Produção de Roteiros: Considerações Gerais

Índice:

1. Introdução

2. Definições

3. Considerações Gerais

4. Seis passos para o roteiro

Considerações Gerais sobre o Roteiro:

1. Mídias e Veículos:

Para determinar o formato do audiovisual e do roteiro, é preciso definir para qual mídia ou veículo o projeto se destina: Teatro, Cinema, Televisão, Vídeo, CD ROM, DVD, Internet, Eventos, etc.

2. Teatro:

Para escrever roteiros para qualquer mídia é preciso conhecer os fundamentos do Teatro que é o pai das artes cênicas.

Há três aspectos fundamentais na arte do Teatro:

Conflito– Não há ação dramática sem conflito, mesmo que seja a total ausência de conflitos;

Sonoridade– A força de uma narrativa dramática está na sonoridade do texto expressa nas falas, nos diálogos, na locução, etc;

Estética– As imagens precisam ser criadas e visualizadas através de um conceito estético que harmonize formas, cores e movimentos, causando impacto visual no espectador.

3. Diferenças de Linguagem:

O Teatro é a arte do Diálogo.

O Cinema é a arte da Imagem.

A Televisão é um misto entre os dois. Novelas e seriados pendem mais para o teatro (diálogos) e as minisséries, para o cinema (imagens).

Já a Internet é a arte da Interatividade.

4. Formatos do Roteiro:

O modelo e a diagramação do roteiro variam conforme a mídia a que ele se destina. Existem padrões para cada tipo de roteiro.

Cada mídia exige informações preliminares adequadas à sua linguagem:

Teatro– Época, Local, Cenário, Personagens, Observações. Eventualmente pode-se incluir a Story Line e a Sinopse da peça;

Cinema – Época, Local, Locações, Personagens (principais, secundários, periféricos, extras e figurantes), Apresentador, Locutor ou Narrador. Pode-se incluir observações sobre a Trilha Sonora, Iluminação, dados referentes à produção, a story line e a sinopse do filme;

Televisão – Época, Local, Ambientação, Personagens (principais, secundários, periféricos, extras e figurantes), Escaletas;

Empresariais– Cliente, Formato, Duração, Público-alvo, Cenário, Personagens, apresentador ou locutor; Trilha, Observações, etc.

5. Ferramentas do Roteiro:

Teatro – O roteiro de teatro é composto por Diálogos, que são as falas das personagens, ao vivo ou em off e por Rubricas [vide tópico 13] que descrevem o que acontece em cena e os estados emocionais das personagens. Há ainda as indicações de sons, efeitos, trilha sonora, e efeitos de iluminação, que podem ocorrer em ocasiões específicas;

Cinema – O roteiro de Cinema é formado pela descrição das Imagens, ou seja, tudo aquilo que se vê na tela, inclusive letreiros; e Áudio, tudo aquilo que se ouve no filme, as falas das personagens, apresentador ou locutor, efeitos de som e trilha;

Televisão – O roteiro de Televisão também é composto por descrição de Imagens e de Áudio;

Internet – Em um roteiro interativo, além da descrição de Imagem e Áudio, há a Programação, que descreve as possibilidades de navegação dentro do programa.

6. Divisão do Roteiro:

Toda a ação dramática se divide em Cenas, no entanto um roteiro não precisa ser dividido cena a cena. O roteiro para teatro é dividido em Atos. Em cinema, o formato mais comum é o Seqüenciado (dividido em seqüências). Em televisão, o roteiro divide-se em blocos por causa dos intervalos comerciais, que se subdividem em seqüências. Em vídeo, normalmente, o roteiro é dividido em Blocos por assunto, que se subdividem em seqüências. Em roteiros para mídia digital, a divisão ocorre através de um menu com assuntos opcionais.

Em cinema e televisão, a forma mais usada para dividir as seqüências é a mudança de ambientação, ou seja, muda a locação da filmagem, muda a cena. No teatro, as cenas mudam com a entrada e saída de personagens.

7. Formato do Audiovisual:

O programa pode ser Ficcional ou Não-Ficcional e os formatos variam de acordo com a mídia a que se destina o projeto.

