Carlos Ferrari comenta sua primeira vez, no Teatro VIVO.

Carlos Ferrari, vice-presidente da AVAPE, mestre em Administração de Empresas pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS) e pós-graduado em Marketing pela Fundação Cásper Líbero, comenta sua experiência após ter assistido a peça Vestido de Noiva com audiodescrição, no Teatro Vivo.

Teatro, Rock and Roll, cinema, cerveja gelada. Ambientes e desejos improváveis para aqueles que compõem a maioria que compreendem pessoas com deficiências como um público longe da normalidade. Pessoas em busca de um milagre ou da sabedoria, da perfeição ou da constante superação, em tese não demandariam tais futilidades. Felizmente a realidade não é essa.

No último dia dezenove, estive no Teatro VIVO com minha esposa e pude praticar o exercício pleno de cidadania, com apoio de um projeto sólido e contradizendo qualquer estigma histórico.

A peça era Vestido de Noiva de Nelson Rodrigues. Audiodescrição, Libras, Material em Braille e ampliado, além de um espaço físico totalmente acessível, mostravam um Brasil novo. Um Brasil onde pessoas com deficiência podem exercer a cidadania para além de uma luta pela cultura, de um espaço no banco escolar ou de um benefício governamental. A cidadania ali era uma experiência de lazer. Recebi na entrada um livreto em Braille que descrevia todas as informações inerentes à peça. Por meio de um fone de ouvido todas as informações visuais pertinentes ao espetáculo eram narradas e pela primeira vez em quinze anos com minha esposa ela não precisou descrever o que ocorria durante a apresentação.

Leandra Leal, Marcelo Antony, Alaíde, Lúcia, atores e personagens, tomaram vidas pelas descrições de seus figurinos e ações, brilhantemente realizadas pela equipe responsável pela audiodescrição. Dali fomos a um bar assistir Raul Seixas cover. Após muitos anos, eu, cego, pude discutir com minha esposa, sem deficiência, minha visão sobre o espetáculo com riqueza de detalhes. Fiz críticas, tratamos da vestimenta, enfim trocamos opiniões sobre nossas visões da peça que acabávamos de assistir.

Depois desse evento, como amante da noite paulistana, fiquei pensando: quanto nossos bares, teatros, parques e cinemas poderiam se adequar?

A cidadania em parte garantida por leis para pessoas com deficiência, poderia na balada, na noite, no mundo do entretenimento, ser assegurada pelo bom senso. Os donos dos espaços alimentados pela arte, pela criatividade, pelo novo, poderiam inovar, garantindo direitos e dignidade a um público ávido de bom atendimento.

É óbvio que faz-se necessário respeitar as leis para que isso se efetive. Mas, que bom seria se os provedores do lazer se inspirassem em experiências tão bem sucedidas como a do Teatro VIVO. Sem trocadilhos ou qualquer pretensão de construir frases de efeito, não tenho dúvidas em afirmar que VIVO é quem respeita a diversidade!

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