Feedback de Laercio Sant’Anna para a apresentação da ópera Pagliacci

Na última quarta-feira (11/11) às 20:30, as cortinas do Teatro São Pedro se abriram para trazer ao público paulista a ópera mais famosa do compositor italiano napolitano Ruggiero Leoncavallo Pagliacci. Escrita em 1892, segundo o libreto que recebi escrito em um ótimo Braille, quando tive a satisfação de assistir à este espetáculo, é um dos mais significativos exemplos do Verismo, corrente estética italiana que busca levar ao palco a realidade do cidadão comum.

Baseada em uma trágica experiência vivida pelo compositor em sua infância, Pagliacci conta a história de uma companhia de teatro mambembe que se prepara para uma apresentação numa pequena cidade do interior da Itália.

Pagliacci é uma produção do Governo do Estado de S. Paulo, em co-produção com a APAA – Associação Paulista dos Amigos da Arte.

Na verdade, tudo que escrevi acima não teria nada de extraordinário se não fosse o fato de que o espetáculo conta com audiodescrição para as pessoas com deficiência visual, por meio de uma parceria com o Instituto VIVO.

Esta foi a segunda vez que tive o prazer de assistir a uma ópera com audiodescrição. Receber as informações em Braille, e ter a audiodescrição fizeram toda a diferença na sua compreensão. Quando o espetáculo estava se aproximando do final onde acontecem os principais momentos de tensão, que já sabia por ter lido a sinopse, a adrenalina foi subindo, e graças a toda acessibilidade oferecida, saí do teatro realizado.

Estudei em conservatório durante muitos anos, já fui professor de violão, a música é algo que sempre teve grande importância em minha vida, mas, sinceramente, até a minha primeira visita ao teatro São Pedro, quando assisti Cavalleria Rusticana, também com audiodescrição, não imaginava que poderia apreciar tanto uma ópera.

A audiodescrição foi maravilhosa! O Wagner e a Milena, me desculpe se não grafo corretamente os nomes dos locutores da audiodescrição, estavam tão bem ensaiados quanto os cantores e a orquestra. O roteiro da audiodescrição foi muito bem planejado, estratégicamente prevendo algumas antecipações de cenas e, Em outros momentos, aguardando que o canto desse uma brecha para descrevê-las, de modo que tanto pude compreender os elementos visuais da apresentação, como também pude apreciar a performance dos cantores e da orquestra.

Eu não tive oportunidade de perguntar para a Dra. Lívia (a responsável pela audiodescrição) se houve alguma modificação de forma ou localização da cabine para os audiodescritores. Quero chamar a atenção para o fato de que, ddesta vez, não percebi interferência do som do palco ou da orquestra nos microfones dos lucutores da audiodescrição. Em Cavalleria Rusticana, em alguns momentos ouvia a voz dos audiodescritores, a voz dos cantores e o som da orquestra pelos fones de ouvido, prejudicando um pouco o entendimento tanto da ópera quanto da audiodescrição. Relatei este problema na apresentação anterior, mas também é preciso considerar que, em Cavalleria Rusticana, havia uma orquestra completa, enquanto que, em Pagliacci, o acompanhamento foi feito por uma pequena orquestra de câmara, o que certamente deve ter ajudado. Parabéns a todos, e assim vamos construindo e ajustando os modelos para a audiodescrição em todos os tipos de eventos.

Para não me alongar de mais, quero dizer que só tenho elogios ao espetáculo e ao show de acessibilidade. Posso garantir para quem não pôde assistir Pagliacci que perdeu uma grande oportunidade de viver uma experiência maravilhosa.

Laercio Sant’Anna

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