Mara Gabrille: Derrubando Barreiras pela informação

Você já imaginou algum momento da sua vida em que não existisse sequer uma maneira para se comunicar? Eu posso falar por experiência própria o quão difícil é conviver com o silêncio forçado. Digo isso porque ao sofrer o acidente, que resultou em minha tetraplegia, fiquei um bom período sem poder falar. Comunicava-me somente com meus olhos, por meio de uma tabela com as letras do alfabeto.

Mara Gabrilli

Olha eu, aqui na Eldorado, derrubando inúmeras barreiras na comunicação!

Pense desde a época de criança, dos rabiscos no caderno, até o momento em que você estava apto para se comunicar efetivamente, utilizando uma série de recursos tecnológicos. Sem dúvidas, a informação é um poderoso instrumento que nos leva a conclusões imprescindíveis em qualquer período de nossa trajetória. Seja ela rápida ou memorável. Para uma pessoa com ou sem deficiência.

Quando penso em informação, vem à minha mente liberdade. O ato de estar informada me deixa livre para desenvolver meu trabalho, saber o que ainda precisa ser feito, buscar pessoas, agregar ideias e me livrar de conceitos errôneos. Já teve aquela sensação maravilhosa de quando recebe uma notícia boa? Ou quando fica sabendo de algo que desconhecia e isso muda a sua maneira de pensar sobre várias coisas? Parece "midiaticamente mágico", mas quando temos acesso a um determinado conteúdo nos sentimos mais livres para buscarmos o que precisa ser feito. Comigo funciona assim. Pena que ainda não posso te informar (olha a bendita informação de novo) que esse fluxo comunicativo faz parte da vida de todas as pessoas com deficiência no nosso país.

Há algum tempo quando inaugurei meu portal com informações sobre meu trabalho, fiz questão que pessoas com deficiência visual ou auditiva também tivesse acesso ao conteúdo informativo. Para que isso se realizasse não foi preciso grandes investimentos em tecnologia. Hoje, já existem diversos recursos, inclusive gratuitos, que dão acesso a leitura para uma pessoa cega. O resultado deste empreendimento chega a cada dia, quando recebo e-mails, visitas e telefonemas de várias pessoas que agora se sentem um pouco mais inclusas na sociedade. Eu sabia que isso era só o inicio de tudo. E que outras notícias boas viriam.

Recentemente, o Instituto Mara Gabrilli, do qual sou presidente, em uma parceria inédita com a Espiral Interativa, inaugurou o primeiro portal de notícias dirigido para pessoas com deficiência no país. O Vida Mais Livre permite, por exemplo, que as pessoas com deficiência visual ouçam as reportagens com a ajuda de tecnologias assistivas como os leitores de tela. E pessoas com deficiência auditiva podem ler as transcrições dos conteúdos em áudio e vídeo. E a melhor noticia é que além de acessibilidade, o portal oferece conteúdo direcionado tanto sobre temas concernentes a deficiência, quanto dicas de lazer e entretenimento.

Para quem tem acesso a qualquer conteúdo informativo, o projeto pode não parecer audacioso. Mas para mim e milhares de outras pessoas com deficiência isso não representa apenas uma nova opção para se informar, é uma ruptura de valores culturais e econômicos. É um olhar sagaz para algo que ainda não haviam percebido: a pessoa com deficiência como público alvo de um veículo de comunicação.

Em 2008, a Convenção da ONU sobre os direitos da pessoa com deficiência foi ratificada pelo Congresso Nacional. Isso significa que todos os seus artigos, inclusive aqueles que dizem respeito à acessibilidade nos meios de comunicação, devem ser cumpridos. Infelizmente, não é isso que temos visto do Ministério das Comunicações, que vem protelando há algum tempo a implantação da audiodescrição na tevê brasileira. Isso é apenas um exemplo de barreira informacional. Se pensarmos em todos os veículos de comunicação que existem, encontraremos mais uma muralha de obstáculos, que embora intangíveis, atrapalha milhares de pessoas de se divertir, trocar idéias, se informar, e principalmente, de cobrar pelos seus direitos.

Integrar pessoas com deficiência na sociedade é permitir que elas tenham as mesmas oportunidades que qualquer outra. É dar igualdade de acessos. Pense em como você pode eliminar barreiras da informação. Divulgar este assunto é um ótimo começo! Você já fez a sua parte?

por Mara Gabrilli

Fonte: Blog Derrubando Barreiras

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