Fotografias audiodescritas no site da MIDIACE

A exposição Olhar do Coração da fotógrafa cratense Jaquelina Rolim expressa de uma forma simples e marcante a sua percepção do mundo. As fotografias audiodescritas trazem imagens de lugares, pessoas e situações que nos remetem à sensações de tranqüilidade, quietude e vida. Carregam em si muita luz, cor e poesia. São imagens oferecidas diariamente e que muitas vezes passam desapercebidas para a maioria das pessoas.

O trabalho de Jaquelina traz sentimento. Com sensibilidade ela constrói suavidade, escrevendo luz, materializada em fotografias audiodescritas. A exposição tem proposta de inclusão. As fotos tem relevo e os textos em Braille para que as pessoas possam tocar e senti-las. Precursora da luta pela inclusão das pessoas com deficiência visual na região do Cariri, Jaquelina vem mostrar, em sua primeira exposição artística, a necessidade de se trabalhar com o foco voltado para as potencialidades dos indivíduos, independente de sua condição e não preestabelecer ou medir suas incapacidades ou impedimentos.

Massoterapeuta, Jaquelina Caldas Rolim de Oliveira, possui uma deficiência conhecida como baixa visão, quando há uma perda gradual da visão na área central da retina e o indivíduo passa a enxergar apenas com sua visão periférica. Começou a fotografar a partir da experiência que adquiriu quando concluiu o curso básico de fotografia digital, promovido pelo SENAC Crato em Junho de 2008.

Rodrigo Campos: A exposição Olhar do Coração já ocupou as galerias do SESC Crato em Ceará, visitou o Dragão do Mar em Fortaleza e por último, a cidade de Araxá/MG. E os convites não param por aí. Qual tem sido o retorno recebido por você pelos visitantes da exposição?

Jaquelina Rolim: Foram vários depoimentos que eu obtive e foram só respostas positivas, porque assim como eles são deficientes visuais eu também sou. Eu sei qual é a importância de um contraste, eu sei a importância do que é um relevo e a importância das cores. E meu trabalho fotográfico é voltado para esta questão da deficiência visual.

Rodrigo Campos: Esta cultura, de se freqüentar cinema, teatro, museus é ainda muito recente para os deficientes visuais. Que ações, no seu ponto de vista, podem fortalecer este hábito?

Jaquelina Rolim: Exatamente isto, essa questão da acessibilidade. Quando se oferece a acessibilidade, aí não tem outra resposta a não ser esta, levar os deficientes. Meu primeiro objetivo foi este, levar os deficientes às galerias de arte, uma coisa que tem que ser oferecida na cultura e arte.

Rodrigo Campos: Dimang, como foi ensinar fotografia para uma pessoa cuja deficiência refere-se justamente ao olhar, que é a ferramenta de trabalho número um do fotógrafo?

Dimang Kon Beu: Na questão da Jaquelina não foi muito difícil porque ela já tem um talento, uma sensibilidade fantástica e porque ela gosta da fotografia. Além do que, isto me remete a famosa frase de Henri Cartier Bresson, de que fotografar é colocar na mesma linha de mira, cérebro, olho e coração, portanto, eu apenas relembrei a Jaquelina de que com os olhos do coração é possível também fazer ótimas fotografias. E depois o passo do ajuste da câmera e tal, a gente recorreu a conhecidos da Jaquelina que estavam perto para poder ajudar a dizer onde estavam determinados botões ou dispositivos para poder fazer os ajustes.

Rodrigo Campos: Jaquelina, quais foram as dificuldades encontradas e como vocês as superou?

Jaquelina Rolim: A dificuldade maior era exatamente a deficiência visual. Eu tenho uma fotografia que remete justamente a esta questão da deficiência. A fotografia é um barquinho preso nas estacas. E eu era esse barquinho. Não me considero mais. A deficiência passou a ser apenas um detalhe na minha vida. Então eu superei porque as dificuldades, eu também percebi, que são para todos. E eu estou aqui exatamente para desafiar estas dificuldades.

Rodrigo Campos: A exposição conta com os recursos da audiodescrição, da legenda em Braille, mas você encontrou na técnica da fotografia em relevo a forma de permitir ao próprio deficiente visual interpretar estas imagens. Como e onde você buscou esta técnica?

Jaquelina Rolim: Na internet, através da pesquisa. Encontrei o professor João Kulcsar , professor do SENAC de São Paulo que me ajudou com bastante dicas. A técnica é dele.

Rodrigo Campos: Voltando a falar da audiodescrição, quem fez a descrição das fotografias?

Jaquelina Rolim: A audiodescrição foi feita por uma grande amiga, Fran, que tem formação musical. Eu não teria outra pessoa indicada com este talento para música.

Fotografias: acesse o site da Midiace para ver e ouvir as fotografias audiodescritas da Exposição Olhar do Coração.

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