Dicas de Fabrícia Omena para tornar sua palestra acessível

Os leitores cegos ou com baixa-visão aqui do blog, certamente se identificarão com alguma das situações abaixo. Você que enxerga, imagine que tem deficiência visual e que está em um grande evento, de ouvidos atentos nas palestras. A que você está assistindo agora é sobre um tema bem interessante e foi aguardada com expectativa.

Fabrícia Omena

Situação 1. lá pelo meio da apresentação, o palestrante diz: "vejam esta imagem, que bonita. Agora vejam esta. E agora esta…" e desenvolve uma série de explicações acerca do tema. Você se sente meio perdido por um momento,porque não viu as imagens!
Comentário: às vezes, descrever não é interessante para o palestrante que mostra uma imagem e pede ao público para dizer o que estão vendo. Nos outros casos, é importante pelo menos dar uma dica do que se trata. Por exemplo: Vejam esta imagem do Cristo Redentor. Ou esta, das praias da cidade. Ou este bebê no carrinho de supermercado.

Situação 2: Para ilustrar as explicações, o palestrante aciona alguns vídeos e você só ouve a música de fundo, porque o vídeo só tem imagem.
Comentário: Ao final da exibição vale a pena o palestrante destacar alguns pontos do vídeo e relacioná-los com o conteúdo da palestra. Pode também fazer isto enquanto o vídeo é exibido, desde que o volume esteja baixo.

Situação 3: O palestrante mostra um slide e diz: "este é o meu livro mais recente e você pode adquirir no stand do evento". Você pensa até em comprá-lo. Mas como ele se chama? O palestrante não disse… Outra variante desta situação é a clássica "Quero encerrar a palestra com esta frase…" e mostra a frase no último slide. E as pessoas do evento aplaudem. E você, deficiente visual, não entende nada porque não viu nada! Mas também aplaude, só porque todos estão fazendo isso.
Comentário: Talvez, aquela pessoa que está lá atrás e não tem deficiência nenhuma, nem conseguiu ver direito o título do livro e perdeu a informação do mesmo jeito. Talvez isso não aconteceria, caso a informação também fosse falada.
Ao finalizar com frase, entenda que se for uma frase boa será impactante, quer seja lida ou não. A diferença é que ao lê-la você a torna acessível.

Como expectadora deficiente visual, digo a vocês que é muito melhor assistir à uma palestra com autonomia, do que ficar perguntando a toda hora a alguém: "Que imagem é essa?" "Como é este vídeo?" "Como se chama o livro?" Sem falar que nem todas as vezes a pessoa deficiente se sente a vontade para ficar fazendo perguntas.

Observei que alguns palestrantes não tem a preocupação de tornar os conteúdos acessíveis justamente por não cogitarem a possibilidade de haver, dentre os expectadores, alguém com cegueira ou dificuldade visual. Mas lembre-se: acessibilidade é para todos e não apenas para quem tem deficiência.

Pense nisso.

Fonte: Blog pessoal da jornalista alagoana Fabrícia Omena

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