amanhã, quinta-feira, pré-estréia da peça A Música Segunda, de Marguerite Duras, no Teatro Vivo, que já conta com a audiodescrição em todas as peças ali encenadas desde 2007 e, na sexta-feira, também teremos audiodescrição na estréia do Candoco Dance Company, no Teatro Alpha. Haja fôlego!

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