1° CONGRESSO MUITO ESPECIAL DE TECNOLOGIA ASSISTIVA E INCLUSÃO SOCIAL DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA DO CEARÁ

1° Congresso Muito Especial de Tecnologia Assistiva e Inclusão Social das Pessoas com Deficiência do Ceará, uma realização do Instituto Muito Especial com o apoio do Ministério da Ciência e Tecnologia. O evento foi realizado no Marina Park Hotel.

O Congresso tem por objetivo reforçar a importância do tema e apresentar as inovações na área de Tecnologia Assistiva, além de debater sobre as novas possibilidades que facilitam e contribuem para a inclusão social da pessoa com deficiência.

O evento conta com palestras de renomados profissionais da área, como Romeu Kazumi Sassaki, atuante no campo da deficiência há 50 anos, conselheiro do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência e membro do Comitê Brasileiro de Tecnologia Assistiva da Secretaria de Direitos Humanos, que irá compor a mesa de debates no próximo dia 28. Já no dia 29/09, terá o evento terá a presença de Franclin Costa, representante do MEC no CAT (Comitê Nacional de Ajudas Técnicas) e gestor nacional do Programa TEC NEP, que visa à inserção das pessoas com necessidades educacionais específicas nos cursos de formação inicial e continuada e nas instituições federais de educação tecnológica.

Congresso de Tecnologia Assistiva tem início no Ceará Fortaleza, 28 de setembro. Trabalhar na disseminação do conceito de acessibilidade e inclusão da pessoa com deficiência; estimular a pesquisa e desenvolvimento da Tecnologia Assistiva no Brasil; contribuir para atualizar o conhecimento técnico dos profissionais da área e difundir experiências inovadoras são alguns dos objetivos do 1º Congresso Muito Especial de Tecnologia Assistiva e Inclusão Social das Pessoas com Deficiência do Ceará. O presidente do Instituto Muito Especial, Marcus Scarpa, destaca que o evento tem o intuito de quebrar barreiras e promover o estímulo e a difusão do uso das tecnologias assistivas. "As pessoas têm que ser independentes e temos o interesse de mostrar que existem possibilidades. Por exemplo, já existe um mouse ocular para pessoas tetraplégicas que não têm nenhum movimento do pescoço para baixo, acionado com o piscar dos olhos, e o custo disso nem é tão caro. R$ 50, mas pode ficar ainda mais acessível quando fabricado em larga escala”, explica.

Ele afirma que, embora alguns avanços já tenham acontecido, as dificuldades ainda são muitas para os deficientes, pois o processo de inclusão envolve uma cadeia de fatores que influenciam na qualidade de vida. “Há um número pouco expressivo de escolas que atendam a pessoas com deficiência, não há material preparado, nem educadores que saibam se comunicar corretamente com elas, sem falar que menos de 3% das pessoas com deficiência no Brasil chegam à universidade”, ressalta. Para o presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Cedef/CE), Alexandre Mapurunga, que foi um dos convidados especiais para a solenidade de abertura do evento, o Congresso promete ser um rico momento de reflexões. "É um evento grandioso, um momento em que a sociedade reflete sobre a inclusão social. Esperamos que o debate se reflita em políticas públicas para melhorar a qualidade de vida das pessoas com deficiências", diz.

A programação do primeiro dia incluiu palestras sobre "Tecnologia, Inovação e Inclusão Social" e "Acessibilidade". Na primeira mesa, os debatedores foram a terapeuta ocupacional do Instituto de Medicina Física e Reabilitação do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (Imrea/HC/FMUSP), Tatiana Pedroso, e o terapeuta ocupacional do Centro de Reabilitação e Readaptação, Dr. Henrique Santillo, além de Dagoberto Barbosa, membro do Instituto Movimento e Reabilitação e do Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (Coffito). Houve ainda explanação da arquiteta e urbanista Elisa Prado e de Maria Isabel da Silva, gestora da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo, que falaram de acessibilidade.

Já no período da tarde, das 14h às 18h, as discussões permeiam, respectivamente, em torno da "Inclusão Profissional – mercado de trabalho e o sistema de cotas" e "Como lidar com pessoas com deficiência". Na primeira mesa, os palestrantes serão o administrador de empresas e docente da Faculdade Maurício de Nassau (PE), Artur Mendonça, e o professor do curso de terapia ocupacional da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Nilson Rogério da Silva.

