Curso em SP ensina técnicas fotográficas para cegos

Com apenas 5% da visão, Teco Barbero, 29, é editor de texto de um jornal de Sorocaba, já morou sozinho na Itália e fotografou a campanha publicitária da Associação Desportiva para Deficientes.

Para quem se espanta em saber de sua carreira fotográfica, Barbero responde: "eu uso os outros sentidos, como tato, audição e até olfato, para compor a imagem.".

Jornalista formado e fotógrafo amador desde 2002, ele começa agora a dividir o que aprendeu com a fotografia nos últimos anos em um curso gratuito ministrado na Casa de Cultura da Brasilândia.

O projeto 24 Horas de Olhar Universal, promovido pela secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência em parceria com a Fundação Stickel, dá aulas de fotografia para 18 pessoas, metade com deficiência visual.

Barbero, que tem como principal referência o fotógrafo e filósofo esloveno Evgen Bavcar, cego desde os 12, vai dar as aulas práticas, em que o tato, o olfato e a audição têm papel mais importante do que a visão.

A ajuda de amigos ou parentes sem deficiência também é fundamental. Por isso, o curso vai colocar lado a lado cegos e pessoas sem problemas de visão.

No curso, Fred Martins, 31, técnico em artes gráficas desempregado, visão perfeita, teve uma leve sensação de como é a vida no escuro. Em um dos exercícios, os alunos tiveram os olhos vendados para aprender a usar a audiodescrição. "Dá uma sensação de dependência e um pouco de medo, por não saber o que exatamente está acontecendo", disse Martins.

A aluna Ersea Alves, 56, não enxerga há dez anos, mas nunca deixou de fotografar. "Gosto de registrar os momentos importantes da minha vida, nem que seja para mostrar para os outros".

A primeira turma termina em dezembro com uma exposição. Juan Esteves e Arnaldo Pappalardo também darão aulas no curso. Em fevereiro, começa a segunda turma. As inscrições podem ser feitas pelo e-mail: dauler@sp.gov.br.

por Letícia de Castro

Fonte: Folha de São Paulo

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