Acessibilidade além da arquitetura

Você sabia que pessoas com deficiência visual podem ir ao cinema ou ao teatro e se divertirem mesmo sem enxergar? Ou que podem usar o transporte público e se hospedarem em um hotel com seu cão-guia? Estas foram algumas informações que obtive ao assistir a Semana da Pessoa com Deficiência, comemorada semana passada no Centro de Educação Adamastor, em Guarulhos. Lá aprendi que acessibilidade além da arquitetura é palavra de ordem para pessoas com deficiências visual e auditiva.

Durante cinco dias, diversas entidades apresentaram atividades artísticas de seus alunos e houve também várias palestras sobre o tema. O evento, organizado pelo CMAPD (Conselho Municipal para Assuntos da Pessoa com Deficiência) em parceria com a prefeitura, foi aberto com a exibição de um vídeo em que vários cadeirantes, entre eles a presidente do Conselho, Maria Luiza Romão, mostraram que nossa cidade precisa se adaptar para tornar-se acessível às pessoas com deficiência.

Foram mostradas ruas esburacadas, calçadas estreitas, lojas, restaurantes e até mesmo prédios públicos que não possuem rampas, o que torna impossível a visitação por essas pessoas.

Mas, como disse antes, a acessibilidade (ou a falta dela) não é somente uma questão de arquitetura.

O acesso ao turismo, transporte, educação, lazer, cultura e, principalmente, a informação, foram discutidos.

Adam Kubo, diretor do departamento de Turismo da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, explicou que Guarulhos é um local importante para o turismo de negócios e que os 22 hotéis da cidade estão se adaptando ou já recebem pessoas com alguma deficiência. Segundo ele, 40% desses estabelecimentos permitem a entrada de cães-guia.

A audiodescrição, descrição detalhada das ações ou informações visuais presentes em uma peça de teatro ou filme, feita por profissional qualificado por meio de aparelho de MP3 e fone de ouvido, permite a compreensão do contexto pela pessoa com deficiência visual, assim como a tradução em Libras (Linguagem Brasileira de Sinais) faz o mesmo pela pessoa com deficiência auditiva.

Um trecho de Chico Xavier, o filme, com audiodescrição, foi exibido em DVD pela jornalista Maria Vilma Roberto, que possui deficiência visual, para exemplificar como funciona o sistema. O Centro Cultural São Paulo e o Sesc promovem festivais de cinema e teatro inclusivos; por aqui, ainda não temos isso.

Há uma lei que regulamenta a acessibilidade na comunicação, a NBR 15290, de 31/10/2005, que trata da comunicação na televisão. Segundo esta lei, a televisão deveria trazer parte de sua programação acessível com audiodescrição, janela com tradução de Libras e closed caption (legenda do que está sendo dito, já presente em algumas emissoras) ocultas por meio da tecla SAP (programa secundário de áudio) do televisor.

Deveria. Na prática, porém, as leis demoram demais para sair do papel. Essas eram informações importantíssimas para a população em geral, que poderia ter comparecido em massa em um evento gratuito, mas não foi assim, talvez por preconceito ou em resultado da divulgação insuficiente.

Será por que falar de deficiência ainda é um tabu?

Nem mesmo as associações voltadas à pessoa com deficiência tiveram presença marcante.

Concordo com a opinião da conselheira do CMAPD, Josefa de Jesus Moreira. Para ela, “a acessibilidade mais difícil é a acessibilidade das relações humanas”.

A reivindicação de direitos para um mundo mais inclusivo não será possível se não houver união, principalmente entre a sociedade, as próprias pessoas com deficiência e associações que as represemtam.

Fonte: Diário de Guarulhos

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