Cinema – Documentário, Longa-metragem, Curta-metragem, etc;

Televisão – Telenovela, Seriado, Minissérie, Documentário, etc;

Vídeos Empresariais – Comerciais, Institucionais, Treinamento e Produtos;

Eventos – Shows, Convenções, Inaugurações, etc.

Mídia Interativa – Comerciais, Informativos, etc.

8. Gêneros do Roteiro:

Além do formato (Ficcional ou Não-Ficcional ) o roteiro pode ser classificado quanto ao gênero:

Aventura – Western, Ação, Mistério, Policial, Guerra, Musical;

Comédia – Romântica, Musical, Infanto-Juvenil;

Crime – Psicológico, Ação, Social, Policial;

Suspense – Terror, Mistério;

Romance – Amor, Melodrama;

Drama – Romântico, Biográfico, Social, Musical, Comédia, Ação, Religioso, Psicológico, Histórico;

Ficção Científica – Futurista, Imaginário;

Outros – Tragédia, Farsa, Animação, Histórico, Séries, Mudo, Erótico, Documentário, Semidocumentário, Infanto-Juvenil, Educativo, Eventos, Empresarial ; etc.

9. Localização no Tempo e no Espaço:

Logo no início do roteiro deve-se definir onde e quando a ação transcorre.

Época – Localizar a história no Tempo – Quando;

Local – Localizar a história no Espaço – Onde.

10. Perfil das Personagens:

A personagem é um ser humano imaginário. Para compor personalidades consistentes, vivas e interessantes é preciso refletir sobre seu caráter e formação. O autor pode valer-se de suas próprias vivências e lembranças, e pesquisar sobre os dados atribuídos à personagem.

Uma ferramenta para dar corpo a elas é elaborar uma ficha contendo alguns dados como: Sexo, Tipo físico, Idade, Nacionalidade, Quando e Onde vive ou viveu, Classe Social, Raça, Saúde, Escolaridade e nível cultural, Profissão, Família, Hobbies, Hábitos, Fatos do Passado, Relacionamentos afetivos, Sexualidade, Religião, Filosofia e ideologia política, Situação financeira e patrimônio, Aspectos psicológicos, Vícios e desvios de conduta, etc.

11. Estrutura Clássica:

Embora existam diversas variáveis, a Estrutura clássica de fragmentação de um roteiro é conhecida como Ternário:

Preparação – Surge o conflito;

Desenvolvimento – Crise;

Desenlace – Resolução.

12. Rubricas e Indicações:

Esta é a parte mais importante para a audiodescrição!

As Rubricas e Indicações podem aparecer na área destinada ao áudio e entre as Imagens também. Elas devem ser claras, diretas e objetivas para que todos os profissionais da equipe de produção possam entender aquilo que o autor quer dizer. E devem ser criativas também, para que o diretor e os atores captem o clima e a densidade da ação.

Há dois tipos de Rubrica:

Rubricas de Ação – descrevem o que acontece em cena;

Rubricas de Tonalidade – descrevem os estados emocionais das personagens e o tom dos diálogos e falas.

As rubricas devem ser usadas com parcimônia com o objetivo exclusivo de descrever, de forma sucinta, o que acontece em cena e em que tom as personagens expressam suas falas. Ao exagerar no uso de indicações, o roteirista estará invadindo o espaço criativo do diretor e do elenco.

13. Movimentos de Câmera:

Para escrever para Cinema, Televisão e Vídeo, o roteirista deve conhecer os Planos de Filmagem e os Movimentos de Câmera, mas não cabe a ele definir os planos de cada cena. No primeiro roteiro ou roteiro literário, alguns movimentos poderão ser sugeridos ou descritos nas cenas-chave da ação ou para dar idéia do clima de uma seqüência. Mas caberá ao diretor e à equipe de produção, definir cada Movimento de Câmera no Roteiro Final ou Roteiro Técnico. Ao se exceder na descrição dos planos de cada seqüência, o roteirista estará invadindo o campo de ação do diretor e da equipe de produção.

Fonte: WWB – WebWrittersBrasil

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