Peça teatral inova na linguagem

Após 40 anos de montagem em Pernambuco, o espetáculo "A Revolta dos Brinquedos" ganha uma versão especial. Em pleno mês das crianças, a peça poderá ser assistida por pessoas com deficiência visual e auditiva. Sob a direção do professor de artes cênicas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), José Francisco Filho, a peça teatral vai utilizar a língua brasileira de sinais (Libras) e a áudio-descrição para facilitar a compreensão dos espectadores surdos, cegos e com baixa visão.

O espetáculo, que será encenado no Teatro Apolo, nos dias 16 e 17 deste mês, narra a história dos brinquedos que se revoltam contra a própria dona e resolvem promover um grande julgamento para decidir como puni-la. Durante a apresentação tradicional, o grupo vai contar com a ajuda de um intérprete de Libras, que fará a tradução simultânea de todo o espetáculo para o público surdo, e um profissional de áudio-descrição, que passará para os cegos e pessoas com baixa visão tudo o que é visto.

A áudio-descrição é uma técnica de tradução visual que transforma em palavras tudo que é visto. Por meio de fones de ouvido sem fio, os usuários vão receber informações entre as falas dos atores. Além disso, cerca de 30 minutos antes do espetáculo, o espectador cego receberá informações sobre o teatro, o palco, o cenário, detalhes sobre os personagens e o figurino para que ele fique ciente de todos os detalhes. A peça poderá ofertar a 20 pessoas esse serviço.

A iniciativa surgiu do próprio professor e diretor. "A coisa começou devagar. A princípio nós começamos a trabalhar com a linguagem de sinais. Já estava começando a ensaiar quando questionei os atores porque não poderíamos encarar o desafio de incluir os cegos nesse projeto. E, então começamos a trabalhar tudo. Isso tornou o espetáculo inédito no Brasil", contou o professor. "Já tínhamos visto filmes para cegos e peças para surdos, mas para os dois, não. Isso tem um valor único", acrescentou.

Para conceber o espetáculo dessa nova maneira, além de contar com o intérprete de Libras, José Carlos Santos Veloso, a peça conta com o apoio do grupo ‘Imagens que falam’ da UFPE. A equipe atua no campo da pesquisa e da prática da áudio-descrição e forma profissionais para o mercado. "Nossos parceiros são especialistas. Mas, todos nós vamos vivenciar uma experiência que ninguém vivenciou antes. Tanto a platéia como a equipe", pontuou Francisco.

Participam do espetáculo sete atores, entre alunos da UFPE, ex-alunos e atores. De acordo com José Francisco Filho, a experiência é uma oportunidade singular para os universitários envolvidos. "Da maneira mais prática, antes de terminar o curso, eles já estão vivenciando acadêmica e pedagogicamente uma situação que eles vão vivenciar por toda a vida", declarou o professor que pretende usar a experiência como base para uma pesquisa acadêmica, no futuro.

Essa apresentação, entretanto, servirá para o grupo como um "teste" para uma produção mais ousada que está por vir.O Pirata Tubarão”, de Rubem Rocha Filho, com estreia prevista para 2011 vai ampliar ainda mais a acessibilidade no teatro infantil. "Na próxima peça, os atores atuarão e falarão a linguagem de sinais ao mesmo tempo. Por isso, já estamos ensaiando, separadamente, a parte de Libras e a técnica vocal. Pois, precisamos colocar a voz do ator no sinal", explicou Francisco.

O objetivo da companhia é usar a acessibilidade comunicacional para que todos possam apreciar a peça. No entanto, para que mais projetos como esse surjam, Francisco acredita que é preciso mais incentivo. "Falta iniciativa privada e pública que fique atenta e possa entrar como parceiros, porque isso não é um trabalho amador. Requer técnica, engajamento e exige um custo e uma dedicação acima do normal de qualquer outra produção", concluiu. Fonte: Folha de Pernambuco

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