Folha de SP: filme de circuito exibido com audiodescrição

Cinema para deficientes exibe filme de circuito pela 1ª vez

Feche os olhos e tente acompanhar um filme só pelo som. Agora tire o som da TV e tente vê-lo fazendo leitura labial. Parece impossível. E é, para milhares de brasileiros -22 milhões, segundo o Censo 2000 (os números de 2010 ainda não saíram).

Para diminuir a distância entre os deficientes visuais e auditivos e a sétima arte, a fonoaudióloga Helena Dale criou, há sete anos, o projeto Cinema Nacional Legendado & Audiodescrito, em que filmes brasileiros que saíram de cartaz são exibidos com legendas, para os deficientes auditivos, e com descrições transmitidas por meio de fones, para deficientes visuais.

A novidade deste ano é que, pela primeira vez, o projeto exibe uma obra que acabou de estrear: o longa "Não se Pode Viver sem Amor", de Jorge Durán, que terá duas sessões, hoje e amanhã às 16h, no CCBB do Rio.

"Este é um momento ímpar para a gente. O projeto é imprescindível para que o deficiente visual possa ter a cidadania completa", diz o professor Alessandro de Souza, 31, frequentador das sessões e cego desde os 17 anos.

Em 2009, a 10ª edição da Retrospectiva do Cinema Brasileiro do Cinesesc exibiu três títulos com audiodescrição e legendas "closed caption" (que descrevem as falas e outros sons da cena), mas com filmes já exibidos antes.

O projeto Cinema Nacional Legendado começou a ser gestado quando Helena descobriu, há 30 anos, que o filho de nove meses era surdo.

Doze anos depois, ela montou o Centro de Produção de Legendas, pioneiro no Brasil em "closed caption" para programas gravados.

Em 2004, começou a legendar filmes fora de cartaz a fim de exibi-los para surdos. O CCBB gostou e, dessa parceria, criaram-se as sessões. Em 2007, as obras passaram a ser audiodescritas.

LUIZA SOUTO – DO RIO

Fonte: Folha de São Paulo

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