Audiodescrição e legenda oculta promovem a ida da pessoa com deficiência ao cinema

Quem tem mais de 50 anos e, principalmente, a turma acima dos 70, lembra das antigas radionovelas da Rádio Nacional do Rio de Janeiro. Sucessos como "O Direito de Nascer" e "Jerônimo, o Herói do Sertão" faziam famílias se aglomerarem em torno do rádio. Era necessário ouvir bem, prestar atenção para imaginar a cena.

Pessoas vistas de costas em uma platéia. A imagem mostra parte de uma tela de cinema

Faço essa referência para que o leitor tenha ideia do que é audiodescrição. Guardadas às devidas proporções, a audiodescrição se aproxima de uma radionovela. A atriz audiodescritora Graciela Pozzobon, da Lavoro Produções Artísticas, explica que a audiodescrição lembra as radionovelas, com um diferencial: ela não explica, não julga e não interpreta. "Deixa que o ouvinte tenha o seu próprio entendimento. Em outras palavras, dá liberdade para o deficiente visual tirar as suas próprias conclusões sobre a obra", diz Graciela.

Tela de cinema apresentando um filme com legendas para surdos

A audiodescrição e a legenda oculta são técnicas utilizadas para a acessibilidade de pessoas com deficiência auditiva e visual para programas de televisão, no cinema e em espetáculos audiovisuais. Atualmente alguns espetáculos teatrais já oferecem essa técnica, facilitando assim a vida desse público que ama teatro.

Audiodescrição é um recurso de tecnologia assistiva que permite a inclusão de pessoas com deficiência visual junto ao público de produtos audiovisuais. O recurso consiste na tradução de imagens em palavras por meio da descrição objetiva de imagens que, paralelamente e em conjunto com as falas originais, permite a compreensão integral da narrativa audiovisual. A utilização dessa técnica foi amplamente vista nos filmes "Nosso Lar" e "Chico Xavier".

Já a legenda oculta, também conhecida como CC, de Closed Caption, é um sistema de transmissão de legendas via sinal de televisão, que permite a pessoa com deficiência auditiva acompanhar a programação. Elas podem ser reproduzidas por um televisor que possua função para tal. As legendas ficam ocultas até que o usuário do aparelho acione a função na televisão. Descreve, além das falas dos atores ou apresentadores, qualquer outro som presente na cena como palmas, passos, trovões, música, risos, etc.

Pessoas vistas de frente em uma platéia. Algumas dessas pessoas usam fones de ouvido

Estatísticas – "No Brasil já são 22 milhões de pessoas com deficiência auditiva e visual, 17 milhões são visuais e 5 milhões auditivas, isso sem contar os idosos ensurdecidos", revela a fonoaudióloga Helena Dale Couto, especializada em audiologia e metodologia verbotonal e fundadora e diretora técnica da Arpef projeto Cinema Nacional Legendado e Audiodescrito, que, desde 2004, possibilita o acesso das pessoas surdas às melhores realizações do cinema brasileiro, e desde 2007 agrega também pessoas cegas.

Consumidores de fato – O objetivo do projeto encabeçado por Helena é permitir o acesso de surdos e cegos à cultura nacional e, ao mesmo tempo, chamar a atenção dos produtores para esse público, que não é uma fatia pequena dos que consomem cultura e gostam de entretenimento através da televisão e do cinema.

Lara Pozzobon, da Lavoro Produções Artísticas, que organiza o “Assim Vivemos” – Festival Internacional de Filmes Sobre Deficiência, criado em 1999, diz que a técnica da audiodescrição como forma de inserção cultural da pessoa com deficiência só se preocupa com o que está na imagem. "Na verdade uma boa audiodescrição ao ser feita nunca pode competir com as falas dos personagens. Ela tem que ter uma neutralidade que acompanha o clima de cada cena."

Sobre custos para produtores, não se pode falar em cifras. De acordo com Helena, o valor depende de quanto a produção arrecada. "Em geral, o custo com a acessibilidade das produções nacionais não passa de 1% do valor total. Dependendo da produção pode realmente fazer diferença no custo total. Mas nada justifica um filme não ser produzido sem os recursos de acessibilidade. Digo isso por conta do alcance que se dará às pessoas com deficiência – uma parcela considerável da população e que de fato consome cultura, basta oferecer acesso", afirma Helena.

Esperança – Apesar de alguns entraves, a fonoaudióloga acredita que em breve o público com deficiência tenha mais acesso à cultura. Pelo menos em relação ao que é oferecido na televisão. Em 2008 o Ministério das Comunicações, atendendo a solicitação das emissoras, suspendeu a obrigatoriedade de transmissão de programas com audiodescrição. Em maio de 2010, uma nova portaria restabeleceu a obrigatoriedade da veiculação de programas televisivos com audiodescrição a partir de 2011, quando as emissoras serão obrigadas, por conta da Lei de Acessibilidade, a oferecer duas horas diárias de programação com audiodescrição. Isso já é um grande avanço em relação ao Brasil, mas quase nada se formos comparar com outros países. Enquanto isso não acontece, ganha força a campanha "Legenda Nacional – vista essa ideia", a qual tem como objetivo a inserção de legenda em filmes nacionais.

Fonte: DEFICIENTE-FORUM

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