olha Por Mim: exposição ensina a utilizar outras capacidades

Desde o dia 15 de Março, no Edifício dos Serviços Sociais da Câmara Municipal de Lisboa, pode ser vista, durante um mês, a Exposição de pintura multissensorial "Olha por mim", que visa tornar a arte e cultura acessível a diversos públicos.

Com este objectivo, na sua organização e montagem, foram consideradas as necessidades das pessoas com alterações nas funções da visão e audição, eliminadas barreiras e desenvolvidas soluções como a disponibilização de audiodescrição e de um percurso táctil. Pretendeu a autora que todos possam ter acesso à exposição ainda que as experiências de cada pessoa possam ser realizadas através de sentidos sensoriais diferentes.

A exposição permitirá a acessibilidade a pessoas cegas, amblíopes e surdas, proporcionando-lhes experiências acústicas e tácteis, como formas de ver e ouvir a arte e a cultura que se deseja para todos.

A personagem central da exposição é Mirtilo Gomes, heterónimo interventivo de Tânia Bailão Lopes. Lisboeta, solitário, através das cores intensas e da força dos contrastes, ironiza, pretendendo elucidar-nos para a corrosão de valores a que o mundo se rende e acomoda. Na sua pintura nascem personagens frágeis, desprotegidas e discriminadas que nos comunicam através de gestos e olhares o seu desespero e angústia.

Na inauguração da exposição foi proferida uma palestra "Comunicar a arte trocando os sentidos: acessibilidade e inclusão", por Josélia Neves e Walter Marcos, especialistas na área. Josélia Neves fez doutoramento na Universidade de Surrey Roehampkkton de Londres, estudando uma espécie de gramática de legendagem para surdos. Daí surgiu um livro – "Vozes que se vêem”, editado pela Universidade de Aveiro.

A este propósito lembro o pedagogo e psicanalista João dos Santos, que fundou com Henrique Moutinho em 1956 o Centro Hellen Keller, destinado à prevenção, tratamento e reeducação de crianças deficientes visuais (e que foi o primeiro centro no mundo que integrou na mesma escola crianças cegas, amblíopes e de visão normal), assim como participou na fundação da Associação Portuguesa de Surdos. E diz ele: "há processos de compensar ou de ultrapassar deficiências ou falhas que dificultam a aprendizagem, sendo da máxima importância que os técnicos que intervêm para ajudar essa compensação ou ultrapassagem tenham consciência de que nenhum ser humano utiliza todas as capacidades potenciais existentes em si".

Saibamos fazê-lo, saibamos incentivá-lo.

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