Audiodescrição também emociona a quem enxerga

Após a semana tumultuada de cobertura do Fashion Rio pelos dois blogs [este que vos escreve e o Duas Moda e Arte, eu, Lu, caí em meu sofá e pensei: folga! Nada de escrever hoje… Mas, quando vi a matéria sobre a Audiodescrição, foi impossível não refletir e acabar escrevendo sobre o tema.

É muito bacana e socialmente correto falar sobre acessibilidade ou inclusão social. Mas, qualquer coisa que venhamos a escrever sobre o tema sem ser portador de alguma necessidade especial ou sem ter familiares que permitam a vivência diária destas necessidades, corremos o risco de cair num texto clichê, demagogo.

Neste texto, estou bem segura pois é um texto informativo que me fez vibrar com um sistema que existe no Brasil e que eu de fato não o conhecia – mesmo sendo uma amante de cinema e teatro! Mas, não vivo em meu meio social e familiar as urgências e carências que vivem os portadores de necessidades específicas.

Comecei a pesquisar sites, blogs e achei um mundo que fica tão longe do mundinho fashion dos nossos blogs de moda… Um mundo de pessoas que tem sim urgências, objetivos, e força para buscar acesso a todo um mundo a ser explorado – arte, cinema, web…

Li algumas frases, escritas por estas pessoas que fizeram-me refletir de maneira absurda sobre essa tal acessibilidade que infelizmente nós só falamos ["Nós" – leia-se Mídia Brasileira] mais vezes, quando há uma novela no ar levantando esta bandeira, com uma personagem bacana representando a causa…

Hoje, não fui buscar fotos legais de looks para postar ou, dicas dos Fashion Rio, SP ou qualquer outro da vida. Acabei mergulhando num mundo tão novo pra mim, tão desconhecido… Tudo isso porque uma matéria me fez refletir!

O vídeo abaixo explica em detalhes a audiodescrição, que tem como objetivo promover aos cegos o acesso a arte.

Graciela Pozzobon, graduada em Artes Cênicas pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro e responsável pelo site "Audiodescrição" foi a pioneira no Brasil, quando em 2003 trabalhou na criação de roteiro, narração ao vivo e gravação de audiodescrição em produtos audiovisuais, recurso este que possibilita a inclusão de pessoas com deficiência visual em produtos culturais. Vale a pena uma visitinha em seu site que aborda a ferramenta no mundo inteiro.

O que aqui chegou em 2003, já é trabalhado no exterior desde 1975. Na Espanha a TVE disponibilizou o recurso para que os cegos tivessem acesso a sua programação. No Reino Unido, existem mais de 270 salas de cinema que disponibilizam a ferramenta Audiodescrição e grande parte dos canais de TV também oferecem a sua programação com esta ferramenta. Na Alemanha, alguns cinemas contam com o recurso da Audiodescrição e o canal de televisão BR oferece programas com o serviço. Na França, um canal de TV exibe programas com Audiodescrição e algumas salas de cinema espalhadas pelo país, como o Cinema MK2, oferecem o serviço de forma permanente.

Nada de utopia ou clichê né? Atitudes de acessibilidade e inclusão puras e verdadeiras…

“Dizem que uma imagem vale mais do que 1000 palavras, pois bem, a audiodescrição é muito mais que as tais 1000 palavras.” Frase de Marco Antonio de Queiroz, cego, autor do site Bengalalegal , que melhor define a ferramenta!

Outro link interessante que foca o assunto com atualizações constantes é o Blog da Audiodescrição.

Bem, a perguntinha que não quer calar… O que faz um blog de moda postar sobre isso? Segue a respostinha que vai esclarecer: não somos um blog só de moda mas, de arte, comportamento. O tema do post, aborda os demais itens… Quem fala sobre moda, não precisa ser indiferente a temas tão importantes quanto o exposto neste post. Mas, de fato, o que me fez escrever sobre a acessibilidade por meio da Audiodescrição, mesmo não sendo portadora de necessidades especiais e sem ter familiares nesta condição, foi usar minha visão para tirar os olhos de mim, de meu universo e entender algo que me chamou tanto a atenção, fazendo-me refletir como somos condicionados a ficar sempre em nosso mundinho redondinho, ou usando nossa visão simplesmente para olhar nosso próprio umbigo fashion.

Gostei de ler, entender e conhecer mais sobre acessibilidade cultural e acessibilidade como um todo.

Quero ser útil de alguma maneira… É só.

Fonte: Blog da Lu e Cris

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