Lula, O Filho do Brasil: Falta de Acessibilidade Causa Constrangimento na ABertura do Festival de Cinema de Brasília

O início da sessão foi marcado pela reclamação de representantes do governo do Distrito Federal pelas restrições da produtora do filme. O diretor Fábio Barreto não permitiu que o filme fosse liberado antes para a inclusão de legendas para os deficientes auditivos nem adaptado com a audiodescrição para os cegos.

Lula, O Filho do Brasil

Sem a presença do protagonista, o filme "Lula, o Filho do Brasil" estreia na noite de hoje na abertura do 42º Festival de Cinema de Brasília. O filme que conta parte da vida do presidente Luiz Inácio Lula da Silva será acompanhado apenas pela primeira-dama Marisa Letícia.

Segundo o ministro Paulo Bernardo (Planejamento), o presidente prefere assistir o filme numa exibição reservada aos familiares.

O ministro disse que já teve a oportunidade de assistir a história ainda na fase de finalização e que foi preciso uma rebelião da parte dos ministros para que fossem liberados para sessão desta noite.

O presidente coordenava no início da noite uma reunião sobre PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) na área de rodovias. "É emocionante. A história do presidente Lula é fantástica. Agora, tivemos que fazer uma rebelião. O homem [Lula] queria fazer reunião até o fim da noite", disse.

Paulo Bernardo rebateu as críticas da oposição que acusam o uso político da imagem do presidente com a divulgação da obra às vésperas de ano eleitoral. O ministro desafiou a oposição a lançar um filme contando a vida de algum líder oposicionista. "Não tem nada ilegal ou irregular nisso. Eles também que façam um filme. Se procurar, acham alguma história interessante", afirmou.

O presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), reforçou a defesa de Lula e provocou os oposicionistas a contarem a vida do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

O presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores), Arthur Henrique, reconheceu, no entanto, que o filme pode ter impacto nas eleições de 2010. "Influência indiretamente porque sensibiliza e mostra a imagem e a vida de um lutador", afirmou.

A CUT e outras centrais sindicais fizeram um acordo com a distribuidora do filme para vender ingressos antecipados entre 20 de novembro e 30 de dezembro a preços populares –R$ 5 o ingresso.

Polêmica

O início da sessão também foi marcado pela reclamação de representantes do governo do Distrito Federal pelas restrições da produtora do filme. O diretor Fábio Barreto não permitiu que o filme fosse liberado antes para a inclusão de legendas para os deficientes auditivos nem adaptado com a audiodescrição para os cegos.

Com orçamento de aproximadamente R$ 12 milhões, "Lula, o Filho do Brasil" é o filme mais caro da história do cinema brasileiro e será exibido em quase 400 salas no Brasil. A estreia nacional do filme está prevista para o dia 1º de janeiro, mas hoje ele terá sua pré-estreia no Festival Internacional de Cinema de Brasília –apenas para convidados.

Dirigido por Fábio Barreto e estrelado por Rui Ricardo Diaz, Glória Pires, Cléo Pires, Juliana Baroni e Milhem Cortaz, "Lula, o Filho do Brasil" não participará da Mostra Competitiva do festival.

Segundo produtores, serão realizadas exibições especiais para comunidades pobres de grandes cidades e localidades da zona rural onde não há cinemas. O filme conta a história de Lula desde seu nascimento, em 1945, no sertão de Pernambuco, até sua consagração como líder sindical, em 1980, no ABC paulista.

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