Filme para os ouvidos: estreia de sessão com audiodescrição agradou ao público

Embora os olhos do estudante Pablo Barretti, 30 anos, quase não enxerguem, ele precisou se conter para não os encher de lágrimas no desenrolar do filme Vida de Menina, exibido sábado, na Sala de Cinema Ulysses Geremia. Foi a estreia dele, assim como da programação no cinema caxiense em filmes com audiodescrição (AD) e closed caption (legenda oculta ou CC).

"Eu me emocionei bastante, achei o filme bem bom" contou o acadêmico de Educação Física, que chegou a perder completamente a visão e hoje recuperou um pouquinho dela.

Barretti gostou tanto que pretende levar para o Ordovás pessoas portadoras de deficiência que participarão de um encontro a ser realizado no próximo dia 21, em Farroupilha. Assim, serão cerca de 40 novos espectadores, número maior do que os 28 de sábado (com e sem visão).

A primeira sessão do projeto Cinema AD preencheu menos de um terço dos 100 lugares da sala, mas representou um avanço e tanto para pessoas com pouca ou nenhuma visão.

Aos 31 anos, Lucimara Gomes nunca tinha estado em uma sessão como a exibida na sala Ulysses Geremia, e adorou. Há sete anos, ela só tem a sensação de claro e escuro por causa da perda de visão causada por diabetes.

Além de promover a inclusão dos deficientes em espaços culturais, o diferencial do projeto é que a programação não é limitada a pessoas que não enxergam. Quem consegue ver, tem a opção de usar uma venda escura nos olhos para experimentar o projeto em sua totalidade. No início, é difícil se concentrar no filme sem poder enxergar a tela. Aos diálogos, mesclam-se descrições das cenas, expressões, lugares, sensações: dia, noite, rio com água transparente, beijo, sinos tocando, copa das árvores e chão de pedras, só para citar alguns.

" Essa tradução foi completa, dizia o ambiente, o lugar… A gente deixa de ir ao cinema por falta de alguém para traduzir", afirmou Vera Rosane Gomes da Silva, 44, que preferiu essa sessão com audiodescrição à presenciada no ano passado, em Porto Alegre.

A escritora Iracema Soares de Lima, 78, amplia a explicação:

"É uma sensação parecida com a de um livro (audiolivro/livro falado), só que com várias vozes. Dá para se emocionar".

Graças à audiodescrição, quem não enxerga consegue ver através do som.

A AD é um recurso que começou a ser reconhecido internacionalmente no começo dos anos 1990 e chegou ao Brasil há pouco mais de cinco anos, com o Festival Assim Vivemos. Temática, essa mostra realizada em São Paulo e Brasília focou em filmes e debates sobre deficiência, acessibilidade

Programação

– Dia 14, às 15h: Boleiros, Era uma vez o Futebol, de Ugo Giorgetti

– Dia 21, às 15h: O Signo da Cidade, de Carlos Alberto Riccelli

– Dia 28, às17h: Eu me Lembro, de Edgar Navarro

Todas as sessões são gratuitas

Saiba mais sobre essa apresentação em Caxias do Sul:

Sala de cinema de Caxias exibirá filmes para cegos e surdos a partir de 7 de agosto

Fonte: O Pioneiro

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