8ª Cinedocumenta incluiu filmes com audiodescrição

IPATINGA – A 8ª "Cinedocumenta", promovida com o patrocínio da Usiminas, ganha sequência no final de semana com uma extensa programação, que será desenvolvida simultaneamente em Ipatinga, Timóteo, Coronel Fabriciano e Santana do Paraíso.

A mostra de cinema, aberta na última segunda-feira sob o tema "Viva o Povo Brasileiro", vem atraindo grande e diversificado público. Pessoas de todas as idades, sexo, nível de escolaridade, profissionais das áreas mais variadas têm prestigiado a Cinedocumenta. Esse pluralismo tem tudo a ver com o título da mostra, que, como explica João Ubaldo Ribeiro, autor do livro homônimo, convida as pessoas a viverem o nosso povo, resultado de miscigenação.

A mostra foi aberta no início da semana com a exibição de uma entrevista de João Ubaldo, gravada em sua casa por Éderson Caldas e pelo cineasta Joel Pizzini, um dos oficineiros da Mostra. No vídeo, Ubaldo fala sobre o seu livro "Viva o Povo Brasileiro", e diz que a realidade é mais absurda que a ficção.

Sávio Tarso, curador da mostra, destaca que a Cinedocumenta, em sua 8ª edição, valorizou a diversidade de linguagens. "Nosso propósito é de formar público", disse.

CINEMA EFICIENTE

A Cinedocumenta integrou o Seminário de Inclusão da Educação de Jovens e Adultos (EJA) da escola Altina Olívia Gonçalves, que aconteceu nesta semana no educandário, voltado a pessoas com deficiência.

Os alunos assistiram ao filme "Paratodos", um debate sobre a condição dos deficientes sob o ponto de vista de atletas paraolímpicos. Cerca de 150 alunos prestigiaram a sessão. Na quarta-feira, foram exibidos os filmes "Passeio pelo Invisível: encontros com a fotografia" e "Ver Além", que foi comentado por seus diretores, os designers gráficos Fabiana Temponi e Abrahão Lincoln, ambos de Governador Valadares.

"Ver Além" foi produzido com audiodescrição, para auxiliar a compreensão das pessoas com necessidades especiais visuais. Depoimentos como o da mãe que sente falta de ver o rosto dos filhos, de contemplar os girassóis, emocionaram o público.

A fim de reproduzir a sensação de quem tem problemas visuais, os produtores de "Ver Além" usaram filtros. Entre a transição de imagens de um e outro entrevistado, as cenas são desfocadas, outras vezes distorcidas ou escurecidas. "Tudo de acordo com a doença que levou a pessoa a perder a visão", detalha Fabiana. Segundo conta, a ideia do filme surgiu durante um congresso de Design Sensorial.

Satisfeita com o sucesso de "Ver Além", os diretores vêm enviando o filme para ser exibido em uma série de festivais. "Nosso filme está em Madri e Portugal", noticia Fabiana, que teve o trabalho prestigiado no Altina por toda a família, inclusive por parentes de Ipatinga. "Temos uma história com esta cidade. É daqui que saiu um de nossos professores, o cartunista João Marcos, o pai do Mendelévio, e um grande motivador nosso", completa Fabiana.

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