Audiodescrição em espetáculos de teatro para deficientes visuais

Este é um dos trabalhos desenvolvidos pelo Grupo Lead, que tem como objetivo a acessibilidade.

O Grupo Lead – Legendagem e Audiodescrição da Universidade Estadual do Ceará vem desenvolvendo o projeto de tradução audiovisual e acessibilidade às mídias audiovisuais, que consiste na legendagem fechada para surdos (LFS) e audiodescrição (AD) para deficientes visuais. A coordenadora do projeto é a professora Vera Lúcia Santiago.

A pesquisa do grupo em LFS vem sendo desenvolvida desde o ano 2000, enquanto a pesquisa em AD iniciou-se em 2008. Começaram projetos com longas e curta-metragens, que foram exibidos com o recurso LFS (uma legenda oculta que corresponde a tradução, em língua portuguesa, dos diálogos, efeitos sonoros, sons do ambiente e demais informações que não poderiam ser compreendidas por surdos) já no caso da AD, trata-se da narração, em língua portuguesa, adicionada ao som original da produção, destinada a descrever imagens, sons, textos, e demais informações que não poderiam ser compreendidas por deficientes visuais. A tradução é colocada entre os diálogos e não interfere nos efeitos sonoros.

No que diz respeito a teatro, o grupo fez sua primeira audiodescrição do espetáculo Astigmatismo (espetáculo de conclusão do CPBT do TJA em 2008) sendo a primeira peça de teatro acessível ao público deficiente visual do Ceará. O processo de audiodescrição do espetáculo foi realizada em quatro etapas segundo Klístenes Braga (integrante do grupo LEAD): a princípio gravamos um ensaio em vídeo e, em seguida, assistimos ao vídeo, definimos as imagens a serem descritas, identificamos os espaços de inserção da narração e elaboramos o roteiro. Depois testamos o roteiro com um espectador cego e ajustamos as expressões e o conteúdo mais adequados à compreensão dele. Finalmente, realizamos um último teste antes da sessão audiodescrita e acertamos o texto do roteiro conforme o ritmo do espetáculo, observando deixas e marcações.

O roteiro foi elaborado com o auxílio do programa Subtitle workshop. O audiodescritor descreveu simultaneamente as imagens através de equipamentos radiofônicos durante a peça. Ao final, colhemos as opiniões de alguns espectadores cegos no local, os quais avaliaram a experiência como positiva.

Outros espetáculos passaram pelo processo de audiodescrição entre eles Magnopirol: Um Corpo na loucura, da Cia Argumento, Curral Grande, do CAD Curso de Arte Dramática da UFC, A Vaca Lelé, do Grupo Bandeira das Artes, primeiro espetáculo infantil acessível para crianças com deficiência visual e Tudo que eu queria te dizer, da Cia. Lai-tu de Teatro.

O grupo LEAD vem realizando um trabalho de extrema competência e dedicação no nosso estado, um exemplo a ser seguido, numa época em que muito se fala em inclusão, acessibilidade, mas que ainda tem muito a ser feito para que pessoas portadoras de deficiências possam usufruir mais de espaços culturais.

Yuri Yamamoto

Fonte: O Povo Online

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