A novela termina, mas a vida real continua

A deficiência física tornou-se um tema de destaque, este ano, no Brasil. A novela da Rede Globo – Viver a Vida, do autor Manoel Carlos, teve como personagem principal, Luciana (Aline Morais), uma modelo que após um acidente, fica tetraplégica e precisa ficar de cadeiras de rodas. A novela mostrava ainda, ao final dos capítulos, uma história da vida real, onde as pessoas contavam como conseguiram superar momentos difíceis nas suas vidas.

Rita Mendonça

o final feliz seria Luciana voltar a andar, mas o público pediu e foi atendido, a personagem continuou utilizando a cadeira de rodas, até o último minuto da trama. E o final feliz se manteve, com a gravidez de gêmeos e a volta ao mercado de trabalho da personagem, mostrando que mesmo com algumas limitações, é possível ter uma vida normal.

O Alagoas em Tempo Real conversou com Rita Mendonça, advogada e pesquisadora em inclusão social e direitos humanos (especialista em direito ao trabalho) e mostra nessa reportagem, os avanços e conquistas dos deficientes físicos no país.

Dados do Ibge (senso 2000), apontam que 14,5% das pessoas no Brasil, têm algum tipo de deficiência, em Alagoas esse número chega a 16%.

Pegarão então nos filhos dos homens superiores, e levá-los-ão para o aprisco, para junto de amas que moram à parte num bairro da cidade; os dos homens inferiores, e qualquer dos outros homens que sejam disformes, escondê-los-ão num lugar interdito e oculto, como convém… Esta frase do filósofo Platão, na obra A República, Livro IV, 460 c, prova que o preconceito ao deficiente físico vem de longa data, ressaltou Rita, no início da entrevista, que durou uma tarde inteira e ainda entraria pela noite, não fosse pelos compromissos da repórter e da entrevistada.

Tratar as pessoas com deficiências como uma pessoa normal, resolveria boa parte dos problemas enfrentados pelos deficientes, pois a Constituição Federal de 1988 assegura para todos: saúde, educação, trabalho, lazer, moradia, segurança, previdência social, proteção à maternidade, proteção à infância, assistência aos desamparados.

Segundo Rita, precisamos vencer três barreiras para conviver e melhorar a qualidade de vida dos deficientes, a barreira arquitetônica, de comunicação e principalmente, de atitude.

Vencendo as Barreiras Arquitetônicas:

• Edificações acessíveis (mais baratas)
• Espaços públicos e espaços de uso público (escolas, ambientes de trabalho, função social da propriedade, educação especial)
• Transportes acessíveis
• Sinais sonoros
• Rampas; Piso tátil

Comunicação:

• Libras (Língua Brasileira de Sinais)
• Software ledor de telas
• Sistema braile (Louis Braille)
• Audiodescrição
• Cão-guia (cegos, surdos e surdocegos)

Atitudes:

• Preconceito
• Discriminação múltipla
• Baixa autoestima
• Menos valia
• Segregação
• Desconhecimento
• Respeito às diferenças.

Rita tem publicado um "Guia Alagoas Inclusiva", mapeando no Estado de Alagoas, a inclusão no mercado de trabalho da pessoa com deficiência, a partir de 1999, ainda lança mais dois livros acerca do tema. A advogada publica muitas de suas pesquisas no blog Um Direito Que Respeite.

Fonte: Alagoas Em Tempo Real

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