A ADVERJ E A AUDIODESCRIÇÃO

A Associação dos Deficientes Visuais do Estado do Rio de Janeiro – ADVERJ entra de maneira decisiva no mundo da audiodescrição.

Quantos de nós deficientes visuais não deixou de assistir a um filme por não ter ninguém que pudesse estar perto para descrever as cenas? Quantos de nós não foi obrigado a ligar para um amigo para que ele tirasse dúvidas sobre imagens de novelas ou programas televisivos cujas cenas ficaram incompreensíveis para as pessoas cegas por serem extremamente visuais?

Pois bem, o sonho de maior autonomia para assistir a esse tipo de programa, bem como a peças teatrais está se tornando realidade com o recurso da audiodescrição.

A audiodescrição é um recurso no qual um locutor descreve os ambientes, acontecimentos, expressões dos personagens e imagens que ocorrem nos filmes, programas televisivos e peças teatrais, dentre outros e visa à compreensão dos eventos por parte da pessoa com deficiência visual, de maneira autônoma, sem a necessidade de ter por perto alguém que enxergue para descrever o que está acontecendo.

Esse recurso aqui no Brasil tem pouco mais de 10 anos e vem se intensificando nos últimos anos devido principalmente ao Decreto 5296/2004 que obriga os canais de televisão a garantir a acessibilidade para as pessoas com deficiência tanto visual, quanto auditiva.

No que se refere aos deficientes auditivos, os recursos de acessibilidade nos programas televisivos está em um estágio mais adiantado e é composto de legendas ou de uma pessoa descrevendo em LIBRAS (Língua brasileira de sinais), as expressões faladas.

Há várias listas que discutem o assunto audiodescrição visando a criar um padrão que seja acrescido ao conjunto de normas que regulamentam vários assuntos, fazendo com que a audiodescrição tenha uma padronização básica.

O diferencial da ADVERJ nessa discussão é que ela está contribuindo para construir esse padrão, e o que é melhor, através de um trabalho científico.

Em maio de 2010, nossa associação foi convidada pelo Centro de Produção de Legendas (CPL) para participar de um projeto de pesquisa sobre audiodescrição aprovado pela FAPERJ (Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro). Este projeto consiste no envio de alguns "produtos" sejam eles filmes, comerciais, peças teatrais, dentre outros, para a ADVERJ que analisa a audiodescrição dos mesmos, indicando os pontos positivos, negativos e outras questões a partir de um roteiro previamente fornecido pelo Centro de Produção de Legendas.

Em resumo, o CPL produz as audiodescrições de diversas maneiras e a ADVERJ reúne um grupo de pessoas com deficiência visual ou não para assisti-los e dar um parecer por escrito com base no roteiro previamente estabelecido, tendo a liberdade de acrescentar outros dados que julgar necessários. Esse parecer é discutido pela instituição produtora da audiodescrição e as conclusões são aproveitadas no sentido de modificar as audiodescrições realizadas por ela, orientando outras produções.

O grupo reunido pela ADVERJ é constituido de cerca de 7 a 10 pessoas que se encontram uma ou duas vezes no mês. Fazem parte desse grupo: uma ou duas pessoas que enxergam normalmente, pessoas de baixa visão, pessoas cegas de nascença, pessoas com cegueira adquirida, pessoas com nível de instrução superior ou com pouca escolaridade. Tanto o CPL quanto a ADVERJ acreditam que quanto mais heterogêneo o grupo, maiores as chances do trabalho ficar mais acessível a todos e o produto atingir o universo maior das pessoas com deficiência visual.

A presença de uma pessoa sem deficiência visual é considerada de suma importância, pois ela observa as cenas que não foram descritas pelo audiodescritor, bem como percebe falta de sincronia entre as cenas do filme e a fala do audiodescritor. De posse do relato dessas pessoas, faz-se uma discussão se esses pontos são relevantes ou não para as pessoas com deficiência visual, se interferem na compreensão do filme e se por isso mesmo deveriam ou não ser descritos.

Marcelo Couto, um dos diretores do CPL sustenta a tese de que as pessoas com deficiência precisam do melhor trabalho possível na matéria audiodescrição. Em razão disso, elas devem ser ouvidas todo o tempo, pois somente elas vivenciam os problemas e, por isso mesmo, sabem o que é melhor para si.” Esse é o motivo principal para que a ADVERJ através de um grupo de deficientes visuais tenha sido convidada para ser parceira nesse projeto de pesquisa avaliando os trabalhos produzidos por essa instituição ou também os existentes as quais ela não foi a autora.

O Centro de Produção de Legendas trabalha a 12 anos com produção de acessibilidade para surdos nos programas televisivos, através principalmente de legendas e a metodologia de trabalho é sempre a mesma: fazer parcerias com instituições de pessoas surdas para que um grupo que vivencia a questão dê um parecer qualificado sobre as produções do CPL.

Além disso, o CPL realizou um curso sobre audiodescrição que contou com a participação especial do Diretor Alessandro Câmara visando a orientar os futuros audiodescritores sobre pontos a serem colocados no roteiro discutindo com os mesmos algumas lógicas inerentes à percepção de quem não enxerga.

Essa participação foi de 2 dias com 3 horas em cada um e, segundo Marcelo Couto, foi de extrema importância para que os futuros profissionais mudassem sua postura frente ao trabalho adequando melhor os roteiros.

Até o momento, o grupo da ADVERJ assistiu a três filmes audiodescritos: Central do Brasil, Lula, o filho do Brasil e Os Normais 2 e, pudemos tirar algumas conclusões fundamentais:

1) "Nada sobre nós sem nós". É de fundamental importância a participação de uma pessoa com deficiência visual que tenha o hábito de assistir filmes, seja no momento da elaboração dos roteiros, ou assistindo aos filmes depois de prontos antes de irem para o mercado;

2) Há uma diferença muito grande entre quem assiste a um filme por lazer e quem o assiste de maneira técnica, visando a observar a audiodescrição. No primeiro caso, a pessoa deficiente visual fica encantada e, com toda a razão, com a audiodescrição, pois por mais detalhes que faltem, em si, ela já representa um valor muito grande para nós, pois nos dá uma sensação de autonomia muito grande em relação a não se ter nada em termos do que é até agora. No segundo caso, perde-se um pouco o filme como lazer, mas ganha-se em qualidade no futuro, visto que contribui-se para identificar as imperfeições na audiodescrição.

O trabalho da ADVERJ vem sendo tão reconhecido que o Centro de Produção de Legendas vai distribuir trinta dvds com filmes audiodescritos a cem instituições de deficientes visuais de relevância em todo o Brasil, e, solicitou a ADVERJ que ajudasse a cadastrar as instituições para receberem esse kit.

Para maiores informações sobre esse cadastramento, entre em contato com Alessandro Camara de Souza através do e-mail camarasouza@gmail.com.

É a ADVERJ contribuindo para uma sociedade inclusiva com respeito à acessibilidade e à autonomia na busca da construção de um padrão científico para a audiodescrição de qualidade para todos.

Fonte: ADVERJ NEWS

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