Centro Cultural de São Paulo debate a acessibilidade em museus

Debate sobre acessibilidade em museus no CCSP

No dia 18 de outubro, o Centro Cultural São Paulo (CSSP) promoveu o debate sobre as questões relacionadas ao acesso à cultura para pessoas com deficiência. O tema foi debatido pela museóloga e educadora de museus da Pinacoteca de São Paulo, Amanda Tojal, e pela especialista em Museologia da USP, Viviane Sarraf. A discussão foi mediada por Ricardo Resende, diretor do Centro Cultural São Paulo.

Os integrantes chamaram a atenção para a necessidade de políticas públicas ao acesso à cultura. Resende destacou o programa desenvolvido pelo CSSP, que garante condições de acesso a cadeirantes, pessoas com deficiência visual, auditiva e portadores de necessidades especiais.

A discussão iniciou com a seguinte pergunta: "Como pensar em acessibilidade em museus?".

Amanda Tojal abriu o debate fazendo uma reflexão sobre os portadores de deficiência física, em especial os deficientes visuais, que se relacionam com obras de arte em museus.

"Não é uma tarefa muito fácil, pois os museus já são repletos de barreiras por uma natureza histórica", afirmou a museóloga. "Muitas dessas instituições estão hoje em prédios históricos tombados pelo patrimônio cultural. A linguagem, muitas vezes, também não é acessível. Uma pessoa com deficiência visual acaba enfrentando mais dificuldades em usufruir do patrimônio perto de uma pessoa que não tem a deficiência", explica a educadora.

"As etiquetas com identificações nos museus geralmente possuem letras bem pequenas. Não podemos nos esquecer também do público idoso, que em muitos casos tem dificuldade em enxergar, das pessoas com baixa visão e também das crianças que estão no período de alfabetização", diz.

Viviane Sarraf complementa o argumento da museóloga dizendo que para promover acessibilidade em museus é necessário que o local esteja cercado por Braille, o sistema de leitura com o tato para os cegos. Já para os surdos, a especialista sugere a utilização de um guia treinado em linguagens de sinais, método também conhecido pelo nome de Libras.

Vale lembrar que, facilitar o acesso às informações de forma simplificada para esse público é fundamental para o bem estar dos deficientes. É importante também que os museus, como instituição, convivam com as "diferenças" de uma forma aberta, livre de qualquer preconceito.

Um exemplo a ser seguido está na cidade do Rio de Janeiro. O Museu Histórico Nacional, desde o ano de 1990, recebe seus visitantes com total acessibilidade no local. Tanto é que hoje, a instituição confere o selo Acessibilidade Nota 10, certificada pela Comissão de Defesa da Pessoa Portadora de Deficiência da ALERJ. Aos poucos, as instituições começam a brilhar nesse cenário e conscientizar umas as outras.

No exterior, o assunto já é tratado com um pouco mais de cuidado. Em Londres, na Inglaterra, o museu Tate Modern oferece para os deficientes visuais um recurso auditivo de identificação de obras, além das etiquetas em Braille. Para os deficientes auditivos o museu disponibiliza de Palmtops. O visitante escolha uma determinada obra e assiste ao vídeo com um intérprete de Libras.

Em Madri, capital da Espanha, o Museo Tiflológico está localizado o único museu no mundo totalmente adaptado para portadores de deficiência visual. O local pertence à Organização de Cegos da Espanha e possui equipamentos tiflológicos como a reglete (processo de escrita em Braille).

"A descrição é a arte de transformar imagens e palavras, emoções e percepções e isso é importante para o deficiente visual. Nesse processo, é essencial ir além da narração, trazer emoção à pessoa", explica a museóloga e educadora Amanda Tojal em suas palavras finais no debate realizado no Centro Cultural São Paulo.

Fonte: Mais Acesso

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