TV digital brasileira: som e audiodescrição com mais qualidade

Desde ontem (2/12) o brasileiro pode perceber uma incrível melhoria da qualidade do som e das imagens em qualquer dos formatos que serão oferecidos pela TV digital aberta -serviço móvel, serviço padrão (SD 480 linhas) e alta definição (HD 1.080 linhas).

O Brasil optou por uma abordagem inovadora para esse sistema, que prevê a adoção das tecnologias mais avançadas no mundo, incluindo o MPEG-4, padrão aberto definido pela ISO (International Organization for Standardization), para codificação do áudio e do vídeo.

Especificamente, as tecnologias MPEG4-AVC (Advanced Video Coding) High-Profile 4.0 e MPE4-AAC (Advanced Audio Coding), para os serviços em alta definição (1.080 linhas) e definição padrão (480 linhas), e MPEG4-AVC Baseline 1.3 e AAC-HE (High Efficiency), para os serviços de TV móvel (usualmente 240 linhas).

Nos últimos anos, o padrão MPEG-4 vem sendo vastamente utilizado pelas indústrias de telecomunicações, radiodifusão e eletroeletrônica no mundo. Alguns exemplos dessa utilização estão na área de sistemas de alta definição, IPTV (TV pela internet) e na distribuição multimídia via internet.

Para dar uma idéia, o padrão MPEG-4 adotado para a alta definição no Brasil é o mesmo utilizado nos aparelhos de DVD de última geração, como o Blu-Ray e o HD-DVD. No caso dos aparelhos móveis (celulares e laptops), o padrão brasileiro é o mesmo do iPod, da Apple.

No caso do som, o formato AAC é considerado o sucessor natural do MP3 e apresenta melhor qualidade sonora com melhores taxas de compressão do que o formato rival. Em se tratando de um padrão aberto, o AAC é também uma escolha mais afinada com o futuro e hoje fornece qualidade de som superior até à do DVD.

Com os recursos do AAC, as emissoras poderão enviar ao mesmo tempo som estéreo, som envolvente (mais conhecido como surround 5.1) e outros canais auxiliares, contendo versões alternativas da programação sonora, como canal SAP em estéreo (que permite ouvir o programa em seu idioma original), transformando a casa do telespectador em um verdadeiro cinema.

É importante dizer que a tecnologia apresenta também recursos inéditos de acessibilidade -permitirá, por exemplo, o envio de serviços de áudio-descrição, para pessoas com necessidades especiais. Outro recurso interessante é a possibilidade de transmissão de um mesmo evento com múltiplas tomadas de câmeras.

Para o consumidor, ainda que pareça no início que os preços de conversores e receptores necessários para assistir à TV digital estejam altos, a tendência é que caiam apreciavelmente nos próximos meses. Para dar uma idéia dos custos envolvidos, nos últimos 12 meses os preços dos chips MPEG-4 caíram de US$ 120/unidade para US$ 20/unidade e há chances de que fiquem abaixo de US$ 10 já no ano que vem.

O MPEG-4 é uma tecnologia multimídia no estado-da-arte, que ainda deve melhorar em termos de qualidade e taxa de compressão. Há espaço para aprimoramentos nas implementações dos codificadores e decodificadores, e a tecnologia MPEG-4 não pára de evoluir, por causa da sua forte adoção pelo mercado e pelos esforços contínuos em pesquisas realizadas no Brasil e no exterior.

Do ponto de vista de compressão, o MPEG-4 é muito eficiente. Isso resulta numa maior capacidade de transmissão de conteúdo multimídia, propiciando a oferta de mais programas tanto em alta definição como em definição padrão. Assim, o padrão MPEG-4 ainda tem abertura para permitir que novos avanços e serviços interativos e de multiprogramação sejam oferecidos no futuro breve, tanto em áudio quanto em vídeo.

artigo de Marcelo Knörich Zuffo, Regis Rossi Alves Faria, Rogério Nunes

Marcelo Knörich Zuffo é professor do Laboratório de Sistemas Integráveis da Escola Politécnica da USP e representante das universidades no Fórum SBTVD; Regis Rossi Alves Faria e Rogério Nunes são pesquisadores do Laboratório de Sistemas Integráveis da Escola Politécnica da USP. Artigo publicado na "Folha de SP":

Fonte: Jornal da Ciência

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