Audiodescrição: caminho de acesso ao mundo das imagens

Em uma peça teatral, não ouvimos apenas as vozes dos atores. Vemos expressões, cenário, figurino, todo um conjunto de imagens que pessoas com deficiência visual não têm acesso. Mas podem ter. Há um recurso chamado audiodescrição, que transforma em palavras as imagens que são apreciadas em programas de tevê, exposições, mostras, musicais, óperas, desfiles, palestras e outros. Imagens tornam-se palavras. É uma possibilidade para que pessoas cegas possam interpretar de maneira mais completa o que assistem e, assim, terem acesso ao mundo das imagens.

A sala de aula, como um lugar onde imagens e recursos audiovisuais são fartamente utilizados, muito pode se beneficiar com o conhecimento sobre audiodescrição. Vídeos, fotografias, experimentos científicos, desenhos, peças de teatro, gráficos, ilustrações em histórias infantis, passeios e feiras de ciências, dentre outros que compõem o mundo das imagens, serão mais bem compreendidos se contarem com esse recurso.

Mas como fazer uso dessa ferramenta na escola, já que, muitas vezes, nem ao menos os materiais didáticos em braile ou ampliados chegam em tempo hábil para os alunos com deficiência visual?

O primeiro passo para uma prática mais inclusiva que transforme o mundo das imagens em palavras é conscientizar professores, alunos e pais sobre o que é audiodescrição e sua importância para o acesso às informações e ao mundo das imagens, para a ampliação do entendimento, para a autonomia e independência das pessoas cegas e com baixa visão.

É importante ressaltar que a audiodescrição também beneficia alunos com deficiência intelectual e alunos sem deficiência, já que desenvolve o Como transformar imagens em palavras e permitir que crianças cegas ampliem sua percepção e seu repertório artístico e escolar, poder de observação e a fluência verbal, além de ampliar o acervo de palavras e a cultura geral.

Atividades escolares serão mais bem compreendidas se contarem com a audiodescrição.

Se, em sala de aula há alunos com deficiência visual, o professor precisa, necessariamente, descrever todos os espaços por onde os alunos vão circular para que eles se locomovam com maior independência e autonomia, e também incentivar os colegas a descreverem imagens, gestos, ações. Simulações com olhos vendados ajudam a entender como a falta da visão compromete o entendimento.

Também na contação de histórias, a descrição detalhada das ilustrações e dos personagens ligada a possíveis recursos táteis, sonoros e olfativos chama a atenção da criançada, propiciando um melhor entendimento da história e engajamento com o tema.

O uso de experiências táteis com crianças com deficiência visual é bastante enfatizado no Ensino Fundamental, entretanto esse recurso precisa da mediação da linguagem e a conjugação com a descrição do mundo das imagens pode ampliar, e muito, o entendimento e a significação.

Desde 2005 venho trabalhando com a audiodescrição e formando audiodescritores. Percebo, a cada dia, como ela se aplica às mais diversas atividades sociais. Em recente palestra para mães de crianças com deficiência visual, destacando a importância do recurso para o desenvolvimento cognitivo e social de seus filhos, uma das mães relatou que, durante uma viagem, o filho pequeno cego ficou muito chateado, pois não podia ver tudo aquilo que as pessoas estavam comentando no carro. Nesse momento, ela se deu conta do quanto descrever o mundo das imagens poderia contribuir para que ele, literalmente, visualizasse tudo à sua volta, permitindo a participação plena nessa atividade social.

A cada trabalho que apresentamos com audiodescrição, e já foram muitos (peças, filmes, documentários, comerciais, óperas, desfile de moda, espetáculos de dança, histórias infantis), recebemos o feedback das pessoas com deficiência visual, o que contribui significativamente para a adequação e reconstrução da prática. Os relatos recebidos confirmam a relevância do recurso, o respeito para com a pessoa com deficiência visual, a sensação de pertencimento e demonstram que, mais do que nunca, é necessário continuar o trabalho de divulgação para que a audiodescrição possa ser uma realidade, também, na tevê, já que deveria ter sido implantada em junho de 2008. Mas a portaria está suspensa pelo Ministério das Comunicações, deixando de beneficiar 16 milhões de pessoas com deficiência visual.

Mundo das Imagens

Descrever é fundamental. Se você, professor, tiver alunos com deficiência visual, explique como é a sala de aula e os demais espaços por onde os alunos vão circular. Incentive os colegas a descreverem imagens, gestos, ações, ilustrações nos livros didáticos, em cartazes, vídeos e apresentações. Faça simulações com olhos vendados para que os colegas possam entender como a falta da visão compromete o entendimento, como assistir a cenas de um filme. Descreva, com detalhes, ilustrações e características dos personagens na contação de histórias, associando a descrição a possíveis recursos táteis, sonoros e olfativos.

Lívia Motta

Fonte: CARTA FUNDAMENTAL

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