Universidade de São Paulo Terá Curso, Latu-Senso, De Audiodescrição

Mercado começa a descobrir a audiodescrição

Tecnologia presente nos Estados Unidos e Europa desde a década de 80, a audiodescrição ainda é recurso raro no circuito comercial de cinemas e teatros do País.
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O Teatro Vivo, em São Paulo, é o primeiro teatro brasileiro a lançar esse tipo de serviço, e oferece desde 2007 o acesso à audiodescrição por fones. Pelo Instituto Vivo, três turmas de audiodescritores já foram formados no curso voluntário de 46 horas.

No mercado fonográfico, dois DVDs podem ser encontrados em lojas com o recurso para deficientes visuais – O Ensaio sobre a cegueira (2008) , adaptação do best-seller do português José Saramago com direção do brasileiro Fernando Meirelles, e o nacional Irmãos de Fé (2005), com o padre Marcelo Rossi.

Sob a tutela da Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência do Estado, um grupo de estudiosos elabora o currículo para um curso de especialização latu-sensu que deve entrar na grade da Faculdade de Educação da USP (Universidade de São Paulo), que terá a Prof. Dra. Lívia Motta como uma das docentes.

"Qualquer um pode se tornar um audiodescritor, não há pré-requisitos", diz a professora. O único cuidado, ela reforça, é ter dedicação integral. "Quanto mais o audiodescritor estuda o espetáculo que vai narrar, melhor fica. Ele se acostuma a impostar a voz de forma linear, com leves alterações".

Marly Fernanda Nunes, 30 anos, audiodescritora e analista de processos da Vivo, completa: "Os deficientes têm um senso apurado de som. Se errar direções, como direita e esquerda, eles percebem". A curiosidade de narrar o mundo como ela conhece a levou a fazer o curso. "Detalhes que passam despercebidos fazem toda a diferença. Se é dia ou noite, a cor, a textura dos objetos, tudo enriquece o universo de quem está escutando", ensina Marly.

Além disso, o Centro Cultural São Paulo treinou seus funcionários e oferece o recurso a deficientes visuais em sua programação.

Fora da capital, o Teatro Amazonas, em Manaus, conta com uma cabine fixa de audiodescrição e foi o primeiro local usado para o teste dos equipamentos para a ópera Cavalleria Rusticana. "No circuito de cinemas, no entanto, ainda não há salas com o recurso. Algumas sessões são realizadas com audiodescrição, mas só esporadicamente", explica a professora, na área desde 2005.

FERNANDA BRAMBILLA, fernanda.brambilla@grupoestado.com.br

Fonte: Jornal da Tarde

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