Barreiras para o acesso de pessoas com deficiência na Web e na televisão

Alguns impedimentos muito comuns para pessoas com deficiência: falta de rampas e vagas exclusivas no estacionamento, existência de obstáculos no meio do caminho, ausência de sinalização adequada para evitar acidentes no percurso. Alguns destes problemas do mundo físico saem do ar na internet. E, embora a web também apresente algumas barreiras para o acesso de pessoas com deficiência, ela vem se demonstrando como uma ferramenta importante para divulgar ideias e projetos destinados a esse público.

Andrei Bastos fala sobre barreiras para o acesso de pessoas com deficiência

Paulo Romeu estudava engenharia química quando sofreu um acidente e perdeu a visão, há cerca de 30 anos. Sem os recursos tecnológicos que julgava necessários para continuar na carreira, trocou de curso e se tornou analista de sistemas. Em 2004, quando participava de um grupo de trabalho na Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), com objetivo de elaborar uma norma de acessibilidade para televisão, conheceu a audiodescrição.

O recurso é empregado há mais tempo nos EUA, Japão e Europa, com maior popularidade do que no Brasil. tem por objetivo eliminar barreiras para o acesso de programas veiculados na televisão e consiste na descrição de todas as informações que compreendemos visualmente, mas não estão contidas nos diálogos de filmes, seriados e telejornais, por exemplo. Entre elas, expressões faciais, corporais, dados sobre o ambiente, figurinos, efeitos especiais, mudanças de tempo e espaço. Isso é feito sem se sobrepor ao conteúdo relevante do programa, como as falas de entrevistados ou personagens.

"É essencial para que pessoas com vários tipos de deficiência possam melhor compreender os programas de televisão, peças de teatro, filmes em cinemas e demais produtos audiovisuais", diz Romeu.

O analista de sistemas lamenta a lentidão com que a audiodescrição vem sendo implantada no país. Por meio do blog que criou, em setembro de 2009, ele espera disseminar a importância do serviço e acelerar esse processo. Todo dia, envia novidades a respeito do assunto para os leitores.

"Nossas demandas não são melhor atendidas por causa dos blogs, mas eles com certeza ajudam a divulgar informações raramente publicadas na grande mídia, ou em geral transmitidas com distorções", destaca.

Acessibilidade poderia ser maior

Com a finalidade de "contar histórias e discutir questões de cidadania e inclusão social", o jornalista Andrei Bastos (que aparece na foto nesta reportagem) mantém seu blog desde outubro de 2006. Ele precisou amputar uma perna em 2003, quando houve reincidência de um câncer na tíbia, diagnosticado pela primeira vez em 1999.

Bastos, que integra a Comissão dos Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil do Rio de Janeiro (OAB-RJ), chama a atenção para o fato de a internet ser uma verdadeira porta de entrada do mundo para pessoas com todo tipo de deficiência. Sites de compras e serviços bancários entram na lista daqueles que aumentam a agilidade do acesso ao serviço, principalmente para quem tem mobilidade reduzida, como ele.

Todavia, o jornalista acredita que a acessibilidade das páginas virtuais poderia ser ainda maior.

"A quantidade de barreiras para o acesso de pessoas com deficiência na web ainda é muito grande. É preciso que seus ocupantes se conscientizem de que é necessário promover a inclusão no mundo virtual. As ferramentas para isso estão à disposição e não representam elevação de custos ou prejuízos estéticos. Ao contrário, os parâmetros de acessibilidade, mais racionais, até oferecem maior efetividade na comunicação", afirma.

Romeu concorda: "O que precisa melhorar não é a internet em si, mas a conscientização de quem desenvolve conteúdo para a rede, a respeito das nossas dificuldades. Infelizmente, ainda existem faculdades e outros cursos de formação que não incluíram disciplinas específicas de acessibilidade no currículo", diz.

Fonte: Vida Mais Livre

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