Para mim, ontem, a audiodescrição teve um gostinho especial

Ontem tive um gostinho especial: o prazer de assistir, no Teatro das Artes (Shopping Eldorado em São Paulo), a famosa peça ENSINA-ME A VIVER. Encenada por Glória Menezes e Arlindo Lopes, sucesso absoluto de público e crítica, que emocionou mais de 250 mil pessoas em São Paulo e Rio de Janeiro em mais de 300 apresentações, que retornou a São Paulo para curta temporada popular. O diferencial foi justamente a audiodescrição.

Para mim a audiodescrição teve um gostinho especial

Foto tirada no Teatro das Artes após a exibição de Ensina-me a Viver. Da esquerda para a direita, em pé: Jumara, Sidney, Laércio, Marcela e Felipe, Ana Luiza e Marina, Luiz e o grupo de Taubaté. Abaixados na frente: esposa do Sidney, Anésia, Lara e Fernanda, Arlindo Lopes e mais pessoas de Taubaté.

Pela 1ª vez, o Teatro das Artes ofereceu esse recurso. Isso aconteceu no domingo passado e ontem.

Realmente, a peça é maravilhosa. Quanto à performance dos atores, não há o que comentar. Quem não foi, não deve perder a oportunidade. O preço está realmente popular, e é nesse quesito que eu gostaria de apontar a minha primeira satisfação.

Foi muito bom chegar no teatro, comprar meu ingresso, e ter condições de absorver todo o conteúdo da peça. Isso aconteceu graças à qualidade da audiodescrição. Embora eu estivesse com a minhesposa, percebi toda a estrutura montada para o atendimento das pessoas com deficiência. Ao chegar na bilheteria já fui abordado por uma pessoa que prontamente se ofereceu para me conduzir até o meu acento no teatro. Ao receber o receptor para a audiodescrição, uma outra assistente ficou à disposição para me auxiliar na resolução de qualquer problema com o equipamento, bem como no esclarecimento de como manuseá-lo.

Eu digo que foi muito bom "chegar no teatro e comprar meu ingresso", porque, pela 1ª vez, me senti um espectador com os mesmos direitos e deveres de qualquer outro. Paguei pelo direito de assistir aquela peça, e tive, com o recurso da audiodescrição, o mesmo entendimento sobre tudo que aconteceu no palco: a sensação foi de plena cidadania!

Um acontecimento que me deixou muito feliz foi o respeito à audiodescrição demonstrado pelos atores. Devido às fortes chuvas que caíram em toda a cidade de São Paulo na tarde de ontem, o trânsito ficou muito complicado. Aguardava-se um grupo de deficientes visuais de Taubaté. No horário marcado para o início da peça a própria Glória Menezes pediu que tivéssemos paciência, mas aguardariam alguns minutos para que o grupo chegasse, ao que, pelo menos eu, não ouvi qualquer manifestação de descontentamento com a atitude. O grupo chegou a tempo, e a peça foi um sucesso.

Por fim, ao final da peça, o Arlindo Lopes agradeceu a presença de todos e, para minha alegria, mais uma vez reforçou a questão da audiodescrição, com um discurso muito afinado com a causa. Não tenho a menor dúvida que ganhamos mais um parceiro nessa nossa luta pela audiodescrição em todos os meios de comunicação.

Muito obrigado Glória e Arlindo pela paciência e sensibilidade à causa da audiodescrição. Muito obrigado a todos os atores pela atenção e carinho para conosco ao final da peça, e pelo comprometimento com o assunto, e um obrigado especial à Lívia e equipe de colaboradores da Vivo por nos permitir usufruir de tão maravilhoso espetáculo, proporcionando, em contraste com uma tarde tão chuvosa, um anoitecer tão agradável.

Laercio Sant’Anna

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