Seminário de Introdução à Audiodescrição em Espaços Museológicos no Dragão do Mar

Para muitos pode parecer praticamente o fim de uma vida em sua “normalidade”. Para outros, apenas o princípio para uma longa e difícil caminhada para outras conquistas. Por razões e elementos múltiplos, capazes nutrir páginas e mais páginas de estudos sobre a complexidade do pensar e do ser brasileiro, as questões que envolvem o tema da acessibilidade a todos os cidadãos – e aqui as atenções se voltam com motivo para as pessoas com algum tipo de deficiência -, ainda são desenvolvidas e discutidas a passos lentos em uma terra onde muitos esperam.

Quando se pensa especificamente no caso da deficiência visual, seja ela total ou parcial, o buraco parece ficar ainda mais embaixo, principalmente quando se analisa e se percebe o quão enraizados estamos no que poderíamos chamar de uma "cultura da imagem".

Em mais um de seus esforços que procuram discutir e propor ações sobre o tema da acessibilidade – envolvendo não apenas viabilizar fisicamente o acesso a espaços, mas tornar possível a comunicação e o acesso a informações por todos -, o Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, por meio do Núcleo de Mediação Sociocultural do Memorial da Cultura Cearense (MCC), tem realizado ao longo desta semana (14 a 18 de fevereiro) o Seminário de Introdução à Audiodescrição em Espaços Museológicos, onde se debruçou sobre uma importante ferramenta capaz de ajudar e proporcionar a inclusão de milhões de pessoas com deficiência visual.

Segundo o professor e orientador do seminário Dr. Francisco José de Lima (UFPE), a Audiodescrição é a “tradução visual das imagens em palavras”, em um processo de verbalização de eventos visuais e (eventualmente) textos. Trata-se de uma ferramenta que permite a inclusão e o acesso a informações por pessoas com deficiência visual a produtos culturais como cinema, teatro, programas de televisão, entre outros.

Criado pelos idos dos anos 70, segundo o professor, o recurso nasceu como uma forma de atender a pessoas com deficiência visual, total ou parcial. No entanto, no decorrer dos anos, a ferramenta foi tomando outras potencialidades, levando informações a pessoas cegas, com baixa visão, além daqueles que têm dislexia ou são analfabetos.

Dia a dia

Na prática, entre informações de ambiente, figurinos, expressões faciais e outros detalhes, a Audiodescrição apresenta informações compreendidas visualmente por meio de conteúdo gravado ou realizada simultaneamente, sem atrapalhar a fruição do áudio original das produções. No caso específico da televisão, a Audiodescrição pode ser viabilizada por canal independente de áudio (SAP) na TV analógica, ou por seleção rápida na TV digital, da mesma forma como se seleciona o idioma em um DVD. A tecnologia está aí”, assim como a demanda social e um nicho de mercado potente, defende Fco. José de Lima, ao citar como a ferramenta pode ser usada a favor da publicidade, por exemplo.

Além do acesso à arte e à cultura em suas diversas possibilidades, as técnicas da Audiodescrição trazem notáveis contribuições no cotidiano de pessoas com deficiência visual. No caso de crianças, o Prof. Dr. Fco. José de Lima explica que a ferramenta possibilita o acesso a informações de ambiente não-táteis ou não-percebidas, em um processo de aprendizado constante onde informações sobre vocabulário, descrições de expressões, convenções sociais e sobre os diversos campos ensinados em sala de aula são apenas uma parte do que pode ser explorado.

Audiodescritor

Sobre o papel do audiodescritor ou tradutor visual, o professor afirma que a objetividade é elemento imprescindível do processo, de forma a evitar ruídos de comunicação ou transportar qualquer juízo de valor por quem exerce esse papel. Por meio de intervenções que devem provocar o máximo de construções imagéticas, o objetivo é dar todas as condições para que o ouvinte decida “por si só”, de forma a apreciar e chegar à estética de um produto artístico. Trata-se, segundo ele, do ponto central da Audiodescrição.

Além de apresentar essas diretrizes, modos e cuidados aos educadores e profissionais de museus e centro culturais – público principal do Seminário de Introdução à Audiodescrição em Espaços Museológicos realizado no MCC -, o professor ressalta ainda a importância de o museu poder agregar esse tipo de inquietação a seu espaço, ampliando o alcance de seu público, aumentando possibilidades de lazer a pessoas socialmente excluídas, facilitando o acesso e a pesquisa na área de artes a pessoas com deficiências e, principalmente, divulgando a Áudiodescrição pelo aspecto prático. “Se Maomé não vai à montanha, a montanha vai até Maomé…”, brincou o professor, referindo à importância de ações como a do Memorial da Cultura Cearense (MCC) em âmbito regional e nacional.

Por lei

Apesar de um desconhecimento por grande parte dos brasileiros sobre o assunto, a utilização da Audiodescrição é obrigatório por lei em várias instâncias, baseado no direito do cidadão ao acesso e à igualdade de condições. Por meio de lei federal (10.098, de 2000), pelo decreto que regulamenta esta lei (5.296, de 2004) e mais recentemente através de emenda constitucional (de 2008), a questão da acessibilidade tem celebrado novas conquistas. No caso da TV, segundo o Prof. Dr. Fco. José de Lima, o prazo de implementação da ferramenta da Audiodescrição é até julho deste ano.

Saiba mais sobre este evento:

Fonte: Blog do Dragão do Mar

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