Frescor experimental no palco

"Alunos de teatro montam peça como trabalho de conclusão de curso".

Vamos lá: se você não é apaixonado por artes cênicas, interessado em experimentações, e não é parente de nenhum desses alunos, provavelmente não vai se sentir atraído por esta notícia. Sim, porque geralmente os atores ainda são amadores, não há muitos investimentos na produção, o figurino e o cenário são pobres. Certo? Bom, neste caso específico, errado. Primeiro porque a montagem A morte do artista popular, que estreia hoje no Teatro Marco Camarotti, leva duas assinaturas importantes: a do diretor Antonio Edson Cadengue e a do Sesc, instituição que tem dedicado investimentos significativos ao teatro na cidade.

Segundo porque é o próprio Cadengue, que fala da montagem com o mesmo entusiasmo e paixão que dedicou a sua última peça, Lágrimas de um guarda-chuva, com atores já experientes (´uma paixão até maior, porque o grau de experimentação é mais amplo.

Tenho uma liberdade maior do ponto de vista da criação), que faz a propaganda dos alunos.´"em todos os professores gostavam deles. Depois fui trabalhando e entendendo o porquê. Eles têm uma bagagem cultural ampla, querem falar, participam mesmo. São instigantes". Na turma estão, por exemplo, os integrantes do grupo de improvisação Os embromation -Evilásio Andrade, Mauro Monezi e Tiago Gondim, que lotavam o Teatro Joaquim Cardozo sempre que anunciavam mais uma temporada do seu espetáculo, e o performer Biagio Pecorelli.

Para que a peça pudesse aglutinar tantas referências distintas, Cadengue fez uma encomenda. Pediu ao professor e crítico Luís Augusto Reis, que acompanhou alguns experimentos cênicos dos alunos, que escrevesse um texto para o grupo. "Já queria escrever essa peça, mas era para cinco atores. Reformulei então para 12, sem papel predominante. E fala de um tema velho, o mal-estar do ser humano e da sua racionalidade, que se expressa através da burocracia", diz, sem adiantar muito o enredo da montagem. Luís Reis explica ainda que a peça ganhou uma roupagem de um certo "cânone contemporâneo". São 12 quadros, numa narrativa fragmentada, que coloca em cena questionamentos sobre o papel do ator e da arte e as políticas públicas atuais, por exemplo. "Tem essa capa bem arrojada, mas tem começo, meio e fim", brinca Reis.

Ainda são acrescentadas à montagem outras contribuições fundamentais. A cenografia é de Doris Rollemberg; os figurinos e maquiagem são de Adriana Vaz; a trilha ficou por conta de Eli-Eri Moura; a iluminação recebe assinatura de Naná Sodré e Agrinez Melo; a coreografia e preparação corporal são de Paulo Henrique Ferreira; e a preparação vocal, de Leila de Freitas. (Pollyanna Diniz)

Serviço

A morte do artista popular

Quando: de hoje até segunda-feira, sempre às 19h. Reapresentações nos dias 10, 11, 12, 15 e 19 de dezembro / As sessões dos dias 12 e 15 de dezembro contarão com recurso de áudio-descrição, para pessoas com dificuldades ou deficiências visuais

Onde: Teatro Marco Camarotti, Sesc Santo Amaro

Quanto: Entrada gratuita

Informações: (81) 3216-1728.

Fonte: Diário de Pernambuco

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