Audiodescrição no Uruguai: Le Malade Imaginaire

Em nossa última viagem à Montevideo, aproveitamos para assistir uma peça de teatro da Comédia Nacional do Uruguai: "Le Malade Imaginaire". Uma peça hilariante, que satiriza os falsos médicos e falsos doentes. É um clássico do teatro universal do século XVII, dirigido por Juan Antonio Saravi, com atores e músicos locais e convidados, que foi escrito originalmente em 1673 por Molière.

Le Malade Imaginaire

PraCegoVer: Le Malade Imaginaire: Tela de Honoré Daumier

Jean Baptiste Poquelin, ou Molière, dramaturgo e ator francês, nascido em Paris no ano de 1622, foi uma criança apaixonada pelo teatro. Em 1643 se uniu a uma companhia da família Béjart, inclusive se casou com uma moça dessa família, e formou a Illustre Théâtre, pela qual atuou na França inteira até 1658. Nesse ano, ao retornar a Paris, recebeu apoio de Luiz XIV e passou a apresentar-se no teatro do Palácio Real, Petit-Bourbon. Com a proteção da corte, ganhou reconhecimento como ator, escritor, produtor e diretor pela Comédia Francesa.

Seu estilo satiriza as convenções sociais e as mazelas humanas, transformando episódios cotidianos em estereótipos reconhecidos facilmente pelo público que assiste El Malade Imaginaire. Seus textos são profundos em análisse, mexendo com nosso psicológico, fazendo-nos questionar nossas hipocrisias, nossas crenças idiotas, nossas fraquezas mais comuns.

El Enfermo Imaginario - Teatro Solis

PraCegoVer: Cena de Le Malade Imaginaire: Teatro Solis, Montevideo

Em "Le Malade Imaginaire" (O Enfermo Imaginário), Molière fala de um velho hipocondríaco que tem uma esposa interesseira e que é explorado por um falso médico, ao mesmo tempo faz tudo o que lhe dizem. Tem duas filhas e um amigo de fé. Seu desejo é casar sua filha mais velha com um médico, e assim poupar gastos. Ao final da peça, com tantas trapaças descobertas e não conseguindo casar sua filha como desejava, ele mesmo se nomeia médico, depois de tantos anos de convivência com as próprias neuras medicinais e conhecendo a medicina popular francesa melhor que ninguém, passa ele mesmo a se receitar e medicar.

Os atores e cantores são impecáveis, o cenário é pequeno mas com detalhes suficientes para nos prender. Os musicais intermediados com as cenas são hilariantes e os personagens, todos, nos fazem rir muito, do início ao fim. A interação é maravilhosa. E a identificação com o público também, afinal de contas, quem não tem na família alguém que adora se fazer de doente, que vive com dor aqui e acolá. Ou quem não presenciou alguém que só está com outra pessoa por dinheiro?

Bem, o que posso dizer pra quem estiver por Montevideo é: assistam! Se tiverem oportunidade, não percam. É divertidíssimo, além de treinar os ouvidos para o espanhol.

Uma notinha: Le Malade Imaginaire está em cartaz até dia 03 de Abril deste ano na Sala Principal do Teatro Solis. E a novidade é que o teatro está disponibilizando audiodescrição para os deficientes visuais pela primeira vez. Com certeza é um ótimo começo para a inclusão dessas pessoas no teatro. O serviço é gratuito, só deve-se consultar os dias e horários disponíveis. A audiodescrição é um projeto de vários setores uruguaios, como a Fundação Braille do Uruguai e a Comédia Nacional, em conjunto com a Secretaria de Gestão de Deficientes da Intendência de Montevideo. Merece destaque!

Nine Copetti

Fonte: Blog Devaneios de Chocolate

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