No ar, a sétima edição da Revista Brasileira de Tradução Visual

Nesta segunda-feira, 27, foi lançada a sétima edição da revista trimestral eletrônica RBTV – Revista Brasileira de Tradução Visual

A Revista Brasileira de Tradução Visual, em seu segundo ano, com este sétimo volume, renova aos seus leitores o convite à luta social, científica, ética, política, legal e fraterna, para se fazer com que a conquista do direito de cada um se traduza na efetivação dos direitos de Todos.

Portanto, esta edição se destaca pelo que permeia/sustenta e vivifica os volumes anteriores: o empoderamento e a autoadvocacia da pessoa com deficiência.

É sob este tom que, na “Seção Principal” da RBTV o leitor poderá conferir seis trabalhos sobre temas da inclusão social/cultural/educacional como direito da pessoa com deficiência.

Os artigos versam, desde a autoadvocacia da pessoa com deficiência, passando pelo letramento literário/cultural/artístico da pessoa com deficiência (em especial, das pessoas com deficiência visual, pessoas cegas ou com baixa visão, e das pessoas surdas, falantes de Libras), até a inclusão social pelo lazer, ao assistir a um desenho animado, e à cultura e ciência ao descobrir que o Caderno “Diálogos Entre Arte e Público” contará com acessibilidade comunicacional, possibilitada pelos recursos assistivos advindos da áudio-descrição e da interpretação em Libras dos artigos nele encontrados.

Saiba um pouco sobre o que o vol. 7 da RBTV lhes reserva:

1 – No artigo “A autoadvocacia dentro do campo dos estudos culturais: um meio para o empoderamento de pessoas com deficiência”, Taísa Dantas aborda as peculiaridades da autoadvocacia, como um viés de subversão a lógica excludente mantida na e pela sociedade contra a pessoa com deficiência.

2 – No artigo “Áudio-descrição de animação: caminho para o letramento literário das crianças com deficiência visual”, Fabiana Tavares chama a atenção para o fato de a animação em formato acessível ainda ser escassa no Brasil, o que coloca as crianças com deficiência visual em desvantagem cultural com seus pares sem deficiência. Ela mostra que esta realidade excludente pode ser modificada, uma vez respeitado o direito ao recurso da áudio-descrição, feita com ética e competência. “Caso contrário, a herança cultural referente a esta arte legada aos nossos pósteros continuará inacessível para os que têm deficiência visual”.

3 – No artigo “E-acessibilidade para surdos”, Rachel Colacique Gomes e Adriana Góes argumentam que a falta de acessibilidade na web é uma forma de intensificar a exclusão tecnicossocial, vivenciada por pessoas surdas, que falam a Língua Brasileira de Sinais, Libras.

4 – No artigo “Introdução aos estudos do roteiro para áudio-descrição: sugestões para a construção de um script anotado”, Francisco Lima oferece sugestões para a construção de um script áudio-descritivo anotado (com notações/rubricas para, entre outros fins, o da locução da tradução visual), instruindo que diretrizes empregar nessa construção, quando a áudio-descrição estiver em variados suportes.

5 – No artigo “Mediando diálogos acessíveis”, Regina Buccini apresenta reflexões imperativas a respeito de diversos pontos da mediação cultural e sua função social, bem como a respeito da acessibilidade da pessoa com deficiência aos bens culturais e a relação entre políticas públicas e ações inclusivas. Nas palavras da autora, “Ao visualizar tais barreiras nos museus, nos teatros, em bibliotecas, em toda sorte de centros e equipamentos culturais, fica ainda mais claro que o obstáculo principal ao acesso não é a deficiência, a ausência ou diminuição de algum sentido, ou ainda a dificuldade de locomoção. Os prédios são projetados, as exposições desenhadas, as pautas de teatros e cinemas são preenchidas sem que seja prevista a heterogeneidade…

6 – No artigo “O deficiente visual como leitor pressuposto”, Flavia Mayer levanta as seguintes questões, sobre as quais tece importantes reflexões: poderemos de fato pensar a inclusão do deficiente visual se ainda o conhecemos tão pouco? Quais seriam suas formas de leitura e os caminhos cognitivos que ele percorre para construção da realidade? E a autora, depois de fundados argumentos, conclui: “No entanto, cabe agora analisar de forma mais efetiva e aprofundada os processos semióticos, lingüísticos e cognitivos envolvidos na compreensão do discurso imagético pelos deficientes visuais, a fim de contribuir para o apontamento de diretrizes para um modelo de audiodescrição acessível, levando-se em conta as características interpretativas e culturais dos deficientes visuais brasileiros. Deste modo, poderemos sim pensar na audiodescrição como uma ferramenta eficaz para fazer valer o direito de acesso e inclusão e tornando-os, pois, leitores pressupostos.

Mas, não é só isso que o sétimo volume da RBTV traz aos seus leitores:

Na seção “Relato de experiência”, três relatos emocionantes e belos (“Audiodescrição no Miss DV-RS 2011: relato de uma experiência”, por Letícia Schwartz, “Áudio-descrição da Paixão de Cristo: um breve relato de uma mega produção”, por Liliana Tavares e “Finalmente compreendi o peso de se negar o direito à áudio-descrição”: relato da Rosinha da ADEFAL”, por Roseane Freitas) resumem em palavras vívidas o espaço que a áudio-descrição tem assumido em contextos sócio-culturais diversos e igualmente relevantes.

Estes relatos mostram um pouco do trabalho dos áudio-descritores, protagonistas na construção e/ou oferta da áudio-descrição de eventos visuais, para o empoderamento da pessoa com deficiência visual, trazendo muito mais que o compartilhar de experiências: mostram o desbravamento de caminhos, a ampliação de fronteiras e a construção de uma nação respeitosa dos direitos das pessoas com deficiência, assim nutrindo na sociedade a certeza de que deficiência não é sinônimo de dependência ou incapacidade das pessoas com deficiência.

E a Revista Brasileira de Tradução Visual ainda tem mais!

Na “Sessão foto-descrição”, a RBTV convida os leitores a conhecer 10 das mais belas obras do artista carioca Orlando Teruz no artigo intitulado Ler imagens: áudio-descrição da narrativa de Orlando Teruz”.

Então, entre os pincéis teruzianos, os roteiros de áudio-descrição e as experiências relatadas por áudio-descritores e usuários da áudio-descrição, se instala a certeza de que a tradução visual emana da inclusão e dela é revestida de sentido. Venha conferir!

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