Marta Gil: A segunda vez é ainda melhor

Pois é, meus amigos, acabo de comprovar: a segunda vez é ainda melhor!

Marta Gil: A segunda vez é ainda melhor

Refiro-me à ópera "Tosca", que é a segunda vez que assisto uma ópera com audiodescrição. Se continuar assim, posso ficar viciada (risos).

Estou chegando do Theatro São Pedro, em São Paulo, um espaço do tamanho certo – nem pequeno demais, nem grande demais – que está lindo, pois foi restaurado e cuja acústica se presta, muito bem, a espetáculos líricos.

A sala estava repleta, a platéia e os dois balcões que a circundam. As pessoas chegam com antecedência e a festa começa na espera, amigos se encontram, algumas pessoas estão acompanhadas de seus cães guia, retirada dos fones de ouvido, dos programas em braile ou tinta, alegria, antecipação e alguns esbarrões, que também fazem parte. Afinal, é muito alta a concentração de cegos no hall de entrada e é inevitável que isso aconteça. Curiosamente, são muito poucos e ninguém se incomoda. Tudo é festa!

Muitos nunca foram a um teatro. Outros já foram, mas é a primeira vez que vão assistir uma ópera.

Muitas indagações.

Lívia Motta parece uma fada benfazeja: cumprimenta a todos, com um sorriso acolhedor e radiante. Ela é uma das responsáveis por esta iniciativa, que conta com apoios importantes: Vivo ENCENA (do Instituto Vivo), Qualy Wash, OSUSP – Orquestra Sinfônica da USP e Pró Reitoria de Cultura e Extensão da USP. A produção está a cargo da APAA – Associação Paulista dos Amigos da Arte e do Theatro São Pedro e a realização é do Governo do Estado de São Paulo.

seu início: descrição do teatro, cores, lustre de cristal, cortina de veludo, nada escapa ao script lido com competência por dois voluntários do Instituto Vivo, um rapaz e uma moça. Outros voluntários, identificados por camisetas, ajudam as pessoas a se acomodar e a lidar com os fones.

O programa conta a aposta que a APAA fez para 2010: Tosca marca o início da temporada na cidade, além da criação de uma orquestra especialmente dedicada ao lírico, com alto padrão de excelência.

Serão cinco óperas e todas com audiodescrição! E pensar que Bonn, que foi a capital da Alemanha até há poucos anos, teve apenas uma ópera com audiodescrição em 2009… Não consigo reprimir um sorrisinho de orgulho por esta conquista, fruto do esforço e do empenho de tantos.

Aquele friozinho gostoso na barriga, que avisa "É daqui a pouco" se instala. Ficamos sabendo o enredo do primeiro ato, o jeito dos personagens e seus trajes.

A Orquestra Sinfônica está a postos, regida pela Maestrina Lígia Amadio. Cenário lindo, artistas com vozes privilegiadas, que são aplaudidos nos momentos certos, após solos excepcionais.

O Coral Lírico Cia. Ópera São Paulo, também regido por uma Maestrina, Dálete Alécio, é fantástico! E o Coro Infantil? Afinados, com desenvoltura, contribuem para a beleza do espetáculo.

Os três atos passam rapidamente. Os artistas são aplaudidos de pé. Saímos com gosto de "quero mais". No hall, enquanto devolvemos fones e fazemos comentários, outra surpresa: Tosca, que na vida real é a soprano Ana Paula Brunkow, aparece para falar conosco. E como é bonita e simpática!

Pois é, a segunda vez foi ainda melhor – será que posso falar isso mesmo?

Bom, a terceira vez vai resolver este "dilema".

Parabéns a todos que fizeram acontecer este espetáculo incrível, que alia Arte e Inclusão, Acessibilidade e Cidadania, Cultura e Civilidade!

Que a audiodescrição e a legenda se tornem parte da vida da cidade e de cada um de nós!

(*) Marta Gil é socióloga, consultora na área da Deficiência e Coordenadora Executiva do Amankay Instituto de Estudos e Pesquisas.

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