“Rádio Chulé” é o primeiro espetáculo teatral que usa a audiodescrição no RS

No último sábado, assisti a uma peça infantil envolvente no Centro Cultural CEEE Érico Veríssimo. A Rádio Chulé é o primeiro espetáculo teatral que usa o recurso da audiodescrição no Estado. Eu também não sabia do que se tratava: um recurso disponível em peças, espetáculos de dança, filmes e exposições, que possibilita ao deficiente visual acompanhar e compreender todos os elementos presentes no palco ou na tela que lhe escapam.

Rádio Chulé

Os atores César Benites, Letícia Schwartz e Márcia Caspari integram o elenco do roteiro que envolve música, elementos clássicos do rádio, brincadeiras e poesia.

César conduz a programação da Rádio com voz e violão. Letícia dança e faz o papel da repórter/ atriz de rádio-novela atrapalhada, com um carisma incrível sobre as crianças, que não param um segundo durante a peça. Márcia faz a audiodescrição, fazendo breves intervenções durante o espetáculo, ressaltando elementos do cenário, a posição dos atores, se estão em cena ou não, a sua expressão facial…

O recurso, que normalmente seria oferecido através de fones de ouvido somente aos deficientes visuais e contaria com um profissional em uma cabine no teatro, longe dos olhos do público, aqui está a mostra, vestido com o figurino e fazendo parte real do espetáculo. “A gente optou por essa maneira, de ter alguém de figurino em cena junto, para conseguir colocar esse recurso de um jeito que não atrapalhe quem está enxergando (…) O teatro não tem fones disponíveis e uma produção do espetáculo não tem como bancar a locação dos fones. Vai ter que chegar o momento em que os teatros e os cinemas tenham esse equipamento disponível”, explica Letícia Schwartz, atriz e audiodescritora, que escreveu Rádio Chulé junto com o seu pai, o escritor e dramaturgo Jorge Rein (também um audiodescritor em formação).

Para Letícia, a audiodescrição avançou muito mais em São Paulo, onde há teatros e salas de cinema que já oferecem o recurso, similar à tradução simultânea. Estão nos planos da atriz a formação de parcerias aqui no Estado para desenvolver roteiros com a audiodescrição e trabalhar em peças que já estão em cartaz, mas admite que não há ainda nada encaminhado.“Estamos engatinhando”.

O PL 7671/2010, em tramitação na Câmara Federal, prevê a criação do Programa Nacional de Acessibilidade Cultural aos Portadores de Deficiência Ocular e Auditiva. O projeto de lei, de autoria do deputado Márcio França, pode preencher uma lacuna presente na legislação brasileira, ainda muito vaga e com metas pouco definidas quando o assunto é acessibilidade cultural. A lei obrigaria casas de espetáculo à disponibilização de fones de ouvido para deficientes visuais e textos descritivos para deficientes auditivos, para que todo o público possa acompanhar na íntegra o que está acontecendo no palco.

Nesse aspecto, o Sul é província sim.

www.radiochule.com.br

Fonte: Desviando de Rota

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