Responsabilidade social corporativa. Será?

Jornais, revistas, rádio, televisão, todos os meios de comunicação têm falado com freqüência sobre essa tal de responsabilidade social das empresas. Difícil ficarmos um dia sequer sem nos depararmos com o anúncio de alguma grande corporação que procura nos passar uma imagem de empresa preocupada com questões sociais, culturais, ambientais,…

Algumas são realmente sinceras e desenvolvem projetos muito interessantes, enquanto outras gastam muito mais em campanhas publicitárias que visam unicamente nos fazer vê-las como socialmente responsáveis, do que efetivamente gastam em projetos sociais. Algumas se dedicam ao desenvolvimento desses projetos espontaneamente, outras nem tanto.

Já é comum vermos no caderno de empregos dos jornais de domingo anúncios de empresas divulgando vagas específicas para pessoas com deficiência física, visual, auditiva, mental, como se efetivamente acreditassem na capacidade e no potencial dessas pessoas, mas o que não se diz nesses anúncios é que muitas delas só o estão fazendo porque foram intimadas pelas Delegacias Regionais do Trabalho a cumprirem a Lei de Cotas, que obriga as empresas com mais de 100 empregados a contratar um determinado percentual de funcionários com deficiência e estabelece multas relativamente pesadas para quem não cumprir essa obrigação.

Nos supermercados já é possível encontrar diversos produtos com inscrições em Braile, o sistema de escrita das pessoas cegas, mas o que poucos percebem e sabem é que os pontos que formam aquelas inscrições são facilmente visíveis para quem enxerga, mas totalmente ilegíveis por quem os lê com as pontas dos dedos: ou porque são pequenos demais para não encobrir a marca do fabricante, ou porque são muito pouco salientes para não dificultar a leitura das informações escritas à tinta para os clientes sem deficiência.

Mais recentemente, vimos diversas agências bancárias reformando suas instalações substituindo degraus por rampas para facilitar o acesso de quem tem problemas de locomoção, alargando portas e rebaixando a altura dos balcões dos caixas para permitir o atendimento de pessoas em cadeiras de rodas, colocando pisos com textura diferenciada para orientação de clientes cegos, telefones com teclados para uso por clientes surdos, instalando caixas eletrônicos que permitem seu uso por pessoas com ou sem deficiência. O que a maioria dos clientes não sabem é que, em dezembro de 2004 venceu o prazo dado por uma Resolução do Banco Central para que essas adaptações estivessem concluídas em todas as agências, mas que só agora os bancos começam a fazer, talvez porque penssassem que não era para valer…

Bem, mas o que importa é que por vontade própria, ou por imposição das leis, ou por pressão da sociedade, ou apenas para passar a imagem de empresa socialmente responsável, essas mudanças começam a acontecer, e eu começo a acreditar em um mundo mais saudável, mais humano e mais justo para todos nós, cidadãos e consumidores com ou sem deficiência.

Paulo Romeu

Nota do Blog:

Escrevi este artigo em 2005 para o Jornal da AME.

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