Já o segundo debate da tarde contará com palestras do conselheiro do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência e membro do Comitê Brasileiro de Tecnologia Assistiva da Secretaria de Direitos Humanos, Romeu Sassaki, e da coordenadora pedagógica do Programa Rompendo Barreiras: Luta pela Inclusão, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Valéria de Oliveira Silva.

O evento segue até quinta-feira (30), sempre das 8h às 12h e das 14h às 18h. O engenheiro da Divisão de Robótica e Visão Computacional (DRVC), do Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer, órgão vinculado ao Ministério da Ciência e Tecnologia, José Antônio Beiral, será o mediador de todas as palestras. Todo o Congresso está sendo traduzido simultaneamente por uma tradutora de Libras, a Língua Brasileira de Sinais.

DEBATES MOVIMENTAM PARTICIPANTES

O segundo dia do 1º Congresso Muito Especial de Tecnologia Assistiva e Inclusão Social das Pessoas com Deficiência do Ceará foi marcado por uma série de importantes debates. A temática "Tecnologia, Inovação e Inclusão Social” abriu o ciclo de palestras. Nesse momento, os presentes puderam conferir as explanações da terapeuta ocupacional do Instituto de Medicina Física e Reabilitação do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (Imrea/HC/FMUSP), Tatiana Pedroso, e do terapeuta ocupacional do Centro de Reabilitação e Readaptação, Dr. Henrique Santillo. Também participou do debate Dagoberto Barbosa, membro do Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (Coffito) e do Instituto Movimento e Reabilitação.“Para as pessoas sem deficiência, a tecnologia torna as coisas mais fáceis. Mas, para as pessoas com deficiência, a tecnologia torna as coisas possíveis”, destacou Tatiana Pedroso, ressaltando que Ciência, Tecnologia e Inovação devem estar bem articuladas para que se atinja o objetivo maior, que é a promoção da qualidade de vida para as pessoas com algum tipo de deficiência.

Na segunda palestra do dia, sobre “Acessibilidade”, a arquiteta e urbanista Elisa Prado e a gestora da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo, Maria Isabel da Silva, expuseram as normas técnicas da ABNT e o artigo 9º da Convenção da ONU, que referem-se justamente sobre a Acessibilidade.“A acessibilidade é mais do que um direito de ir e vir, é um direito de participar. Não se pode considerar inclusão sem acessibilidade. Uma coisa é inerente à outra”, reforçou Maria Isabel. A palestrante expôs ainda alguns dados sobre o universo da pessoa com deficiência. Hoje, cerca de 10% da população mundial ou 650 milhões de pessoas possuem algum tipo de deficiência. No Ceará, esse número alcança 1,2 milhão de pessoas. “A maior parte tem deficiência visual, um total de 931 mil pessoas. Os deficientes motores alcançam 400 mil e os auditivos, 307 mil. Os dados são do último senso do IBGE, em 2000”, completou.

INCLUSÃO SOCIAL, SISTEMA DE COTAS NAS EMPRESAS E NOVA TERMINOLOGIA DA ONU SÃ0 TEMAS DE PALESTRAS

“Inclusão Profissional – Mercado de Trabalho e o sistema de Cotas” foi o tema que deu início aos debates na tarde desta terça-feira (28/9), no 1º Congresso Muito Especial de Tecnologia Assistiva e Inclusão Social das Pessoas com Deficiência do Ceará. Ministrado pelos professores Artur Mendonça, da Faculdade Maurício de Nassau (PE) e Nilson Rogério da Silva (UNESP-Marília), o tema mobilizou a platéia. Os palestrantes falaram da questão da inserção versus permanência no emprego e na escola. Eles lembraram que a inclusão social das pessoas com deficiência começa prioritariamente na escola, espaço que deve preparar as pessoas para o ensino da diversidade.

O professor Nilson Silva explicou que de 2003 a 2008 foram aplicadas 2.440 autuações a empresas que não cumpriram a cota estabelecida por lei. “Para cada vaga não preenchida há uma multa de R$ 1.254,89, acrescida de uma quantia que o MTE considere adequada, podendo chegar a R$ 125.487,95”. Ele disse também que o sistema de cotas não resolve a questão do deficiente fora do mercado de trabalho, uma vez que esbarra em algumas dificuldades, como a falta de pessoas com a devida qualificação profissional. Segundo Nilson, apenas 44,5% das empresas no Brasil cumprem a determinação. “As empresas desconhecem as potencialidades das pessoas com deficiência. A inserção carrega a crença de que depende de altos custos, o que não é verdade”.

