Direito Inegociável: por Elizabet Sá

Interessante notar que, no caso da inclusão escolar, muitos dizem que não é possível porque as escolas não estão preparadas, os professores não estão preparados e existem pais e pessoas com deficiência que não querem estudar em escolas comuns. Neste caso, a questão do direito inegociável é desconsiderada ou relegada.

A luta pelo livro acessível passa pelo mesmo viés: as editoras alegam que não estão preparadas… Mais uma vez, o direito inegociável é protelado.

De fato, as escolas e os professores não estão preparados e jamais estarão com os escolares com deficiência do lado de fora. A escola para todos é um direito inegociável.

Existem livros excelentes e péssimos livros. Mas, é preciso ler para saber o que presta e o que não presta. O direito inegociável à leitura é sagrado.

Quanto à audiodescrição, os argumentos não são muito diferentes e mais um direito inegociável vai pro ralo…

Dizem que muitos cegos não querem a audiodescrição. Muitos cegos resistiram ao computador e, depois, descobriram que não conseguem trabalhar sem ele. Muitos cegos não vão ao cinema porque o filme é inacessível. Não se trata de saber quem nasceu primeiro: o ovo ou a galinha? É preciso assegurar e praticar a audiodescrição porque este é um direito inegociável, com qualidade ou sem qualidade do produto. É a partir da garantia do direito que se constroem as soluções, as competências, os aprimoramentos, os novos conhecimentos e a cultura da audiodescrição ampla, geral e irrestrita.

A audiodescrição é uma inovação e as pessoas cegas só vão saber se a qualidade é boa ou sofrível se houver uma cultura de audiodescrição na TV, no cinema, no teatro, em espetáculos, na escola e em todos os espaços nos quais existam imagens visuais. Trata-se de um direito no campo da acessibilidade. Portanto, é um direito inengociável.

Elizabet sá
psicóloga e Educadora

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