Workshop Sobre Acessibilidade Na Produção teatral Brasileira

Como parte da programação do 7º Festival Intercâmbio de Linguagens (FIL), que ocorreu de 2 a 12 de julho no Rio de Janeiro e de 7 a 12 de julho em São Paulo, a Mais Diferenças – ONG voltada para a educação e inclusão social de pessoas com deficiência – promoveu um workshop sobre a acessibilidade na produção teatral brasileira.

No dia 3 de julho, no Rio de Janeiro, um dos coordenadores da Mais Diferenças, Luis Mauch, junto com o músico Marcelo Yuka e a especialista em acessibilidade Lêda Spelta, debateram o tema ‘Reflexões sobre a produção teatral acessível para pessoas com deficiência’, no Teatro do Jockey – Centro de Referência Cultura e Infância.

Os participantes enfatizaram a importância de se ampliar o acesso das casas de espetáculos culturais para possibilitar a inclusão de pessoas com deficiência.

Mediador da mesa-redonda entre os participantes, Luis Mauch ressaltou que se os espaços forem transformados, a deficiência ‘deixará de existir’.

"O conceito de deficiência é o de uma limitação funcional, porém, ao se adaptar à deficiência, o ambiente passa a permitir o acesso de todos, fazendo com que desapareça qualquer tipo de limitação", explica Mauch. "Na verdade, o conceito é erroneamente ligado à pessoa, quando é o ambiente que deveria deixar de ser limitado para propiciar a acessibilidade de qualquer pessoa".

Para o músico Marcelo Yuka, ex-integrante da banda O Rappa que se tornou paraplégico após ser baleado por um assaltante no Rio de Janeiro, a questão da não acessibilidade é endêmica à cultura brasileira e a outras culturas no mundo. "Como músico e espectador, eu tenho a possibilidade de estar nos dois lados do espetáculo e, por isso, identificar problemas em ambas as esferas", afirmou Yuka. "A arquitetura brasileira, de forma geral, é muito elogiada no mundo inteiro, mas ainda há uma predominância da visão econômica, que acredita que só deve ter acesso aquele que produz e gera dinheiro, considerando idosos e deficientes como excluídos desse grupo, o que é um erro", completou.

A especialista Lêda Spelta pôde contribuir com o debate compartilhando sua experiência técnica com o tema. Lêda enfatizou a importância da audiodescrição e da capacidade profissional dos audiodescritores para que a acessibilidade seja completa. "Tudo que a compreensão natural seria obtida pela visão tem de ser substituído pela audiodescrição, seja com recursos óbvios ou muito sutis, de forma cirurgicamente colocada no intervalo entre os diálogos", salienta. Para finalizar, Lêda cobrou do governo a falta de apoio para incluir a audiodescrição nos canais de televisão. "Esperamos que, após um ano da assinatura da Convenção da ONU pelos Direitos da Pessoa com Deficiência, as coisas comecem a mudar. Na hora de pagar impostos, pessoas com ou sem deficiência pagam igual, nem mais, nem menos. Portanto, os direitos também devem ser iguais e não é o que tem ocorrido".

A supervisora e coordenadora do "Na Luta", Beatriz Pinto Monteiro, prestigiou o evento e confessou ter tido informações sobre audiodescrição que desconhecia.

Fonte: NA LUTA – MOVIMENTO SUPERAÇÃO

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