Acessibilidade chega à programação de TV

a programação das emissoras de televisão digital se tornará acessível ao público com deficiência visual a partir do dia 1º de julho. A norma cumpre portaria publicada pelo Ministério das Comunicações em 2006, que estabelece que as emissoras devem veicular ao menos duas horas por semana de programas com o recurso da audiodescrição. A narração de sons, elementos visuais e quaisquer informações necessárias para que um deficiente visual consiga compreender o que se passa na tela estará disponível na função SAP (do inglês Programa Secundário de Áudio). Programas transmitidos em outros idiomas também serão adaptados.>

"Nós assistimos aquilo que outros escolheram", declara Flávio Luís da Silva, que defende que toda programação deve ser audiodescrita.

César Achkar, além de artista plástico, é diretor de comunicação da Associação Brasiliense de Deficientes Visuais (ABDV). Com 47 anos, é deficiente visual desde os 28 e acredita que apesar de pouco, estas duas horas semanais representam uma conquista. Achkar afirma que a batalha pela audiodescrição em programas televisivos, cinemas e DVDs é antiga, e acredita que as emissoras de televisão resistiam à utilização deste recurso por questões econômicas. "Agora eles vão perceber que não é um investimento tão alto, você tem que contratar uns dois profissionais pra fazer a audiodescrição de um filme, não é tão caro pra uma emissora de televisão. Vai ser um número bem significativo de pessoas assistindo essa programação" declara o diretor.

Acesso cultural

Flávio Luís da Silva é artista plástico há sete anos, faz esculturas e telas-táteis e é vice-presidente da ABDV. A associação tem parceria com a Secretaria de Cultura do DF e ajuda na elaboração da audiodescrição no Festival de Cinema de Brasília. Tal descrição é utilizada em cenas somente com imagens, sem sons, que deficientes visuais não poderiam entender sem narração sonora. O vice-presidente gostaria que a audiodescrição se estendesse também a outras manifestações culturais. "Teatro ainda não ouvi falar em apresentação com audiodescrição em Brasília, mas alguns colegas que moram no Rio de Janeiro já me disseram que já viram peças assim por lá", afirma Flávio Luís.

O diretor da ABDV, César Achkar, afirma que em São Paulo já existe este recurso. César explica que no Festival de Cinema de Brasília são distribuídos aparelhos para aqueles que se declaram deficientes visuais escutarem a trilha sonora especial. Em DVDs, a audiodescrição funcionaria como uma opção de áudio extra. O artista plástico afirma que o ideal seria que todo conteúdo televisivo que fosse educativo, de conteúdo mais intelectual, tivesse o recurso.

Patrocinada pela Petrobrás, a ABDV acrescentou audiodescrição a 30 filmes nacionais já consagrados pelo público. A coleção foi enviada para diversas entidades de deficientes espalhadas pelo Brasil e a ABDV conta com uma destas coleções. As cópias serão disponibilizadas para todos os aproximadamente 800 associados.

Isabella Andrade

Fonte: Campus Online – Universidade de Brasília

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