“Nossa Luta a Cada Dia”: a acessibilidade deve ser plena para as pessoas com deficiência

A data de 21 de setembro é considerada o dia Nacional de Luta pela inclusão das pessoas com deficiências. Que bom termos a possibilidade de colocarmos este tema em destaque!

Sem dúvida, há muitas conquistas pelas quais nós, que temos alguma deficiência, ainda precisamos lutar, e há muitos obstáculos que necessitam ser superados, sobretudo no que se refere à nossa inserção em ambientes educacionais e no mercado de trabalho.

Mas, dentre todas estas reivindicações, há uma luta que é essencial, e que sintetiza todos os nossos esforços: a luta para que a acessibilidade seja um conceito pleno, isto é, para que ela atinja todas as esferas da vida.

Hoje em dia, felizmente, os temas relativos ao universo das pessoas com deficiências têm sido mais amplamente disseminados. A mídia tem concedido um maior espaço para que esse assunto seja enfocado, e, por conseguinte, a população tem demonstrado uma maior receptividade a essa temática. Ações e eventos em prol das pessoas com deficiências tendem a ter uma grande repercussão, e constituem inclusive objetos de curiosidade para aqueles que não estão habituados a tal universo.

Entretanto, notamos que a acessibilidade ainda está associada a acontecimentos esporádicos ou factuais. Podemos exemplificar este dado a partir da realidade das pessoas cegas. Frequentemente, comemora-se a publicação de um determinado livro em Braille, ou a existência de audiodescrição em um certo filme, ou a colocação de piso tátil em algum local específico. Estas são, com certeza, iniciativas louváveis, que visam contemplar algumas de nossas necessidades. Porém, embora devam ser recebidas com alegria, elas consistem em iniciativas pontuais, que não atingem a raiz do problema.

Não basta que um único título seja publicado em Braille. Nós, que somos cegos, precisamos ter o pleno acesso à leitura, e a liberdade para escolhermos os livros que queremos ler. Não basta que um filme seja audiodescrito; precisamos ter o direito à audiodescrição garantido em todas as salas de cinema e em toda a programação televisiva. Não basta que algum lugar restrito tenha piso tátil; precisamos de condição para nos locomovermos com segurança e autonomia em todo e qualquer lugar.

A construção de um mundo verdadeiramente acessível implica em uma mudança na concepção a respeito da acessibilidade. Esta mudança requer que o conceito de acessibilidade deixe de ser interpretado como uma demanda pela criação de condições especiais. Assim, as pessoas com deficiência não necessitam de educação especial, ambientes especiais, publicações especiais, eventos especiais. O mundo será plenamente acessível quando as iniciativas em prol dessa população saírem do campo "especial", e caminharem em direção a um paradigma realmente inclusivo. Quando a palavra "especial" for definitivamente removida do vocabulário relativo ao universo das pessoas com deficiências, estaremos de fato tratando sobre acessibilidade.

Então, nesse dia 21 de setembro, poderíamos traduzir nossos anseios em uma única mensagem: Nós que temos alguma deficiência somos pessoas tão especiais como quaisquer outros seres humanos, à medida que, tal como as outras pessoas, temos direito a uma vida plena. E é por ela que diariamente desejamos lutar!

Fonte: Cosmo OnLine

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