Cinema com audiodescrição: se liga Brasil!

Em diversos países, a exibição de filmes com audiodescrição nos cinemas já se tornou algo comum e regular.

Na Inglaterra, um dos países que mais tem investido na audiodescrição no teatro, na televisão e no cinema, o governo está subsidiando a substituição dos projetores analógicos por digitais nas salas de cinema, e uma das condições para o financiamento é que o proprietário da sala se comprometa a programar uma determinada quantidade de sessões semanais com todos os recursos de acessibilidade para pessoas com deficiência, entre eles a audiodescrição para as pessoas cegas e legendas para pessoas surdas.

A audiodescrição de filmes também já começa a acontecer no Brasil, apesar de ainda timidamente…

Os Festivais de Gramado, os Festivais Assim vivemos, as apresentações do Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro e São Paulo, os Festivais de Cinema de Brasília, as exibições do Centro cultural de São Paulo , as Mostras de Cinema de Direitos Humanos da SEDH e os Dia da Animação em diversas cidades de todo o país , são alguns exemplos de ocasiões em que uma pessoa com deficiência pode ir ao cinema com a certeza de que participará e vai apreciar a apresentação dos filmes em igualdade de condições com as pessoas sem deficiência, o que significa compreender a obra sem o receio de se perder no enredo por causa das cenas sem diálogos, ou de ser chamado a atenção pelos demais espectadores porque seu acompanhante está sussurrando em seu ouvido para lhe explicar alguma cena que exige o sentido da visão para que possa ser compreendida.

As salas de cinema com projetores digitais ainda são minoria no Brasil. Apesar da discussão sobre a qualidade da imagem ser melhor na telona analógica do que na telona digital, não há dúvida de que o digital é a tecnologia que vai predominar no futuro bastante próximo. Bom para quem gosta e precisa da audiodescrição, porque o formato digital permite que a locução audiodescritiva seja gravada junto com o filme e transmitida por fones de ouvido sem fio, de modo que será ouvida somente pelos espectadores que os usarem.

Mas a audiodescrição também pode ser feita em salas de cinema com projetores de película, a única diferença é que, neste caso, o narrador da audiodescrição precisa estar presente porque a transmissão terá de ser ao vivo. Recentemente, o CINE SESC de São Paulo apresentou três filmes desta forma, veja no blog do Leo Rossi o post em que ele descreve como realizou esse trabalho, e veja também no Canal da Iguale no Youtube o vídeo que gravaram durante a apresentação de "O Contador de Histórias".

Se liga Brasil!

Na Inglaterra, Estados Unidos, Canadá, Espanha, Alemanha, Japão, Austrália,…, …, …, ninguém mais estranha ao ver pessoas usando fones de ouvido nas salas de cinema. Um país que pretende colocar-se ao lado das maiores potências econômicas do mundo não pode continuar alijando as pessoas com deficiência de seu direito à cultura como fazem os países do terceiro mundo…

Paulo Romeu

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