Audiodescrição: uma realidade na TV brasileira

A primeira vez que tive contato com o sistema de audiodescrição foi numa exibição de cinema do filme "Ensaio sobre a Cegueira", em agosto de 2009. A sessão foi para um público pequeno formado por cerca de cinquenta pessoas, maior parte familiares de pessoas com deficiência visual que também marcaram presença na Biblioteca Pública Epifânio Dória, em Aracaju. Naquela época, o evento ocorreu na semana de lançamento do selo dos Correios comemorativo ao bicentenário de Louis Braille.

A descrição das cenas feitas por um narrador nos intervalos das falas dos personagens deixava as pessoas com deficiência bem à vontade na sala improvisada. As expressões nos rostos davam a impressão que elas estavam enxergando cada detalhe que uma pessoa sem deficiência já percebia.

Era o começo de uma nova era no estado de Sergipe, pensei. Não foi. A experiência se encerrou naquela sessão e diferentemente do que havia imaginado, nas salas de projeções profissionais o sistema também não apareceu, mesmo quase dois anos depois.

A inclusão por meio das artes ainda é pouco conhecida e muito menos está na pauta dos produtores culturais. Cinemas, teatros, shows, museus, os empresários vendam os olhos e são incapazes de perceber a necessidade do mercado.

Nos Estados Unidos, a audiodescrição foi introduzida no ano de 1975 num trabalho de pós-graduação da Universidade do Arizona. Em 1989 foi popularizada no Festival de Cannes, na França, e um ano depois, chegou a Europa.

Aqui no Brasil, a audiodescrição virou realidade desde primeiro de julho na televisão brasileira, isso para quem dispõe do sistema digital. Segundo o Ministério das Comunicações, com o sistema cerca de 16 milhões de brasileiros com deficiência visual vão ser beneficiados com o serviço que as emissoras que transmitem em sinal digital já estão oferecendo.

A audiodescrição na TV Digital Brasileira foi meio que forçada. Em maio de 2010, a portaria do Ministério das Comunicações número 188 detalhou o cronograma de implantação do sistema. Elas tiveram um ano para se adaptar e agora num prazo de dez anos, terão que oferecer 20h de programação audiodescrita.

As primeiras experiências já podem ser conferidas. A Rede Globo, por exemplo, inaugurou o sistema no filme "O Quarteto Fantástico" exibido na Tela Quente, programa que foi ao ar no dia 4 de julho de 2011. Outro programa que a emissora também dispõe da audiodescrição é o Temperatura Máxima, exibido aos domingos.

No site da emissora, o gerente de engenharia de exibição e distribuição da Tv Globo, Eduardo Ferreira, disse que já era oferecido o áudio em português e inglês dublado. Na opção áudio português agora existe uma segunda opção, que é o áudio adicionado à locução de audiodescrição.

Em entrevista ao site do Ministério das Comunicações, o membro da Organização Nacional dos Cegos do Brasil, Mizael Conrado, declarou que "o sistema permite que a pessoa cega tenha a real informação daquilo que acontece. Apenas o conhecimento é capaz de transformar a realidade de um seguimento, de um povo. Por isso, entendo que a audiodescrição é fundamental para a cidadania de uma pessoa cega".

Se não fosse a força da lei e as pressões feitas há anos pelas classes ligadas as pessoas com deficiência, certamente às duas horas iniciais que as emissoras estão disponibilizando nem estariam no ar. Como bem disse Mizael Conrado, "apenas o conhecimento é capaz de transformar a realidade de um povo". Mas é aí que mora o problema, quanto mais conhecimento, mais as pessoas podem contestar o que muitas vezes querem empurrar, como se diz por aqui – goela abaixo".

por Anderson Barbosa

Fonte: ISE – Inclusão Sergipe

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