Reflexão sobre a formação de público de pessoas com deficiência

Visitação do público deficiente é escassa e, com isso, luta pela acessibilidade deixa de ser incentivada. Produtores culturais precisam entender que a formação de público de pessoas com deficiência passa, necessariamente, pela remoção de todos os tipos de barreiras, inclusive as da comunicação.

Alguns dias atrás, a Rede SACI publicou um artigo de Renata Andrade intitulado "Visitação do público deficiente é escassa e, com isso, luta pela acessibilidade deixa de ser incentivada".

Neste artigo, Renata incentiva a organização de grupos de pessoas com deficiência para a visitação da Mostra Paralelas 2010 e do Museu de Arte Sacra, de modo a fazer que os produtores destes eventos sintam-se reconhecidos pelos investimentos que realizaram para tornar estes espaços acessíveis e motivados para repetí-los em outros eventos.

Analisando a questão pelo ângulo dos produtores culturais, a Renata não deixa de ter razão, especialmente quando diz que vivemos novos tempos, mas existem outros ângulos que também precisam ser analisados.

Os ônibus precisam ter piso baixo ou plataformas elevatórias mesmo que passem semanas sem conduzir qualquer deficiente físico; todas as calçadas precisam ser rebaixadas mesmo que qualquer pessoa com deficiência jamais passe por alí; todas as ruas precisam ter linhas-guia e semáforos sonoros, não somente os locais próximos de hospitais, clínicas ou instituições especializadas na prestação de serviços para pessoas cegas; todos os serviços públicos precisam ter funcionários treinados na língua de sinais para atendimento das pessoas surdas; todas as escolas precisam ter currículos adaptados, professores e demais funcionários capacitados para receber alunos com todos os tipos de deficiência. Da mesma forma, todos os espaços culturais, públicos ou privados, precisam contar com audiodescrição, folhetos em braile, legendas, tradução para LIBRAS e arquitetura acessível. Estas são obrigações do poder público e da sociedade, e um direito das pessoas com deficiência.

Especificamente em relação aos eventos culturais realizados em cinemas, teatros, auditórios para a realização de palestras, exposições permanentes ou temporárias, os administradores públicos e os produtores culturais precisam compreender que as pessoas com deficiência sempre foram apartadas destes espaços, e que a formação de público, de qualquer tipo de pessoas, não é algo que vai acontecer do dia para a noite. Somente com a disponibilidade permanente de acessibilidade plena nestes locais é que as pessoas com deficiência passarão a frequentá-los regularmente.

Portanto, precisamos sim organizar grupos que incentivem as pessoas com deficiência a frequentarem estes locais, como têm feito o Movimento Livre e os Amigos Prá Valer nos eventos com audiodescrição, mas o objetivo destes grupos não pode ser o de simplesmente satisfazer egos e justificar investimentos em acessibilidade. O objetivo primordial dos grupos deve ser o de promover o enriquecimento cultural das pessoas com deficiência, pois só assim passarão a apreciar visitas a museus, teatros, cinemas, etc, até que, depois de alguns anos, sintam-se motivados a visitá-los por iniciativa própria.

Paulo Romeu

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