Audiodescrição é discutida em encontro da Central Única dos Trabalhadores

A estratégia da CUT e os trabalhadores com deficiência foi tema do primeiro debate da tarde, que contou com a presença de Expedito Solaney, secretário nacional de Políticas Sociais da CUT que ao lado do Coletivo, fez o lançamento oficial da Campanha Nacional em Defesa dos Direitos dos Trabalhadores e Trabalhadoras com Deficiência. Também presentes à mesa, o coordenador nacional do Coletivo de Trabalhadores/as com Deficiência/CUT, Flávio Henrique; Isaías Dias, vice-presidente do Conselho Nacional da Pessoa com Deficiência (CONADE) e coordenador do Coletivo de Trabalhadores/as com Deficiência da CUT/SP e de Luiz Soares da Cruz, assessor de Políticas das Pessoas com Deficiência da Prefeitura de São Bernardo do Campo/SP.

Em uma demonstração natural de inclusão, Flávio Henrique, que é deficiente visual, informou às pessoas com a mesma deficiência, sua localização: "estou bem do lado direito da mesa", avisou sem o uso do microfone. O mesmo fez às pessoas com deficiência auditiva: ao usar o microfone tomou o cuidado de não direcioná-lo à frente da boca, para que pudessem acompanhá-lo por leitura labial.

Flávio iniciou dizendo que a CUT é a primeira central e a única até agora que está organizando este debate e isso tem contribuído para os avanços que o segmento tem obtido. "Tivemos importantes conquistas, como a lei de cotas, a ratificação pelo Brasil da Convenção da ONU sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência, mas ainda é pouco. Para avançarmos ainda mais, precisamos fortalecer este debate na CUT e para isso é necessário ampliar a organização dos coletivos de trabalhadores com deficiência nos estados e nos ramos".

Segundo dados do IBGE, as pessoas com deficiência representam 14,5% da população brasileira, sendo que a maior concentração está nos estados do Nordeste. Porém, no mundo do trabalho, esses números não são conhecidos. "Para que a organização dos trabalhadores com deficiência seja efetiva, precisamos conhecê-los, ou seja, saber quantos são, onde estão – na fábrica, no campo etc. – como vivem, se estão sendo incluídos em seu trabalho, se os empregadores estão cumprindo com os direitos", esclarece Flávio.

Outro avanço importante é a presença da CUT no CONADE, espaço em que a Central tem papel de destaque, sendo o único Conselho onde ocupa a vice-presidência, representada pelo companheiro Isaias Dias. A CUT também aderiu à Campanha de Acessibilidade "Siga essa Idéia", organizada pelo CONADE, lançada em 2009. A Central assinou um termo de adesão, visando contribuir para o desenvolvimento de programas de acesso das pessoas com deficiência e divulgar os propósitos da campanha.

O vice-presidente do CONADE, reafirmou a importância da CUT nessas ações e sua atuação junto aos movimentos sociais. "Temos ocupado vários espaços, levando nossa pauta a diversos fóruns de construção de políticas públicas, como na Conferência Nacional de Comunicação, onde há uma série de pontos que envolvem acesso à informação, como a implantação de audiodescrição para cegos e janela de intérpretes de libras pelas emissoras de televisão, informática e internet, entre outros. Isso deve se estender a outros espaços, já que esta luta não deve estar descolada de nossas lutas gerais. Temos que ocupar os conselhos, conferências e levar nossas propostas, afinal, estamos presentes em todos os segmentos da sociedade".

Flávio e Isaías destacam que isso tem estar na cultura de nosso dia-a-dia e esta dificuldade está inclusive em algumas pessoas com deficiência. "Infelizmente a cultura é contrária até mesmo para alguns deficientes e para suas famílias, que muitas vezes, por desconhecerem seus direitos e induzidos pela cultura dominante da exclusão, acham, por exemplo, que o empregador é bonzinho por tê-lo contratado".

Luiz Soares, que apresentou alguns dados de estudos desenvolvidos no ABC, concorda, dizendo que todas as ações sociais estão ligadas ao trabalho, portanto, não é possível pensar políticas sociais sem pensar nas questões do trabalho.

Nota do Blog:

O encontro também discutiu questões como a homofobia, o direito das mulheres e dos trabalhadores.

Leia a íntegra do relato no site da CUT.

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