A Lei de Cotas (Nº 8.213/91) existe desde 1991, e obriga as empresas a reservar uma parcela de suas vagas para a inclusão de pessoas com deficiência. A legislação exige que, em estabelecimentos comerciais que tenham de 100 a 200 funcionários, 2% das vagas sejam reservadas para pessoas com deficiência. Para as que têm de 201 a 500 empregados, a cota é de 3% e, para as que têm de 501 a mil cooperados, de 4%. Acima disso, as companhias não devem ter menos de 5% de inclusões.

O professor Artur Mendonça explica que cabe ao Ministério do Trabalho estabelecer a sistemática de fiscalização, avaliação e controle das empresas. Ele lembra que o cenário, apesar de hoje já ser um pouco mais otimista, ainda está longe de ser adequado. “Muitas empresas preferem pagar a multa a contratar um funcionário com deficiência”.

Romeu Kazumi Sassaki, Consultor de inclusão social, profissional no campo das deficiências há 50 anos, conselheiro do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência e membro do Comitê Brasileiro de Tecnologia Assistiva da Secretaria de Direitos Humanos, foi o palestrante mais solicitado da tarde. Muitos participantes portavam livros e publicações suas para serem autografados.

Sassaki falou sobre a nova terminologia usada para se referir às pessoas com deficiência aprova pela ONU, com a inclusão da chamada Deficiência Psicossocial nessa nova nomenclatura. Os movimentos mundiais de pessoas com deficiência, incluindo os brasileiros, estão debatendo o nome pelo qual elas desejam ser chamadas. Mundialmente, já fecharam a questão: querem ser chamadas de “pessoas com deficiência” em todos os idiomas. E esse termo faz parte do texto da Convenção Internacional para Proteção e Promoção dos Direitos e Dignidade das Pessoas com Deficiência.

“A tendência é no sentido de parar de dizer ou escrever a palavra “portadora” (como substantivo e como adjetivo). A condição de ter uma deficiência faz parte da pessoa e esta pessoa não porta sua deficiência. Ela tem uma deficiência. Tanto o verbo “portar” como o substantivo ou o adjetivo “portadora” não se aplicam a uma condição inata ou adquirida que faz parte da pessoa. Por exemplo, não dizemos nem escrevemos que uma certa pessoa é portadora de olhos verdes ou pele morena”, observa.

Uma pessoa, segundo Romeu Sassaki, só porta algo que ela possa não portar, deliberada ou casualmente. “Por exemplo, uma pessoa pode portar um guarda-chuva se houver necessidade e deixá-lo em algum lugar por esquecimento ou por assim decidir. Não se pode fazer isto com uma deficiência, é claro.”

Durante a palestra, o professor explicou ainda que existem tipos e categorias de deficiências, por exemplo: deficiência visual, múltipla, física, intelectual e auditiva. “Existem 60 combinações de deficiência intelectual, mas somente oito delas estão não lei. A novidade é a nova terminologia, que classifica a Deficiência Psicossocial. Cada pessoa com esse tipo de deficiência apresenta algum tipo de seqüela de transtorno mental. Essa terminologia foi aprovada na Convenção da ONU e assinada pelo Brasil em 30 de março de 2007.”

Valéria de Oliveira Silva, graduada em letras e pedagogia e especialista em educação especial nas áreas de deficiência auditiva, visual e intelectual, conselheira do Conselho Estadual para a Política de Integração das Pessoas Portadoras de Deficiência, foi a última palestrante da tarde. Ela falou sobre as potencialidades da pessoa com deficiência e do preconceito que ainda existe em torno do tema. Segundo Valéria, costuma se atribuir aos deficientes alguns mitos, como o fato, por exemplo, de que uma pessoa com deficiência visual tem os outros sentidos mais aguçados do que as pessoas com visão normal. “As pessoas com deficiência são pessoas normais, que desenvolvem os sentidos tanto quanto qualquer pessoa”, observou, reforçando a idéia de que as pessoas com deficiência não são objetos.

