Pessoas com deficiência lutam pela acessibilidade

Além de conviver com os desafios que a própria deficiência impõe, eles são obrigados a vencer as dificuldades do dia a dia. Cegos encontram dificuldades para acompanhar eventos culturais, principalmente aqueles que são audiovisuais, como teatros e cinemas.

Duas pessoas com livros nas mãos próximas a uma prateleira repleta de livros

Ana Borges: 5º Período
Editor multimídia: Nathalia Faria

As principais queixas desse público em relação ao cinema é que os filmes, em sua maioria, são legendados, e os nacionais, por sua vez, apresentam muitas cenas sem áudio.

Os deficientes que frequentam cinemas acham que o problema poderia ser resolvido com fones de ouvidos por meio da audiodescrição, mesmo para filmes dublados.

Os fones também são solicitados em espetáculos teatrais, já que não é permitido, ou bem aceito, que haja alguém do público explicando para os deficientes as cenas.

José Carlos Dias, usuário do setor braille da Biblioteca Estadual Luiz de Bessa, afirma que tem mais de 30 anos que não vai ao cinema, uma vez que as salas quase não passam filmes dublados. "Se os cinemas tivessem filmes dublados, com certeza voltaria a freqüentar", afirma.

Outra questão que acaba dificultando o acesso das pessoas com deficiência visual a determinados locais é a falta de atenção dos funcionários. Muitos os acompanham até as cadeiras e ficam de buscá-los quando a sessão acaba, mas, em muitos casos, os funcionários não aparecem.

O deficiente visual Alexandro de Lima, revisor Braille da Biblioteca Pública, conta que já foi esquecido junto com seus amigos, também deficientes, dentro de um cinema em BH. "Ao chegarmos lá, um funcionário nos guiou até nossos assentos e disse que iria nos buscar no final da sessão, mas não foi isso que ocorreu. Ficamos esperando por muito tempo até que apareceu uma funcionária da limpeza à qual pedimos ajuda, mas ela não quis nos ajudar. Disse que aquilo não era sua função".

Clícia Magalhães, mãe de uma cega, diz que abandonou o cinema por causa da filha. "Fico muito triste ao ver minha filha tendo dificuldades de acompanhar os filmes. Com isso, prefiro nem vê-los".

No mercado já podemos encontrar três filmes audiodescritos, todos de produção nacional: Irmãos de fé, com Tiago Lacerda e Padre Marcelo Rossi; Signo da cidade, de Bruna Lombardi e Carlos Alberto Ricelli; e Ensaio sobre a Cegueira, que mesmo baseado no livro do português José Saramago e com elenco de atores estrangeiros, é dirigido pelo brasileiro Fernando Meireles.

De acordo com o último censo do IBGE, existem no Brasil mais de 9 milhões de pessoas com deficiência física. A prefeitura da capital mineira, em parceria com o Governo Federal, criou o programa Belo Horizonte para Todos, que tem como objetivo promover avanços na acessibilidade de pessoas com deficiência.

Pontos turísticos como a Fundação Zoo-Botânica e o Parque Municipal, além de regiões como a área hospitalar, passaram por reformas que as transformaram em espaços melhor capacitados para receber deficientes físicos.

Outra iniciativa foi a elaboração de um guia turístico, em Braille, para orientar deficientes visuais, disponível nos postos da Belotur.

Entretanto, ainda estamos longe de poder nos considerar uma cidade acessível.

A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) por meio da norma NBR 9.050/04, normatiza a "Acessibilidade de Pessoas com Deficiência a Edificações, Espaço, Mobiliário e Equipamentos Urbanos". A norma procura fixar os padrões e critérios que propiciem às pessoas com deficiência condições adequadas e seguras para o acesso autônomo aos espaços urbanos. No entanto, as dificuldades de locomoção são inúmeras: escadas, altos degraus, banheiros não adaptados, buracos nas calçadas, e elevadores estreitos, são alguns dos obstáculos que acabam por aumentar os desafios que precisam ser vencidos dia a dia por essas pessoas.

Conhecimento

Fundada em 1954, a Biblioteca Pública Luiz de Bessa só ganhou um setor braille em 1965. Além dos livros escritos em braille, a biblioteca também conta com um acervo de CDs de áudio de diversos estilos.

Os voluntários são peças fundamentais para o bom funcionamento do setor. Os mais antigos da casa são Zaíra Tavarez, 80 anos, Dinalva Baumgratz, 74 anos, e Pedro Borges, 80 anos, que já ajudam há mais de 15 anos. Eles leem para os cegos, passam livros para o braille e os ensinam a ler e escrever.

A biblioteca também oferece cursos de assinatura para cegos e de braille, inclusive para quem não tem deficiência visual.

Como ajudar

Muitas pessoas têm dificuldades na hora de guiar um deficiente visual. Segundo dicas de deficientes visuais, é importante que a pessoa que irá prestar a ajuda deixe que o cego segure no seu braço, e siga em frente, para que eles percebam a movimentação do guia. Quando for conduzi-lo para assentá-lo, o ideal é colocar as mãos nas costas da cadeira, para que eles mesmos se guiem e assentem-se sozinhos. Outra informação muito importante é que os cegos não são surdos, muito pelo contrário, escutam muito bem. Com isso, não há necessidade de falar gritando.

Invenções facilitam o dia a dia das pessoas com deficiência

DPS 2000: aparelho transmissor de sinais por ondas de rádio que ajuda deficientes visuais a tomar ônibus ou taxi foi desenvolvido pelo aposentado Dácio Pedro Simões.

Sinalizasom: desenvolvido pelo inventor gaúcho Carlos Boa Nova Neto, ao se aproximar de uma esquina ou de um possível obstáculo, o deficiente visual aciona o controle remoto que informa a localização do deficiente, e se ele pode atravessar a rua com segurança.

Hortho Mobile: plataforma de elevação manual, similar a um elevador, desenvolvido pela Mecal que facilita a locomoção de deficientes físicos em cadeiras de rodas.

Carteiras para deficientes físicos: desenvolvido pela UFMG, sua estrutura se adapta a todos os tipos de cadeiras de rodas, fazendo com que o deficiente não tenha necessidade de apoiar cadernos e livros no colo ou sobre os braços da cadeira de rodas.

Fonte: Portal do Jornal Laboratório do Curso de Comunicação Social do Uni-BH

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