Audiodescrição: Uma Experiência Sensorial

A repórter Ruca Souza assistiu ao filme Cão Sem Dono em sessão especial com audiodescrição, usando uma venda nos olhos. Minha dúvida era como cegos assistiam a filmes. Parecia algo impossível, de tão acostumada que eu, pessoa que enxerga, estou com as informações visuais.

Acompanhei a sessão de cinema com os deficientes visuais na Fundação Cultural de Blumenau. Para não trair a intenção da experiência, usei uma venda nos olhos. Afinal, era preciso não dar oportunidade para os olhos se abrirem, mesmo que só um pouco.

Como um cego, o escuro da sala de cinema é mais que literal. A luz que atinge os olhos não produz imagens. Ouvia-se só o barulho ambiente das respirações e da máquina de projeção quando o filme começou, com a seguinte narração em voz feminina e sotaque carioca:

– Imagem escura com iluminação avermelhada. Vista da cintura para cima de rapaz e moça pelados na varanda de um apartamento. O rapaz está por trás da jovem. A moça reclina o corpo sobre o parapeito da varanda. O rapaz passa a mão nas costas dela.

Essa cena não faria o menor sentido sem a descrição. Ela seria apenas silêncio e gemidos soltos no ar. O casal poderia estar em qualquer outro lugar e o significado poderia ser diferente.

Descobri, enfim, como os cegos assistem a filmes – e, sim, o termo certo é assistir, não ouvir. É uma experiência sensorial parecida com literatura, mas através do áudio, o que se caracteriza como a vivência de uma arte multimídia, assim como é o cinema convencional. Só que, ao invés das imagens, são as palavras faladas que provocam a imaginação e proporcionam o acesso à história (e, de forma mais ampla, à arte), tornando o filme audiodescrito tão envolvente quanto qualquer outra produção cinematográfica.

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Fonte: Diário Catarinense

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