Música Segunda estreou ontem com audiodescrição, uma praxe do Teatro VIVO

A partir de hoje, Leonardo Medeiros e Helena Ranaldi interpretam o espetáculo A Música Segunda, de Marguerite Duras (1914-1996). Juntos, interpretaram o conflitante casal Elias e Dedina, na novela "A Favorita", da Globo. O sucesso da dupla na trama foi levado aos palcos no Rio e, agora, virá para São Paulo, no Teatro Vivo.

Leonardo Medeiros e Helena Ranaldi em A Música Segunda

Leonardo e Helena vivem um casal que se reencontra no hall de um hotel de uma cidade francesa após três anos de separação. Durante o tempo em que estiveram casados, viveram uma paixão intensa e ao mesmo tempo destrutiva. "São duas pessoas que se amaram profundamente, mas mesmo assim não conseguem conviver", conta Leonardo.

Na opinião de Helena, é possível que duas pessoas se amem e não consigam ficar juntas. "Uma relação não acontece sem amor, mas é preciso compatibilidade em diversas áreas", fala a atriz.

Para enriquecer o texto, baseado em gestos, olhares e intenções, o diretor José Possi também traz a participação de dois bailarinos às cenas. "Eles (bailarinos) são os reflexos dos personagens e representam o sentimento deles", explica Helena.

Serviço

A Música Segunda. Teatro Vivo: Av. Dr. Chucri Zaidan, 860. Tel. (011) 2626-0867. De hoje a 13/12. Sex., às 21h30. Sáb., às 21h, e dom. às 19h. R$ 40 (sex. e dom.); R$ 50.

Possi trabalha com o não-dito da dança em A Música Segunda

Pode-se definir José Possi Neto não como um diretor de teatro, mas de artes cênicas. Dirige peças, balés, óperas e musicais. Evidentemente esse trânsito entre linguagens contagia todas as suas criações, ora de forma sutil, só perceptível para olhares atentos, ora explicitamente, por exemplo, no espetáculos chamados dança-teatro. Pois em A Música Segunda, criado a partir do texto homônimo de Marguerite Duras, uma autora pela qual se apaixonou ao primeiro conto lido, "O Deslumbramento", Possi promete radicalizar no manejo de linguagens ao colocar ora em diálogo, ora em atrito, a abstração da dança com a fisicalidade das ações e diálogos teatrais.

No palco do Teatro Vivo, onde A Música Segunda estreia sábado (10) para o público, além dos atores Helena Ranaldi e Leonardo Medeiros – eles vivem um casal que se reencontra três anos depois de se terem separado para assinar o divórcio, no saguão de um hotel, e ali, durante uma única noite, fazem um acerto de contas – Possi colocou no palco a dupla de bailarinos Leonardo Hoehne Polato e Ana Luisa Seelaender.

Não é presença aleatória. "Sinto que existe um plano refletido nessa peça e busco trazê-lo à tona. É um plano de sonhos e desejos, meio irreal, refletido não num espelho plano, mas desses que mudam a imagem", diz Possi. A origem de tal inspiração são as rubricas (indicações de estado de espírito ou ação) da autora. "São impossíveis, insuportáveis para a direção", enfatiza Possi.

A leitura do texto confirma que não se trata de exagero. Por exemplo, num momento do intenso e emocionado diálogo travado entre o casal, ela diz – "só acontece uma vez na vida, você não acha?" -, ele pergunta – "o quê?". Aí a autora escreve na rubrica: a resposta "deveria" ser "um amor assim". Mas a personagem fala: "m inferno assim". "As indicações dela merecem ser lidas inteiras. O subtexto é quase outro texto “.

Possi, obviamente, não se preocupa em ser "literal" a esse subtexto na coreografia dos bailarinos. Ora essa duplicação de imagens se complementa, até refletem nas mesmas ações e intenções, ora se atritam. "Não quero ser didático, a materialização das rubricas é poética." Tal construção é compartilhada por toda a equipe técnica. A cenografia, de Jean-Pierre Tortil, remete à uma espécie de ringue onde o embate do casal se dá, mas também trabalha com transparências seguindo essa linha de afetos que transbordam o consciente. "Esse casal viveu uma separação catastrófica." O diretor enfatiza que a dupla de atores dá conta da intensidade pedida. "Leonardo é o tipo um ator que questiona a direção o tempo todo e enriquece o processo. Helena tem tal entrega que as pessoas se surpreendem – esse olhar glacial é mesmo dela?"

SERVIÇO:

A Música Segunda: 80 min. 14 anos. Teatro Vivo. Av. Dr. Chucri Zaidan, 860, 3188-4147. 6.ª, 21h30; sáb., 21 h; dom., 19 h. R$ 40/R$ 50. Até 13/12.(AE)

Fonte: Cruzeiro do Sul

na Ranaldi e Leonardo Medeiros estrelam A Música Segunda, espetáculo de Marguerite Duras que mostra a busca por um amor comedido

Escrita pela autora francesa Marguerite Duras, A Música Segunda retrata o reencontro de um casal, interpretado na montagem nacional por Helena Ranaldi e Leonardo Medeiros, depois de três anos de separação. Durante o casamento, eles viveram uma paixão fulminante, perigosa, destrutiva e doentia.

Nesse encontro, em um hall de um hotel francês, eles tentam se comunicar, mas sem se ferir. São duas feras domadas, querem se tocar, mas não conseguem. No palco, é possível notar que essa mulher e esse homem se separaram não por falta de amor, mas por excesso. E que ainda se desejam, mas demonstram o contrário. Assim, o emblema desse encontro é "vamos amar menos".

Marguerite Duras morreu, em 1996, um ano após a estreia de A Música Segunda num palco francês. A montagem brasileira do espetáculo tem direção de José Possi Neto e conta com dois bailarinos, além dos dois atores.

Fonte: Guia da Semana

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