Especialmente ‘com menos silêncio em frente a televisão’!

Há pouco mais de duas décadas e meia havia terço duas vezes ao ano. A família toda se reunia em junho para celebrar São João e todos os outros santos da época, e novamente em dezembro, todos nós, tios, primos, irmãos, pais e mães rezávamos o terço na noite da véspera de natal.

Confesso que quando pequeno não via a hora de chegar ao último mistério gozoso, o que sinalizava que em breve a reza terminaria, e lá íamos todos para a festa; se junina à beira da fogueira, se de Natal, para a troca de presentes de amigo secreto.

Das festas juninas lembro pouco. Havia um mastro, fogos, muita comida gostosa, pinhão, milho assado, batata doce e um simpático jardim que minha avó mantinha sempre belo e colorido.

Com a perda da avó Caína nos meados dos anos oitenta, foi-se também o terço e a festa de meio de ano. Ela era matriarca de oito irmãos, e uma espécie de pilar que simbolizava toda uma união que parecia jamais ter fim, ao menos no que dependesse dela.

O presépio montado logo no começo de dezembro na casa da tia Luzia, (tia Zia) como gostamos de chamar, no entanto, até hoje é construído do mesmo jeito. Bambus, serragem, vaquinhas, os reis magos e todo o contexto do nascimento do menino Jesus, se configuram em um cenário que por si só anuncia que dia vinte e quatro tem terço, trazendo a cada ano a mensagem clara de que a festa tem que continuar.

Além da avó Caína, mais alguns já se foram.

Graças ao milagre da vida, muitos outros estão chegando, e esse ano espero apresentar o presépio a minha recém nascida filha Catarina. Não tenho dúvidas que vou me emocionar, como tantos outros familiares que fizeram o mesmo a seus filhos. Juntos: eu, minha esposa, meus pais, e todos os outros, vamos oferecer a ela um momento único, somente possível de se repetir até então graças a um amor incondicional, consolidado e reafirmado de geração para geração.

Compartilho esse momento pessoal que aguardo com ansiedade e alegria, como forma de desejar a todos um Feliz Natal e um grande 2011. Também esse é um jeito simples, porém sincero, de dizer obrigado a todos aqueles que tem acompanhado e apoiado minha caminhada até aqui. Alunos, leitores, colegas de trabalho e de movimentos de luta, conselheiros, familiares, amigas e amigos.

Desejo um 2011 com menos shopping e vitrines, e quem sabe mais piqueniques e passeios no parque. Menos silêncio coletivo em frente à TV, e mais bate-papo na cozinha ou em qualquer outro espaço bom de jogar conversa fora.

Podemos ter um ano verdadeiramente novo, com menos intolerância e mais respeito às diferenças.

No meu primeiro natal como papai, peço ao também Papai Noel, que nos traga saúde, paz e energia para continuarmos a construir um mundo mais justo e verdadeiramente humano!

Boas festas!

Por Carlos Ferrari

Fonte: blog de Carlos Ferrari

Mais sobre audiodescrição
Grande parte dos projetos culturais é realizada via leis de renúncia fiscal, ou seja, com
O Observatório da Imprensa da última terça-feira debateu a prevista falta de acessibilidade durante a
O mais recente artigo de Izabel Maior, sobre o silêncio incompreensível , foi como a


Mais sobre audiodescrição
Grande parte dos projetos culturais é realizada via leis de renúncia fiscal, ou seja, com
O Observatório da Imprensa da última terça-feira debateu a prevista falta de acessibilidade durante a
O mais recente artigo de Izabel Maior, sobre o silêncio incompreensível , foi como a