Depoimento de quem foi ao lançamento do DVD Chico Xavier

Dia 31 de julho, um lindo sábado, com um sol que convidava para um passeio no parque, ou… um evento num lugar bacana como o Espaço Unibanco, da Rua Augusta. Lá fui eu me encontrar com Rosaura, Ricardo, Alessandra e outras tantas pessoas na estação de metrô Conceição para mais uma aventura. Dito assim parece exagero, mas garanto que não é. Não estou aqui para discorrer sobre tudo o que dá errado na rotina de um deficiente visual, muito pelo contrário, deixo isso para os pessimistas. Estou aqui para falar da vida e de tudo que a torna possível e bela. Estou aqui para falar da feliz experiência que tivemos naquele dia.>

Ainda hoje, fico me perguntando como uma atitude simples e aparentemente boba pode fazer toda a diferença entre ser e fazer parte.

Ser parte de um todo (a sociedade) como qualquer cidadão.

Fazer parte, percebendo-se e sentindo-se incluído através de um evento rotineiro na vida das pessoas, que é o de encontrar-se com amigos para assistir a um filme

Foi o que fizemos, o melhor é que o encontro não foi em uma instituição, ou em casa de um dos amigos, mas em uma sala de cinema, como é comum a qualquer pessoa. Longe de mim desmerecer as iniciativas das instituições, afinal, graças a elas, nós temos tido algumas oportunidades neste sentido.

A questão é que queremos mais, queremos que portadores de necessidades especiais, ou não, estejam juntos e misturados, aí sim a inclusão está de fato acontecendo.

Fomos convidados pela Sony Pictures, para assistirmos ao filme Chico Xavier com audiodescrição, eles, assim como nós, queríamos saber o resultado da audiodescrição para nós deficientes visuais. Ou seja, todos queriam respostas para as perguntas que fervilhavam na cabeça de muitos, provavelmente na de todos os envolvidos.

Estávamos todos ansiosos com a novidade, que depois soube pelo Juliano Gomes Bolzani, do setor de Marketing da Sony, que este não foi o primeiro filme com audiodescrição feito por eles. Também segundo ele, há um interesse pelo menos da Sony que esta experiência se repita em outras produções e que esta iniciativa seja levada para produções realizadas fora do país.

Antes da sessão começar, o Vítor e a Vanessa, ambos com baixa visão, me disseram que a expectativa era grande. Nos reencontramos antes de irmos embora e segundo eles a expectativa fora plenamente satisfeita, inclusive em relação ao espaço físico, pois a sala não tem escadas, o acesso para as poltronas é feito com rampas, o que foi muito bem lembrado pela Vanessa.

A audiodescritora Lívia Motta, que estava presente ao evento, em conversa me disse que achou a qualidade da audiodescrição muito boa, embora admitisse que precisava de alguns ajustes.

Na saída, também conversei com o Dalmir que é cego e me disse que achou muito interessante, que conseguiu acompanhar e entender, mesmo a estória tendo idas e vindas no tempo cronológico. Ele confia que quando essa iniciativa se tornar comum em todos os filmes ou na maioria deles, as poucas dificuldades que se apresentaram neste momento, tendem a acabar ou a diminuir muito.

O que fica pra mim dessas e de outras conversas que tive com mais pessoas antes e depois da apresentação do filme é que estamos nos tornando visíveis.

As pessoas estão nos enxergando, elas estão deixando a cegueira de lado, graças a Deus que podem e estão fazendo isso.

Além de provocar um reboliço em todos os que estão envolvidos direta ou indiretamente nesta iniciativa, a audiodescrição propicia aos que dela se beneficiam um momento de absoluta integração e de magia. O que afinal de um modo muito particular é o que propõe a arte cinematográfica, não é mesmo? Com a audiodescrição, nós deficientes visuais, podemos participar dessa magia.

Então, participemos, sejamos presentes nos tornando mais e mais visíveis.

Quanto ao filme propriamente dito, meu conselho é que as pessoas o assistam com mente e coração abertos, pois há uma mensagem muito clara com a qual eu espero que todos sejam tocados.

Qual é a mensagem?

Há uma centelha de amor em cada um de nós.

Obrigada Alessandra nossa parceira vidente, por me abrir os olhos e me fazer enxergar o óbvio.

Autor: Irene de Barros Pereira
Fonte: Movimento Livre

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