Depoimento de pessoas com deficiência visual sobre o recurso de acessibilidade da audiodescrição

Pessoas cegas descrevem sua emoção ao assistirem os filmes apresentados nas sessões acessíveis do Festival Cinema BR, em Campinas.

Enviados por Bell Machado – Audiodescritora da Vez da Voz e do Ponto de Cultura Cinema em Palavras / Centro Cultural Louis Braille de Campinas, SP.

Depoimento de Emmanuelle Lopes Garrido Alkmin Leão manu78@uol.com.br

Minha experiência com a audiodescrição teve início quando assistia a uma peça teatral, em que uma das cenas era apenas coreografada. Surpreendi-me pelo fato de ter reações equivalentes e simultâneas às das outras pessoas da platéia.

O aconchego, a cumplicidade, a ausência do "vazio" musical, apenas foi possível a partir da descrição da dança, ao mesmo tempo em que ela acontecia.

A audiodescrição permite que cegos e videntes compartilhem, efetivamente, em tempo real as emoções produzidas por um filme, uma peça teatral, uma propaganda, etc. Elimina o "vazio musical" em que a platéia assiste imagens, e os cegos ouvem apenas a música; e Permite a aquisição de conhecimento quando descreve slides existentes em uma apresentação ou treinamento; Permite, enfim, que cegos tenham sua "visão de mundo" ampliada, com a formação de conceitos a partir de informações de expressão facial, nuances de cenário, cores, que, por outro meio, talvez nunca chegassem a ter conhecimento.

Entendo que seja inerente ao conviver, a possibilidade de sorrir ou chorar juntamente com todos ao meu redor numa sala de cinema, em razão de uma cena em que as imagens falam mais que as palavras. Por vezes, a audiodescrição torna-se imprescindível para o entendimento de um filme ou para ampliar a compreensão deste, sendo, portanto, um elemento necessário quando falamos de um "cinema para todos".

Em outros termos eu gostaria de ter a possibilidade de sair de uma exibição cinematográfica conversando com um amigo que enxerga sobre o interessante jogo de baseball no filme crepúsculo (apenas musicado); ou, conversar sobre a propaganda do ultimo lançamento da marca tal (apenas musicada), ou ainda, apenas sorrir juntamente com todos os expectadores ao meu redor, numa comédia.

Por fim, eu gostaria de ter o direito de assistir o "Lago do Cisne", e não contentar-me apenas em ouvir as fantásticas músicas que compõe o balet.

A audiodescrição, portanto, a meu ver, está intimamente ligada a dignidade da pessoa humana, constituindo, portanto, um direito fundamental, vez que permite em ultima análise, o acesso a arte, conhecimento e cultura, e o compartilhar de emoções e existências, o que deveria ser inerente a todos nóss.

Depoimento de Jean Braz / Jean.braz@yahoo.com.br

Para muitos, assistir um filme é muito fácil: basta ligar a TV, colocar um DVD, ir ao cinema, acessar a internet, sentado na sala de aula ou com os amigos, e pronto. Olhar para tela e ter áudio em português, ou até mesmo em outro idioma, com a presença de legenda é o suficiente para garantir a diversão ou a tarefa proposta por um professor. Porém, para as pessoas com deficiência visual, alguns detalhes não são tão evidentes, em especial aqueles nos quais as cenas ficam mudas, ou os atores se valem de caras e bocas. Ainda que essa pessoa com deficiência visual tivesse de descrever apenas o traje de um dos atores, isso se tornaria impossível, se esse detalhe não fosse dito num momento do filme, ou se não existisse o maravilhoso recurso de audiodescrição, que faz desse momento um momento único, garantindo que essas pessoas também tenham mais detalhes para, assim, compor sua compreensão diante de cenas tão cheias de minúcias.

É difícil destacar um único filme diante de tantos que assisti graças ao trabalho da Bell Machado, mas um dos que me marcou foi o filme "A corrente do bem".

Poder ter assistido a esse filme, tendo a descrição de cada cena me fez querer cada vez mais, formar uma "corrente" de pessoas, que possam fazer audiodescrição, como por exemplo, nas salas de cinemas, nos teatros, na TV e onde mais que se faça necessário que este recurso esteja presente.

A narração objetiva, e não interpretativa por parte do audiodescritor, garante que o espectador cego, tenha total possibilidade de compreender cada momento, passagem e também se emocionar à medida em que o filme é projetado, como por exemplo neste filme citado, quando as pessoas formam uma corrente e cantam, após a sua triste morte.

Compreender a história é normal para uma pessoa cega, porém, a audiodescrição é o complemento que falta para que cenas tão visuais deixem de ficar no imaginário e passem a ser reais para essas pessoas que necessitam desse recurso.

Depoimento de Evandro Chequi / evandro.chequi@sp.senac.br

Algo surpreendente surgiu para sofisticar a interação de pessoas com deficiência visual no instante de poder compreender filmes em cinemas e televisão. Antigamente essas pessoas, não tinham interação sobre ocorrências que aconteciam em uma determinada cena no filme. Hoje podemos ter acesso como qualquer pessoa que queira desfrutar de um bom filme, por meio de pessoas videntes, que narram imagens dispostas nas cenas. Essas necessidades estão sendo supridas por projetos desenvolvidos por pessoas interessadas em incluir cidadãos com desejos de rir, se divertir, como qualquer pessoa na sociedade. Isso vem como um vapor alavancando um índice estampado, cada vez mais, em uma inclusão audiovisual, que não existiam para pessoas cegas, devido a falta de informações dentre os videntes.

Esse paradigma está sendo diluído por evoluções de narradores que estão desempenhando um papel importante para uma nova conexão audiovisual.

Como levamos a alto pico o nosso pensamento, conseguimos criar formas para melhor comunicação verbal e, dessa forma surgiu a audiodescrição. Nesse instante posso até descrever filmes que pude presenciar devido a esse recurso. Graças a esse desenvolvimento, posso dizer sobre a interação ao dialogar com outras pessoas, em uma determinada cena de um filme, uma novela e a própria inclusão em sala de aula, através de filmes educacionais.

Hoje posso afirmar que tenho 30% de acesso em filmes, devido a esse crescimento, no Brasil. Eu fiquei tão alegre ao assistir um filme com audiodescrição, que me senti possuído por uma real imaginação, sobre os acontecidos de cada capítulo. Agora posso ter uma noção concreta das imagens de um filme.

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