Audiodescrição: motor de inclusão cultural

Motor de Inclusão: Nos últimos anos temos visto a audiodescrição impulsionando pessoas com deficiência visual a se incluírem na programação cultural das cidades pelo Brasil à fora. Não tenho dados oficiais, mas acredito que a média de ida a cinemas, teatros ou exposições por deficientes visuais tem superado a média nacional de alguns anos atrás.

Motor de Inclusão: Figura mostra no centro as letras A e D, que são o símbolo da audiodescrição em um fundo preto. No canto superior esquerdo há um ícone de um museu, no canto superior direito um ícone do teatro (duas máscaras, uma triste e outra alegre), no canto inferior esquerdo, uma claquete representando o cinema e do canto inferior direito uma televisão.

Esse fenômeno se dá exclusivamente a audiodescrição? Será que as iniciativas de Associações e Instituições de levarem grupos à esses espaços culturais estão dando resultado? Projetos como o da Vivo implantado no Teatro Vivo, acolhido pelo Teatro São Pedro e pessoas como Lívia Motta e Paulo Romeu Filho (www.blogdaaudiodescricao.com.br/) que dedicam boa parte de seu tempo à incentivar e divulgar a Audiodescrição, acendem uma luzinha de alerta aos órgãos públicos que, por sua vez, pelo menos aqui na cidade de São Paulo, criam, feiras inclusivas e mais recentemente a virada inclusiva?

Acredito que o último elo de ligação entre o deficiente visual e a cultura inclusiva é (ou era) a audiodescrição. De que adiantaria transporte público adaptado, acessibilidade arquitetônica e atitudinal, se ao chegarmos a um teatro, nele não houvesse audiodescrição? No entanto, vale a pena passarmos por todas as dificuldades, e falta de acessibilidade, para desfrutarmos de um evento audiodescrito.

Inclusão Cultural, é necessidade de todos, e não apenas dos deficientes visuais.

Motor de inclusão

Para mim, Cultura é tudo aquilo que a sociedade, através de indivíduos ou grupos, manifesta ou compartilha como: sentimentos, ideais, costumes, necessidades e informações. Ora, se cultura resumidamente é isso, por que raios existe tantos projetos de inclusão cultural para minorias? Por que existe a tal da cultura inclusiva?

Penso que antes de falarmos sobre cultura inclusiva, é necessário falarmos sobre cultura de inclusão, já que nossa sociedade tem a cultura (olha ela aí se definindo pra gente!) de impedir à algumas pessoas, o acesso à determinados grupos da mesma sociedade, grupos esses, que se formam aos montes por aí em torno de um ideal, e agindo assim, se estabelece a exclusão. Puxa vida, de que adianta criarmos um grupo de deficientes visuais para lutar pela inclusão, se não trouxermos à esse mesmo grupo, todos os tipos de pessoas com ou sem deficiência?

A cultura de inclusão vem antes da cultura inclusiva. A primeira, por si só elimina a segunda e assim, a cultura não precisará ser mais adjetivada. Cultura de inclusão é uma sociedade acostumada e preparada para o diferente.

Tá na hora de ligar o motor de inclusão

Então, tá! Saindo dessa minha civilização Ideal, o que temos na realidade? Temos espaços culturais como museus, teatros e cinemas, sendo visitados e consumidos por poucos – cultura de exclusão. Nós, os deficientes visuais, temos um veículo muito importante de inserção nesses espaços. A Audiodescrição, você deve estar pensando. Não, nosso veículo é a informação.

Com um veículo tão forte assim, você precisa de um motor potente e nosso motor de inclusão é a Audiodescrição. Exija esse recurso em todos os eventos que participar, converse com os Audiodescritores, sugerindo, criticando e passando uma visão geral sobre o evento. Não deixe que terceiros falem por você.

Deficiente visual bem informado é o primeiro passo para uma cultura de inclusão. Uma cultura de inclusão, nesse caso, se faz com audiodescrição. A audiodescrição por sua vez é o motor de inclusão, impulsionador, o elo de ligação entre a cultura e o deficiente visual. Deficiente visual participante da vida cultural de sua cidade é mais que um deficiente bem informado, é um cidadão pleno, o que pode nos levar à um bom ciclo vicioso.

por Ricardo De Melo

Fonte: Movimento Livre

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