APRESENTAÇÃO DE PROJETOS DE TA INÉDITOS NO BRASIL MOVIMENTAM O 3º DIA DO CONGRESSO

Fortaleza, 29 de setembro.

A vida inclusiva pressupõe que todos tenham as mesmas oportunidades, independentemente de qualquer característica peculiar. Na manhã desta quarta-feira (29/9), as palestras do 1º Congresso de Tecnologia Assistiva e Inclusão Social das Pessoas com Deficiência do Ceará conseguiram reter total atenção dos presentes. A mesa que debateu a Tecnologia Assistiva e Inovação – Medicina e Reabilitação, contou com a explanação das terapeutas ocupacionais Ana Irene Alves de Oliveira (NEDETA-UEPA) e Taís Bizari (CCP – Campinas). Foram expostas algumas tecnologias utilizadas no processo de reabilitação médica, inclusive de crianças.

Na sequência, os congressistas puderam se emocionar com as histórias de vida de Jefferson Maia e Vânia Trévia. O Pedagogo, consultor, artista plástico e atleta de Rugby, Jefferson Maia, contou suas experiências após a tetraplagia, que o acometeu há 23 anos, após ter sido baleado. "Antes da lesão eu era um leigo. Precisei me autoadaptar. No começo isso é bem difícil, tem o preconnceito da sociedade. Mas, a pessoa deve assumir o controle de suas ações, tomar as decisões que lhe convierem e influir na sociedade, mesmo que para tal dependa de terceiros", falou Jefferson.

No período da tarde, o físico mineiro Júlio César Melo, PHD em Engenharia Elétrica e de computação pela University of Texas/Austin abriu os debates com a palestra sobre as novas tecnologias nas áreas de processamento digital de sinais e projetos de hardware e software e sistemas embutidos. O professor se deteve principalmente em explicar como funciona o projeto desenvolvido por ele, através da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), criando o Sistema de Tecnologia Assistiva, que engloba sinalização de ônibus e táxi para pessoas com deficiência. A inovação consiste na programação das linhas de ônibus e táxis através de um sistema utilizando letras e números. Conforme o professor, através dessa tecnologia as pessoas com deficiência visual terão condições de acessibilidade aos transporte coletivos, sem nenhum transtorno.

O segundo palestrante, o analista de sistemas Claudinei Martins, da Fundação Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD) mostrou as opções tecnológicas que existem no mercado e que são excelentes ferramentas para garantir qualidade de vida às pessoas com deficiência. Entre as novas tecnologias, segundo Claudinei, destacam-se o telefone para surdos, o conversor texto/fala, o leitor de tela e o CISO (Central de Informação Surdo Ouvinte), um tipo de telefone público destinado especialmente aos deficientes auditivos.

O professor explicou que as operadoras de telefonia são obrigadas a disponibilizar este serviço, embora isso ainda não aconteça adequadamente no País. Segundo Martins, há hoje no mundo uma tendência para o chamado designer universal ou construção universal, que consiste em se criar tecnologias que sejam acessíveis em todos os níveis e a todas as pessoas, independentemente de terem deficiência ou não.

A pedagoga cearense Vera Lúcia Santiago, professora da Universidade Estadual do Ceará e pesquisadora do CNPQ, reportou-se a dois projetos pioneiros que estão sendo desenvolvidos por sua equipe na UECE, voltados para a tradução audiovisual, legendação e legendagem, audiodescrição, tradução audiovisual e ensino. Segundo a professora, o Grupo Tradução e Semíótica e o LEAD (Linguagem e Audiodescrição) trabalham com pesquisa de legendagem para surdos e audiodescrição para cegos. "Infelizmente, não existe registro desse trabalho no Brasil. Estamos fazendo um trabalho inédito, formando profissionais e dando acesso à população".

O penúltimo dia de debates foi concluído com a palestra do doutor em engenharia elétrica (orientação em Biomédica), pela USP, Daniel Gustavo Goroso. Ele também é líder da Rede de Inovação Industrial das Redes de Apoio ao Centro de Excelência em Tecnologia e Inovação em Benefício das Pessoas com Deficiência. Goroso falou sobre os vários conceitos de comunicação e sobre os sinais biológicos, neurociência experimental e computacional e via mecância.

Enviado por: Andréia Barros (SAC).

Fonte: Instituto Hélio góis

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